domingo, 23 de novembro de 2014

A família em busca da extinção

Olavo de Carvalho

       A “família tradicional” que os cristãos e conservadores defendem ardorosamente contra o assédio feminista, gayzista, pansexualista etc., bem como contra a usurpação do pátrio poder pelo Estado, é essencialmente a família nuclear constituída de pai, mãe e filhos (poucos). O cinema consagrou essa imagem como símbolo vivente dos valores fundamentais da cultura americana, e a transmitiu a todos os países da órbita cultural dos EUA.

sábado, 22 de novembro de 2014

O arauto do que vem por aí

por Rogério Furquim Werneck

É melhor prestar atenção ao que anda dizendo o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, goste-se dele ou não 

Quem ainda nutre a esperança de que o governo possa imprimir rumo mais promissor à política econômica, em 2015, deve acompanhar com atenção o que vem sendo dito por Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil da Presidência.

Em reunião com a bancada petista na Câmara, na semana passada, o ministro foi direto ao ponto: “A política econômica do segundo governo não pode ser a que foi derrotada. A nossa prioridade é emprego e renda. A nossa agenda não é a do mercado.” (O GLOBO, 14/11).

Dois dias depois, em entrevista no Palácio do Planalto a Míriam Leitão, na GloboNews, Mercadante deixou claro que, três semanas após o segundo turno, o governo continua aferrado ao discurso econômico descolado da realidade a que se apegou durante a campanha eleitoral.

Bem-falante, o ministro consegue repetir de forma mais articulada os argumentos que Dilma tentava brandir ao longo da campanha. Mas, ao ser mais claro, Mercadante torna ainda mais evidente a absurda dissonância cognitiva que vem marcando o discurso do governo.

O que se ouviu foi uma longa fieira de mistificações. A estagnação da economia é simples desdobramento da desaceleração da economia mundial. Se olharmos nosso entorno na América Latina, a situação não é diferente. Não há nada errado com a política de combate à inflação. O Banco Central sempre teve autonomia operacional. A presidente não fala sobre juros. A inflação sempre esteve dentro da meta. Não houve nenhum represamento de preços de energia elétrica e combustíveis. Ao contrário do que se alega, a política econômica foi uma escolha vitoriosa. O reconhecimento do êxito desse projeto foi dado pelos “54 milhões de votos, 3,5 milhões a mais que o segundo colocado, um Uruguai a mais”.

O ministro acha que o Brasil vem tendo desempenho fiscal exemplar: “Só cinco países do G-20 têm superávit primário. E o Brasil é um deles.” Indagado sobre a desastrosa evolução recente das contas públicas, o ministro esfalfa-se para dissimular o descontrole fiscal do ano eleitoral de 2014 como política anticíclica. “Nós fizemos uma opção... proteger o emprego, proteger o salário... O Estado tem que fazer uma política anticíclica, como todas as principais economias estão fazendo.”

Como, até o fim de setembro, o Tesouro vinha assegurando que a meta anual de superávit primário seria cumprida, a alegação não faz sentido. A não ser que estejamos diante de um caso raro de política anticíclica secreta, da qual ninguém jamais teve conhecimento prévio.

Mas a pior parte da entrevista foi a justificativa fervorosa da disparatada proposta de alteração da LDO, para que, da meta fiscal, possam ser deduzidos todos os gastos do PAC e as perdas de receita decorrentes de desonerações. Segundo o ministro, é mais do que razoável descontar da meta os grandes itens responsáveis pela deterioração do superávit primário. O desconto é “só onde cresceu”.

A analogia que vem à mente é a de um paciente, comprometido com uma meta de controle de peso, que sugere ao cardiologista que, do número apontado na balança do consultório, seja descontado o peso estimado da gordura adicional que acumulou na cintura desde a última consulta.

Em face do risco cada vez mais alto de um vergonhoso rebaixamento da dívida soberana do país, é espantoso que o Planalto se permita adotar discurso tão acintosamente explícito de defesa da irresponsabilidade fiscal. Já não há nem mesmo preocupação em manter as aparências.

Vale notar que o ministro-chefe da Casa Civil nunca esteve tão à vontade para falar de política econômica. Tudo indica que essa súbita loquacidade, em matéria que sempre lhe foi vedada, conta agora com aprovação prévia da presidente. Tendo reduzido a estatura de Guido Mantega à de ministro demitido já há mais de dois meses, Dilma carecia de um porta-voz que pudesse falar de economia em seu nome, enquanto, sem pressa, escolhe um substituto.

É bom, portanto, levar a sério o que anda dizendo a Casa Civil. Goste-se ou não, Mercadante parece ser o arauto do que vem por aí. Preparem-se.

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Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

Venezuela se desmancha em 15 anos de chavismo

Inflação galopante, queda do preço do petróleo, desabastecimento e criminalidade soam como a hora da verdade para o chavismo, que destruiu um país rico

por EDITORIAL - O Globo - 21/11/14  

 A Venezuela encerra o 15º ano do ciclo chavista. A cada dia, a situação do país — lucrativo mercado para empreiteiras brasileiras — se torna mais crítica política, social e economicamente. A inflação, acima dos 63% anuais, tende a avançar para o patamar dos três dígitos, aguçando o conflito social. O declínio de 25% no preço do petróleo aprofunda a crise (Chávez assumiu com o barril a US$ 30, imperou com o óleo a US$ 140 e hoje o país não consegue sequer comprar alimentos com a cotação a US$ 80.) A Venezuela, que depende do petróleo para 96% da receita de exportações, virou um pária internacional — sobretudo em direitos humanos, com a oposição encarcerada —, e o governo imerso em corrupção.

A população enfrenta a cada vez mais aguda falta de produtos alimentícios e essenciais, por conta da escassez de divisas para as importações. A disparada de quase 30% do dólar no paralelo torna os produtos importados inacessíveis para uma vasta parcela da população. Os ricos continuam comprando o que lhes apraz no exterior. A criminalidade e a violência dispararam. O caos social não está longe.

A colunista Marianella Salazar resumiu a situação, no jornal “El Nacional”, de Caracas. “Não há fraldas para os anciãos nem é possível tratar doentes terminais de câncer e outras enfermidades por falta de remédios, mas o governo destina dólares para importar pinus canadense e enfeites para árvores de Natal. É um absurdo”.

No pós-globalização, o chavismo adota o planejamento centralizado da economia, que não deu certo em lugar algum. O Estado avançou sobre as empresas, nacionalizando-as e, portanto, jogou a eficiência no fundo do poço e afugentou investidores. Tudo em nome do “socialismo do século XXI”. O governo, tanto com Chávez como com seu sucessor, Nicolás Maduro, transformou a galinha dos ovos de ouro, a estatal petroleira PDVSA, num organismo gigantesco, totalmente aparelhado por aliados, com baixa produtividade, incumbida de servir de caixa para o Tesouro e responsável por programas populistas.

O subsídio à gasolina torna seu preço ao consumidor um dos mais baixos do mundo, menos de um centavo de dólar o litro. O governo reconhece que a PDVSA perde anualmente US$ 12,6 bilhões com a diferença entre o custo da produção e o de venda. O último ajuste do preço foi em 1997. Maduro voltou a falar em cortar parte do subsídio para reduzir o déficit fiscal, mas é pouco provável que o faça: em 1989, um aumento desaguou no “Caracazo”, violentos protestos nos quais morreram centenas de pessoas.

Na última semana, Maduro aprovou uma saraivada de 28 decretos na área econômica, aproveitando os últimos dias dos poderes especiais que o Congresso e a Justiça, dominados pelo chavismo, lhe outorgaram por um ano. Não se espera que problemas tão graves como os da Venezuela sejam resolvidos por decreto.

O eleitor consciente não sabia

Por Guilerme Fiuza
 
A gasolina aumentou, a energia vai aumentar muito, o teto da meta de inflação virou piso e os juros voltaram a subir 

Os eleitores progressistas de Dilma Rousseff estão radiantes. Foi muito importante a esquerda ganhar a eleição no Brasil. O candidato burguês da elite branca jamais celebraria o Dia da Consciência Negra como o fez a presidente mulher e oprimida. Devota de Zumbi (o que fica claro pelo estilo do seu governo), Dilma exaltou um Brasil que “se orgulha da sua cor”. Se você não sabia, eleitor derrotado da direita capitalista, agora ficou sabendo: o Brasil tem uma cor. E não é a sua, seu branco azedo. Aí você perguntaria: se o Brasil de Dilma é negro, não seria melhor ela entregar logo a Presidência a Joaquim Barbosa e se exilar na Argentina?

Pronto, lá vem a elite branca com a sua vocação golpista. É bem verdade que também há brancos entre os eleitores conscientes que salvaram o Brasil, garantindo mais quatro anos ao PT. Mas é só aparência. São todos negros por dentro. Negros como o petróleo viscoso que jorrou nas contas bancárias do PT e aliados nos últimos dez anos.

O eleitor progressista do bem votou na candidata do povo já sabendo o que tinha acontecido com a Petrobras. Desde o início do ano a Operação Lava-Jato da Polícia Federal veio mostrando, como numa novela de Aguinaldo Silva, capítulo por capítulo da privatização da maior empresa brasileira pela maior quadrilha brasileira — instalada na diretoria da estatal com as inconfundíveis digitais petistas. Nada disso abalou o eleitor de esquerda, porque ele sabe que privatização perigosa é a dos neoliberais. Se o PT e sua gangue tomam posse do que é do povo, isso é socialismo. No máximo na próxima encarnação você recebe a sua parte.

O que talvez tenha chateado um pouco o eleitor antenado de Dilma foi um detalhe desagradável do caso Petrobras. Só depois de passada a eleição, ele ficou sabendo o nome da empresa offshore do ex-diretor de serviços Renato Duque — um dos prepostos petistas no esquema, que está preso. A empresa depositária das propinas no exterior se chama “Drenos”. Isso magoa um progressista. Mensalão, petrolão, enfim, drenar o dinheiro do povo por 12 anos, prorrogáveis por mais quatro, tudo bem. Mas fazer piada interna com isso é demais. Os companheiros Valério, Delúbio e Vaccari jamais fariam isso. Parece até coisa da elite branca.

Os desvios criados pelo PT nesses três mandatos do governo popular sempre foram coisa séria — dinheiro sujo para financiar a revolução limpa e gloriosa (e os charutos do Delúbio, que ninguém é de ferro). Enfim, roubaram sem perder a ternura. O eleitor progressista e libertário do Rio de Janeiro — que junto com Minas Gerais decidiu a eleição em favor de Dilma — sabia de tudo isso, e explodiu de orgulho do seu voto no PT. Só não sabia que, no meio de toda a sucção revolucionária de dinheiro público, havia um engraçadinho batizando uma offshore do esquema de Drenos. Como assim? Como um companheiro do bem que ama o Nordeste, os negros e os pobres faz uma coisa dessas? Será que ele confundiu socialismo com drenagem?

Vamos acalmar o eleitor de Dilma que livrou o Brasil da direita careta que adora Miami: está tudo bem. Não vá entrar em crise de consciência agora, que tudo deu certo. Quem sabe até “Drenos” seja o nome de um deus grego que simboliza a igualdade entre os homens — uma espécie de Hugo Chávez do Olimpo. Bem, seja qual for o significado de drenagem no novo dicionário da revolução companheira, o que importa é que Dilma e Lula já anunciaram que vão trabalhar duro para “resgatar a imagem” da Petrobras. E nem será preciso trabalhar tão duro assim: com a fortuna do petrolão, dá para comprar toneladas de batom, rímel e blush. A Petrobras vai ficar linda.

Falando em maquiagem, a contabilidade criativa do governo popular precisará ser aprimorada. Com toda a perícia no embelezamento dos números, o déficit público estourou. Os companheiros estão tentando dar o seu jeito, propondo retirar a palavra “superávit” da norma de metas fiscais. É uma solução interessante, altamente progressista. Se der certo, poderá ser estendida a outras áreas — retirando, por exemplo, a palavra “corrupção” do Código Penal. Aí a elite vermelha poderá tocar a sua drenagem revolucionária em paz, sem a chateação dessa imprensa burguesa que odeia o povo.

A gasolina aumentou, a energia vai aumentar muito, o teto da meta de inflação virou piso e os juros voltaram a subir. O que pensam disso os eleitores conscientes e solidários, magnetizados pelo carisma de Dilma Rousseff? Eles não têm dúvida: isso certamente foi alguma maldade neoliberal do Armínio Fraga uns 15 anos atrás. Valha-nos, ó soberano Drenos, e livrai-nos desses conservadores desalmados, filhotes da ditadura. Esquerda unida jamais será vencida, caminhando e cantando e seguindo o cifrão.

Manifestações contra o petrolão são coisa da direita, alertam os progressistas. Dilma fará a mudança. Sendo assim, que o frete não demore, e ela não esqueça suas apostilas no palácio.

Guilherme Fiuza é jornalista

Jornal "Mídia Sem Máscara" lança versão impressa

Após 12 anos na internet, o Jornal Mídia Sem Máscara ganha sua versão impressa. O jornal fundado por Olavo de Carvalho conta com diversos colunistas em todo o Brasil e no exterior. 

Orientado por um pensamento conservador que prima pelos valores da família, da liberdade, do respeito às instituições públicas, do livre mercado, da garantia dos direitos fundamentais da pessoa humana, da liberdade de imprensa entre outros valores cristãos.

O jornal pode ser adquirido aqui. O investimento é de R$ 5,00 mais taxa de envio (até 10 exemplares a taxa do envio para todo o Brasil é de R$ 5,00).





O nada paradoxal desarmamento na Venezuela

ESCRITO POR BENE BARBOSA
Está em vigor na Venezuela um plano nacional de desarmamento, que busca incentivar a entrega voluntária de armas de fogo. Tal como aqui, as autoridades repetem o engodo de acusar o cidadão, e não o bandido, de ser a razão da criminalidade.

Todavia, o que chama a atenção é a dualidade que os altos emissários venezuelanos parecem lidar com a situação. Recentemente, a babá do filho de Elías Jaua, ministro para o Poder Popular para as Comunas e os Movimentos Sociais, foi detida tentando ingressar no Brasil portando um revólver calibre 38. O ministro, que já se encontrava no país quando pediu à babá que viesse ao seu encontro, admitiu que a maleta com documentos políticos e a arma lhe pertenciam.

A babá ficou presa por cinco dias no Brasil e foi liberta após conseguir habeas corpus. Todavia, enfrentará em liberdade processo por tráfico internacional de armas.

Jaua, reportam os veículos de comunicação, teria vindo ao Brasil para assinar acordos com o Movimento Sem Terra (MST) e treinar os militantes para uma revolução socialista. Estranhamente, a viagem não foi comunicada ao Itamaraty.

Em termos diplomáticos, a falta de aviso prévio pode ser interpretada como uma afronta à soberania nacional e contrário às boas relações entre dois países. Sendo o governo brasileiro antigo aliado do venezuelano, há quem desconfie da veracidade desta falta de comunicação uma vez que ingerência muito maior é causada pelo chamado Foro de São Paulo que desde a década de 90 assombra e ameaça a democracia na América Latina e encontra conforto e acalanto também nos braços dos governantes brasileiros.

Na realidade, não me causa nenhuma estranheza o fato de um ministro de Estado não seguir a diretriz ideológica que impera em seu país. Esse tipo de conduta não é rara nem mesmo por aqui, pois em passado recente foi noticiado que um Ministro da Justiça, especialmente empenhado no desarmamento da população, tinha duas armas registradas em seu nome e era possuidor de portes para as mesmas. Tal qual em nosso país, a conduta aparentemente contraditória de Jaua, não gerou grandes constrangimento nas autoridades da nação andina por um motivo muito simples e uma verdade insofismável: nenhum deles propõe o desarmamento do Estado, muito pelo contrário, tentam de todas as formas a manutenção do monopólio da força em suas mãos.

Para aqueles que ainda veem no desarmamento uma possibilidade no combate ao crime e à violência, cabe lembrar que a Venezuela é um dos países mais violentos do mundo – o segundo de acordo com dados da Organização das Nações Unidas. Estudo elaborado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime e baseado em dados oficiais disponíveis até 2012 registra uma taxa de homicídios de 53,7. No Brasil – realidade não tão diferente - o número é de 25,2 mortos para cada 100 mil habitantes e, de acordo com o levantamento, o país possui 11 das 30 cidades mais violentas do mundo.

Se os planos nacionais desarmamentistas estabelecidos tanto no Brasil quanto na Venezuela com o intuito de combater a criminalidade funcionam, então por que motivo há tantas mortes em ambos os países? Por que o ministro venezuelano não demonstra a eficiência deste tipo de ação e também não se desarma? Claro, são apenas perguntas retóricas que no fundo todos conhecem as respostas.


Bene Barbosa é bacharel em direito, especialista em Segurança Pública e presidente do Movimento Viva Brasil.

Quem foi Che Guevara?

ESCRITO POR ION MIHAI PACEPA | 20 NOVEMBRO 2014 
É hora de tirar a sorridente máscara de Che e revelar a sua verdadeira face.
 


no-cheHollywood se despede de 2009 com uma fraude monumental: o épico Che, de Steven Soderbergh, com quatro horas de duração, em Castelhano, transformando um assassino marxista sádico num, de acordo com o New York Times, “genuíno revolucionário durante as estações do seu martírio”. [1] A palavra “estações” faz referência a Cristo nas Estações do Calvário – a Via Crucis.  O protagonista do filme, Benicio del Toro, realmente comparou “o herói revolucionário cubano Ernesto Che Guevara” a Jesus Cristo. [2]

O Che de Soderbergh é uma ficção criada pela comunidade KGB, da qual fez parte o serviço de espionagem romeno ao qual pertenci – o DIE – numa época que me coloca diretamente na trama. O Che real foi um assassino que comandou pelotões de fuzilamento comunistas e fundou o terrível gulag cubano. Foi também um covarde que obrigou os outros a lutar até a morte pela causa comunista e que mandou para o patíbulo centenas de pessoas que se recusaram a fazê-lo, mas que se rendeu sem luta ao exército boliviano embora estivesse armado até os dentes. “Não me matem” implorou Che aos seus captores. “Valho mais vivo do que morto”. [3] O filme de Soderbergh omite este episódio – o qual demoliria o seu Che.

Eu poderia escrever um livro sobre como o terrorista Che foi transformado num ídolo esquerdista inspirador – como um belo príncipe emergindo lindamente de uma repulsiva lagarta – e pode ser que o faça algum dia. Por enquanto, aqui vai um resumo de como a KGB criou o seu Che de ficção.

Na década de 1960, a popularidade do bloco soviético estava em baixa. A brutal repressão soviética ao levante húngaro de 1956 e o seu papel na crise dos mísseis cubanos de 1962 enojaram o mundo, e cada um dos ditadores dos países satélites soviéticos tentou se safar como pôde. Khrushchev substituiu a “imutável” teoria marxista-leninista da revolução proletária mundial pela política de coexistência pacífica e fingiu ser um defensor da paz. Dubcek apostou num “socialismo com face humana” e Gomulka no lema “deixe a Polônia ser a Polônia”. Ceausescu proclamou a sua “independência” de Moscou e se retratou como um “dissidente” dentre os líderes comunistas.
Os irmãos Castro, que temiam qualquer tipo de liberalização, decidiram apenas maquiar, com uma romântica fachada revolucionária, o seu comunismo desastroso que estava matando o país de fome. Escolheram Che como garoto propaganda, já que ele havia sido executado na Bolívia – na época um aliado dos EUA – e assim podia ser retratado como um mártir do imperialismo americano.
A “Operação Che” foi lançada mundialmente pelo livro “Revolution in the Revolution” – uma cartilha para insurreição guerrilheira comunista escrito pelo terrorista francês Régis Debray – que elevou Che aos altares. Debray dedicou a sua vida a exportar a revolução estilo cubano por toda a América Latina; em 1967, entretanto, uma unidade das forças especiais bolivianas treinada pelos EUA o capturou, juntamente com todo o bando guerrilheiro de Che.
Che foi sentenciado à morte e executado por terrorismo e assassinato em massa. Debray foi sentenciado a 30 anos de prisão mas foi libertado depois de três anos devido à intervenção do filósofo francês Jean Paul Sartre, um comunista romanticamente envolvido com a KGB, que também era o ideólogo do bando terrorista Baader-Meinhof. Sartre aclamou Che Guevara como “o ser humano mais completo do nosso tempo”. [4] Em 1972, Debray retornou à França, onde trabalhou como conselheiro para a América Latina do presidente François Mitterrand, e dedicou o resto da vida a disseminar o ódio contra os Estados Unidos.
Em 1970, os irmãos Castro elevaram a santificação de Che a um novo patamar. Alberto Korda, oficial da inteligência cubana trabalhando secretamente como fotógrafo para o jornal cubano Revolución, produziu uma foto romantizada de Che. Aquele Che agora famoso, com longos cabelos ondulados e usando uma boina com estrela, olhando diretamente nos olhos de quem o vê, é o logo de propaganda do filme de Soderbergh.
É de se notar que esta foto de Che foi apresentada ao mundo por um agente da KGB trabalhando secretamente como escritor – I. Lavretsky –, num livro intitulado “Ernesto Che Guevara”, editado pela KGB. [5] A KGB chamou a foto de “Guerrillero Heroico” e a espalhou por toda a América do Sul – área de influência de Cuba. O editor milionário italiano Giangiacomo Feltrinelli, outro comunista romanticamente envolvido com a KGB, inundou o resto do mundo com a imagem de Che impressa em cartazes e camisetas. O próprio Feltrinelli virou terrorista e foi morto em 1972 enquanto plantava uma bomba nos arredores de Milão.
Ouvi o nome de Che pela primeira vez em 1959, da boca do general Aleksandr Sakharovsky, antigo chefe da inteligência soviética e conselheiro para a Romênia, que mais tarde dirigiu a “revolução” dos Castro e foi recompensado com a promoção a chefe da toda-poderosa organização de inteligência estrangeira soviética, posição que manteve por quinze anos. Ele chegou a Bucareste com o seu chefe, Nikita Khrushchev, para conferências sobre Berlim Oriental e sobre a “nossa Gayane cubana”. Gayane era o codinome geral para a operação de sovietização da Europa Oriental.
Na época, a burocracia soviética acreditava que Fidel Castro era apenas mais um aventureiro, e relutava em apoiá-lo. Mas Sakharovsky havia ficado impressionado com a devoção ao comunismo do irmão de Fidel, Raul, e do seu tenente, Ernesto Guevara, e fez deles os principais protagonistas da “nossa Gayane cubana”. Os dois foram levados a Moscou para serem doutrinados e treinados, e ganharam um conselheiro da KGB.
De volta a Sierra Maestra, Che provou ser um verdadeiro assassino sangue frio nos moldes da KGB – responsável pela morte de mais de 20 milhões de pessoas apenas na União Soviética. “Meti uma bala de calibre 32 no lado direito do seu cérebro, que vazou por toda a têmpora” escreveu Che no seu diário, descrevendo a execução de Eutimio Guerra, um “traidor da Revolução”, a quem matou em fevereiro de 1957. [6] Guerra era a sétima pessoa a quem Che matara. “Para enviar homens para o pelotão de fuzilamento não é preciso provas judiciais”, explicou. “Estes procedimentos são detalhes burgueses obsoletos. Isso aqui é uma revolução! E uma revolução deve se tornar uma fria máquina de matar movida por puro ódio.” [7]
No dia 1° de janeiro de 1959, a “Gayane cubana” venceu, e a KGB encarregou Che de limpar Cuba dos “anti-revolucionários”.  Milhares de pessoas foram enviadas para “el paredón”. Javier Arzuaga, capelão da prisão Al Cabaña no início de 1959, escreveu em seu livro “Cuba 1959: La Galeria de la Muerte” ter testemunhado “o criminoso Che” ordenando a execução de cerca de duzentos cubanos inocentes. “Argumentei diversas vezes com Che a favor dos prisioneiros. Lembro-me especialmente de Ariel Lima, um garoto de apenas 16 anos. Che estava obstinado. Fiquei tão traumatizado que em maio de 1959 recebi ordens para deixar a paróquia Casa Blanca, onde ficava La Cabaña … Fui para o México receber tratamento.” [8]
De acordo com Arzuaga, as últimas palavras de Che para ele foram: “Quando tirarmos nossas máscaras, seremos inimigos”. [9] É hora de tirar a sorridente máscara de Che e revelar a sua verdadeira face. O Memorial Cubano no Parque Tamiami, em Miami, contém centenas de cruzes, cada uma com o nome de uma pessoa identificada, vítima do terror comunista de Raul e Che. [10]
Também é tempo de interromper a mentira de trinta anos, reforçada pelo filme de Soderbergh, de que os irmãos Castro e o seu carrasco Che eram nacionalistas independentes. Em 1972, eu estava presente a um discurso de seis horas no qual Fidel pregou a mesma mentira. No dia seguinte, fui a uma pescaria com Raul. Havia outro convidado no barco, um soviético que se apresentou como Nikolay Sergeyevich. O meu colega cubano, Sergio del Valle, sussurrou no meu ouvido “Aquele é o coronel Leonov”. Anteriormente, ele já havia explicado para mim que Leonov era conselheiro da KGB para Raul e Che nas décadas de 1950 e 1960. Lá, naquele barco, para mim ficou claro como nunca que a KGB estava nas rédas da carruagem revolucionária dos Castro. Dez anos mais tarde, Nikolay Leonov foi recompensado por seu trabalho de manipulação de Raul e Che com a promoção a general e representante chefe de toda a KGB.
Na década de 1970, a KGB era um estado dentro do estado. Hoje, a KGB, renomeada de FSB, é o estado na Rússia, e o Che de Soderbergh é o maná dos céus para os representanes dela na América Latina. Meses atrás, duas marionetes do Kremlin – Hugo Chávez e Evo Morales – expulsaram, no mesmo dia, os embaixadores americanos de seus países. Milhares de pessoas carregando o retrato do Che de Soderbergh tomaram as ruas pedindo a proteção militar russa. Navios de guerra russos estão de volta a Cuba – e, mais recentemente, chegaram à Venezuela – pela primeira vez desde a crise dos mísseis cubanos.
“A fraude trabalha como cocaína” costumava dizer para mim Yury Andropov, o pai da contemporânea era russa da fraude, quando ele era chefe da KGB. Em seguida, explicava: “Se você cheirar uma ou duas vezes, não mudará a sua vida. Mas, se você usá-la dia após dia, ela fará de você um viciado, um homem diferente”. Mao tinha a sua própria frase: “Uma mentira repetida centenas de vezes vira verdade”. O filme de Soderbergh sobre Che prova que ambos estavam certos.
Notas:
[1] A. O. Scott, “Saluting the Rebel Underneath the T-Shirt,” The New York Times, December 12, 2008.
[2] Guillermo I. Martínez, “Guevara biopic belies his ruthlessness,” The Sun Sentinel, January 1, 2009, p. 13A.
[3] Idem.
[4] Idem.
[5] I. Lavretsky, “Ernesto Che Guevara, “Progress Publishers, 1976, ASIN B000B9V7AW, p. 5. Initially published in Russian in 1973.
[6] Matthew Campbell, “Behind Che Guevara mask, the cold executioner,”The Sunday Times, September 16, 2007.
[7] Mark Goldblath, “Revenge of Che: no amount of Hollywood puferry will change the fact that commies aen’t cool,” The Wall Street Journal, December 19, 2008.
[8] “The Infamous Firing Squads,” p. 1, as published in http://therealcuba.com/page5.htm.
[9] Idem.
[10] Ibidem.

O general Ion Mihai Pacepa é o oficial soviético de mais alta patente que recebeu asilo político nos Estados Unidos. No Natal de 1989, Ceausescu e a sua esposa foram executados após um julgamento no qual as acusações eram, quase palavra por palavra, extraídas do seu livro “Red Horizons”, subsequentemente traduzido para 27 idiomas.
Publicado no FrontPageMagazine.com em 23 de janeiro de 2009.
Tradução: Ricardo Hashimoto, editor do blog Letters To Hungary.

O falso mea culpa das FARC

ESCRITO POR EDUARDO MACKENZIE | 20 NOVEMBRO 2014 

As FARC não reconheceram de maneira clara e sincera que são os responsáveis pela mais vasta atividade criminosa que a Colômbia conheceu em toda sua história. O que fizeram ontem em Havana está longe de ser um mea culpa convincente e crível. O que o chefe guerrilheiro “Pablo Atrato” declarou em Cuba, no sentido de que as “ações” das FARC durante o “conflito armado” afetam a população civil, porém que ela “não foi o alvo principal nem secundário para eles”, não é senão uma maneira habilidosa de tratar de lavar as atrocidades cometidas por elas contra a força pública, como se ultimar, ferir e mutilar militares e policiais não fosse um crime espantoso. 

Ao mesmo tempo em que “Pablo Atrato” dizia isso, outro porta-voz das FARC, um tal “Matías Aldecoa”, exigia em Havana que “os Estados Unidos e outras potências estrangeiras” reconheçam sua “responsabilidade central” no chamado conflito colombiano. O terrorista que lançava esse discursos inflamado, não disse se entre as “outras potências estrangeiras” ele incluía a desaparecida Rússia de Stalin, ditadura totalitária de onde partiram efetivamente as ordens, o dinheiro, o treinamento e o apoio político para criar um aparato político-militar devastador que pudesse se apoderar da Colômbia, em plena guerra fria, para reforçar o comunismo soviético.
A intenção das FARC é acusar ao que elas chamam os “diferentes atores do conflito” de ter uma “responsabilidade múltipla e sistêmica”, isto é, “os partidos políticos dominantes, empresas transnacionais, meios de comunicação e potências estrangeiras como Estados Unidos”. Quer dizer, toda a Colômbia e seus aliados são culpados de vitimizar as FARC.
Esse bando continua sendo artista nisso de acusar todo o mundo, para que em meio de um mar de culpas fabricadas, a responsabilidade dela, a dívida de seus 50 anos de crimes continuados de guerra e de lesa-humanidade, fique diluída entre as supostas culpas dos outros e chegue a se converter em um fenômeno trivial e até invisível.
A Colômbia não pode aceitar reconhecimentos mentirosos, ambíguos, desviantes ou “incipientes”, como disse a representante liberal Clara Rojas, que lembrou com muita razão que as FARC, somente ante o tema dos seqüestros tem muito que explicar, pois “foram afetadas ao menos mais de 40 mil pessoas das quais se estima que 67% é responsabilidade das FARC”.
Dizer que a população civil “não tem sido alvo principal nem secundário” das FARC é mentir cinicamente. Pior: é dar mais uma mostra do mal que corrói a mente dos chefes desse bando: seu rechaço neurótico da realidade. Desde o começo das FARC, antes inclusive que Tirofijo tomasse o comando dessa organização, os indígenas, camponeses e fazendeiros foram o setor preferido delas por ser o mais vulnerável e do qual mais dividendos podiam tirar. Os primeiros seqüestros das FARC foram de civis (lembrar os seqüestros e assassinatos em 1965 de Harold Eder e Oliverio Lara Borrero). Por que ignorar os assassinatos de civis entre 1958 e 1960 durante a violenta implantação da “república independente” de Sumapaz? As brutalidades das FARC contra os civis continuam até hoje.
A grande mentira lançada em Havana não tem como destinatário os colombianos, pois eles sabem muito bem o que vale a palavra das FARC, senão as autoridades européias que o presidente Santos vai contactar na próxima semana durante seu novo giro. Santos vai sugerir aos governos desses países que peçam desculpas às FARC por ter ajudado a Colômbia na luta anti-terrorista? Nada deve nos surpreender agora.
O requisito do reconhecimento de seus crimes não se enche com uma frase equívoca e muito menos se tal passo não vai acompanhado de um reconhecimento claro das vítimas e do princípio de que elas devem ser ressarcidas à altura dos danos sofridos. O que as FARC fizeram até agora não é isso. Elas zombam das vítimas e até tratam de manipular algumas delas. A outras acusam-nas de ser “verdugos”. Até se atrevem a negar o caráter de vítimas a pessoas que seqüestraram durante muitos anos, como Clara Rojas e o general (r) Luis Mendieta. As FARC são coerentes no mal. Sua adição pela violência e sua negação do outro, do ser humano, os impede de avançar para a vida. E para o dever de pensar.

Tradução: Graça Salgueiro

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Querem transformar o Brasil em uma "grande" Cuba, agora vejam só...

No dia 13/11 os chefes da CUT, do PT e outras organizações da esquerda raivosa, conduziram um punhado de pessoas humildes, que sofreram lavagem cerebral, para um protesto no MASP em SP. Lá distribuíram um panfleto no mínimo trágico. 

Ora, qual a Cuba a que eles se referem? A Cuba dos sonhos dos Castros, aquela apresentada aos turistas ou a Cuba dos cubanos? 
A ditadura dos Castros tem mais de 56 anos, vejamos como se encontra cuba hoje, através de fotos e vídeos feitos por lá.








Conheça a Cuba dos cubanos:



Precisa de mais alguma explicação?

Censura e desinformação

Por Olavo de Carvalho

Quantas reportagens o prezado leitor leu na imprensa ou viu na TV, ao longo dos últimos vinte anos, sobre esquerdistas mortos pelos governos militares? Quantas sobre os homicídios cometidos pelas organizações de esquerda? Quantas sobre a revolução comunista já em plena realização em março de 1964, que uma reação oportuna fez abortar?
Basta o leitor responder a essas perguntas com dados exatos, e terá uma idéia do que é bloqueio de informações. Sim, o controle que a esquerda exerce sobre os meios de comunicação no Brasil já não pode ser chamado de “patrulhamento”, porque patrulhar é vigiar homens livres. Os poucos liberais e conservadores que ainda restam na nossa imprensa são prisioneiros. Não estão sob a vigilância de “patrulhas”. Estão sob a guarda de carcereiros. Ainda podem se mover, mas seu espaço é controlado para não ultrapassar uma área mínima, calculada na medida justa para dar uma impressão de democracia. E devem se restringir a áreas seletas, especialmente à seção editorial e aos comentários econômicos, só lidos por uma elite. O noticiário, que atinge a massa dos leitores, é zona proibida. A seleção é extremamente inteligente: os direitistas podem ter “opiniões”; a seleção dos “fatos” fica com a esquerda.
Tão completo e inquestionado é o domínio que ela aí exerce, que, com a maior desenvoltura, pode passar da seleção à invenção sem sentir o menor escrúpulo de consciência ou o menor temor de ser desmascarada.
Outro dia, ouvi, num programa de TV que se dava ares de reconstituição histórica, a informação de que no governo militar a censura mudou para mais tarde o horário da novela "Sangue do meu Sangue" porque ela tratava da luta abolicionista.
Isso dito assim, na lata, com uma prodigiosa cara de pau.
Mas a sucessão de lendas macabras que faz as vezes de "História" daquele período é tão caudalosa, a expressão de seriedade com que renomados professores repetem essas fábulas é tão convincente, e sobretudo o silêncio daqueles que conhecem os fatos é tão geral e profundo, que é bem possível que a população, reduzida à mais inerme sonsice por esse massacre midiático, chegue mesmo a acreditar que os militares de 1964, além de assassinos, sádicos, torturadores, ladrões e vendidos ao imperialismo, eram também escravagistas.
Diariamente, dez ou vinte mensagens desse tipo são enxertadas na programação de vários canais. "Enxertadas" é a palavra. São sempre frases breves, com aparência de casuais, inseridas no curso de alguma fala sobre assunto diverso, de modo a captar não a atenção do espectador, mas, precisamente, a sua desatenção. Não visam a produzir a aquisição consciente de uma informação, mas a absorção inconsciente de um hábito. Não se incorporam ao acervo de conhecimentos do espectador, mas à programação de suas reações impensadas, que, por isto mesmo, ele acaba sentindo como as mais livres e espontâneas.
Não menos perversa do que a ocultação completa ou do que a insinuação velada é a pseudo-divulgação, que noticia um fato de modo a propositadamente evitar que chame a atenção. Esta notícia, por exemplo, que normalmente deveria suscitar debates e novas investigações, saiu num canto de página, como que para encerrar o assunto:
Cuba treinou 202 brasileiros, diz Exército
Mário Magalhães
Folha de S. Paulo, domingo, 11 de junho de 2000
O governo de Cuba promoveu, de 1965 a 1971, treinamento de guerrilha para no mínimo 202 militantes de esquerda brasileiros.
Eles fizeram cursos -- de três meses a um ano de duração -- de guerrilha rural e urbana, fotografia, imprensa, enfermagem, inteligência, instruções revolucionárias e explosivos.
Num programa padrão de seis meses, eram dadas aulas de fabricação de bombas caseiras, uso de armas, sabotagem, camuflagem e outras técnicas de ações clandestinas na cidade e no campo.
Ao voltar, os brasileiros recebiam um kit dos cubanos com US$ 1.000, roupas e orientações para contatar companheiros no Brasil. Havia dez instrutores militares principais.
As informações constam do álbum "Cursos realizados em Cuba", documento confidencial distribuído para órgãos de repressão política em 21 de novembro de 1972 pelo Comando do 1º Exército. O álbum, com 107 páginas, foi encontrado pela Folha no Arquivo Público do Estado do Rio.
As fontes aparentes são depoimentos de guerrilheiros depois presos no Brasil -- não é citada a tortura, então disseminada -- e agentes infiltrados que cursaram a "escola" cubana.
De acordo com o Exército, outros 43 brasileiros podem ter recebido, no período 1965-71, formação militar do governo comunista de Fidel Castro.
O objetivo era prepará-los para a luta armada contra o regime militar brasileiro (1964-85). Não deu certo.
Da lista elaborada pelo Exército, há pelo menos três militantes que hoje são parlamentares: os deputados federais José Dirceu (PT-SP) e Fernando Gabeira (PV-RJ) e o deputado estadual do Rio Carlos Minc (PT).
Dirceu integrou o Molipo (Movimento de Libertação Popular). Gabeira, o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro). Minc, a Var-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária -- Palmares) e a VPR.
Atualmente, os três são tidos como "moderados" pela esquerda mais radical.
Assim um jornal resguarda sua imagem de imparcialidade, ao mesmo tempo que contribui decisivamente para que só a voz de um dos lados seja ouvida. Por que a "Operação Condor", tão logo desentranhada dos arquivos, desperta um escândalo nacional, e logo depois a notícia da interferência cubana que a provocou é publicada discretamente, sem comentários e sem o menor eco nos programas de TV, nos meios intelectuais, no próprio governo? A resposta é simples: após quarenta anos seguidos de "trabalho de base" nas redações, sem encontrar a menor resistência, os comunistas conseguiram impor seus critérios ideológicos como se fossem a única norma existente, a única norma possível do bom jornalismo. Hoje em dia, milhares de jornalistas que de comunistas não têm nada subscreveriam a seguinte declaração: "A missão da imprensa é minar, pela crítica, as instituições vigentes" - sem saber que a frase é de Karl Marx e que ela não é uma receita para fazer jornalismo e sim para fazer uma revolução comunista.
A característica mais notável do atual jornalismo brasileiro é a troca progressiva da informação pela desinformação sistemática.
O termo desinformação surgiu pela primeira vez em língua russa: desinformátsia. É termo técnico concebido pelo Comintern — o comando do movimento comunista internacional — para designar o uso sistemático de informações falsas como instrumento de desestabilização de regimes políticos.
O objetivo central da desinformação é produzir o completo descrédito das instituições, induzindo a opinião pública a transferir aos agentes da desinformação a confiança que normalmente depositaria no Estado, nas leis e nos costumes tradicionais. O processo é bem conhecido e já foi descrito em muitos livros, por exemplo o clássico de Roger Mucchielli, La Subversion (Paris, Bordas, 1971) e o Tratado de Desinformação de Vladimir Volkoff (publicado originalmente em francês pelas Éditions du Rocher, mas do qual só tenho em mãos a tradução romena, Tratat de Dezinformare. De la Calul Troian la Internet, tr. Mihnea Columbeanu, Bucuresti, Antet, s/d).
O Petit Robert define desinformação como “o uso de técnicas de informação, notadamente de informação de massa, para induzir em erro, ocultar ou travestir os fatos”. Desinformar, segundo o mesmo dicionário, é “informar de maneira a ocultar determinados fatos ou a falsificá-los”. Mas a palavra não apareceu em línguas ocidentais antes de 1972, quando o Chambers Twentieth Century Dictionary, publicado em Londres, traduziu desinformátsia como “deliberate leakage of misleading information”.
A desinformátsia não apareceu de repente, mas teve antecedentes milenares — Sun-Tsu já dizia: “Todo esforço de guerra baseia-se no engodo”. As diferenças específicas que a tornam um fenômeno peculiar do século XX são as seguintes:
1. Ela é usada não somente como instrumento de guerra entre Estados, mas sobretudo por forças revolucionárias que agem dentro de seus próprios países, seja por iniciativa própria, seja a serviço de outros Estados.
2. Para muitos Estados modernos — bem como para os poderes internacionais que hoje nos impõem uma “Nova Ordem Mundial” — fomentar revoluções nos outros países tornou-se um modus operandi normal e predominante, mesmo em tempo de paz. A moda começa com a casa real francesa, que ajuda a Revolução Americana para prejudicar a Inglaterra, sem imaginar que com isto atraía a maldição sobre si mesma. A Inglaterra aprende a lição e ao longo do século XIX fomenta revoluções nas colônias americanas para destruir seus concorrentes ibéricos. Os EUA atiçam revoluções no México para se apropriar do Texas e da Califórnia. Até aí, porém, o uso desse instrumento era esporádico. A Revolução Russa assinala o surgimento do primeiro Estado voltado essencialmente a fomentar revoluções no resto do mundo: cada “guerra de libertação” resulta na expansão colonial da URSS. A Alemanha nazista copia esse procedimento durante algum tempo, sem muito sucesso. Com a queda da URSS, a China e Cuba tornam-se os derradeiros fomentadores de revoluções comunistas, ao mesmo tempo que a disseminação de revoluções — com o nome atenuado para “movimentos sociais” — é adotada pelos grandes organismos internacionais como um dos procedimentos básicos para expandir e consolidar seu poder sobre as nações do Terceiro Mundo.
3. De elemento auxiliar dos meios de ataque físicos, a informação tornou-se o campo e instrumento predominante da atividade guerreira.
Tudo isso veio a tornar a desinformátsia uma arma de uso generalizado e permanente, principalmente depois que, pela primeira vez na história dos imperialismos, a expansão da URSS se fez muito mais pelo artifício de fomentar revoluções do que pelo envio de tropas, de modo que praticamente cada “guerra de libertação” ocorrida no século XX terminou com a instauração de mais um satélite soviético.
Não obstante, a liberdade de imprensa assegurou que, nas democracias ocidentais, uma grande parte dos meios de comunicação conservasse sua independência, seja dos governos de seus próprios países, seja de forças internacionais interessadas em utilizá-los para seus objetivos. Assim, uma diferença radical entre o jornalismo profissional de informação e o jornalismo de desinformátsia e combate permanece ainda bem visível, em linhas gerais, na maioria dos grandes jornais dos EUA e da Europa.
O que singulariza o caso brasileiro é a total supressão dessa diferença e a adoção maciça da desinformátsia em lugar dos procedimentos válidos do jornalismo. Tão geral e avassaladora foi essa transformação, que hoje a maior parte dos jornalistas já não tem mais a menor idéia do que seja o jornalismo normal e, ao praticar descaradamente a desinformátsia, acredita estar fazendo o único e melhor jornalismo possível. Apenas uma elite dirigente tem plena consciência de que não está informando o público, mas manipulando-o para utilizá-lo numa operação de guerra. Nas redações, a maioria dos profissionais não tem sequer uma consciência teórica dessa distinção.
Por isso, mais do que nunca, só logram acesso à informação correta os cidadãos que tenham a iniciativa de buscá-la pessoalmente nas fontes, hoje tornadas mais acessíveis pela internet. Existirá censura mais pérfida do que aquela que consegue vetar a divulgação da sua própria existência? Existe. É aquela que continua a fazê-lo quando as notícias vetadas já passaram à História. É aquela que bloqueia não apenas o acesso ao presente, mas ao passado. Mas a proibição do passado é, por seu lado, a mais importante notícia – ela também vetada – sobre a vida presente. Por isso o site de Ternuma, ao revelar o passado proibido, ilumina mais ainda o presente.

Esse e outros textos do Prof. Olavo de Carvalho estão disponíveis no site (clique aqui).

Uma aula de civismo e de cidadania


Foi também a aclamação pública e popular do maior filósofo brasileiro, do escritor verdadeiramente influente, que fala do que é relevante, com coragem e honestidade intelectual.

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Foi uma aula de civismo e cidadania, quando mais de 30 mil pessoas tomaram a avenida Paulista, na 2ª manifestação pró-impeachment de Dilma Rousseff. Houve manifestações também em Brasília, Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras. O ato público de São Paulo começou às 14 horas em frente ao MASP, quando já se reuniam pessoas de todas as idades, muitos com as caras pintadas de verde e amarelo, com cartazes, faixas e bandeiras mostrando indignação e esperança “por um Brasil decente”, como dizia uma das placas.
As reivindicações da manifestação foram expressas no “Manifesto pela Democracia”, acordado no hangout com o cantor Lobão e o Prof. Olavo de Carvalho e publicado no “Mídia Sem Máscara”, também na versão impressa, lançada oficialmente no ato público.
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Edson Camargo, ao lado de Alex Pereira, anuncia o lançamento do Mídia Sem Máscara em versão impressa.
O editor Edson Camargo e o pessoal da Rádio VOX, Alex Pereira e Dante Mantovani distribuíram o jornal de cima do caminhão de som, enquanto as pessoas pediam mais, e passavam, de mão em mão, todos com avidez por lerem a histórica edição, naquele dia de novo ânimo e viva esperança de uma página nova na nossa história, em que enfim, tudo o que o Prof. Olavo de Carvalho, há anos veio denunciando sobre as relações do PT com as Farc e o Foro de São Paulo, do projeto de poder totalitário do Foro, de querer transformar a América Latina numa grande Cuba, etc, agora estava na boca do povo e nas ruas.
Paulo Eduardo Martins, Dante Mantovani, Hermes Rodrigues Nery e Alex Pereira.
Se eles querem reconquistar na América Latina o que perderam no Leste Europeu, a resposta deste 15 de novembro foi “não”. Eles não vão fazer do Brasil a grande Cuba que querem. Foi o que já havíamos expresso no Manifesto pela Democracia, ao dizer o que queremos: “investigações cabais e a punição dos envolvidos nos casos de corrupção na Petrobrás; auditoria das urnas eletrônicas, especialmente do envolvimento da empresa Smartmatic com o TSE; rechaçamos a interferência do Estado para censurar a mídia, em especial a internet; queremos o fim da propaganda ideológica marxista nas escolas; e exigimos, ainda, que o Congresso Nacional investigue a atuação do Foro de São Paulo no Brasil e a participação criminosa da grande mídia no acobertamento dessa megaconjuração continental que tem o claro objetivo de espalhar por toda parte ditaduras nos moldes de Cuba.”

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Esta foi a pauta de reivindicações estampadas nas inúmeras faixas e cartazes, espalhadas no mar de gente que tomou conta da avenida Paulista, na tarde daquele sábado: “Por um Brasil decente”, “Fora Dilma”, Fora PT”, “Dilma, desça do palanque de mentiras”, “Investigação, Apuração, Condenação, Cassação”, “Vamos salvar o Brasil dos Petralhas”, Investigação PeTrolão”, “Imprensa Controlada, Ditadura Instalada”, Fora, Foro de São Paulo”, “Lava Jato, Faxina Neles, Já!”, “Dilma valente, sacou o fuzil e assassinou o Brasil – Aos fora-da-lei, Lula e Dilma, Justiça! Abaixo a ditadura vermelha!”, “Whe want the whole, Workers Party, in Jail!!!”, “Dilma Sabia Petrobrás”, “Dilma sabia do Petrolão”, “Fraudes nas eleições, auditoria!”, “My flag is not red!”, “Não apoio ditaduras, o PT apoia! Fora Foro de São Paulo. E aí Folha? Somos cerca de mil?”, “Que o amor de Deus seja maior que o veneno da mentira, que nos divide e oprime. Somos todos irmãos!”, “Você sabe o que é o Foro de São Paulo? Pois deveria. É a implantação do comunismo no Brasil”, “Nossa bandeira jamais será vermelha”, “Olavo tem razão. Fora PT”, “Dilma $abia”, “Lula pai do mensalão, Dilma mãe do petrolão”, “Mais cidadania, menos Estado”, “Foro de SP é a ditadura comunista do PT”, “TSE/STF Aparelhados”, “Viva a liberdade e a democracia. Fora comunismo”.

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E muito mais se via nas faixas e cartazes:
“Oi Dilmão, que papelão, hein? No seu desgoverno, só dá ladrão... pô!”, “Não vamos deixar o PT acabar com o Brasil”, “Impeachment”, “Fora Foro”, PT = perda total”, “Xô inflação, Xô Petrolão, Xô Dilma, e leve o PT com você”, “Fora PT ladrão”, “Brasil verde e amarelo, sem foice nem martelo”, “Menos Marx, mais Mises”, “O maior inimigo do Brasil é o Foro de São Paulo”, “Ficou em casa? O PT agradece”, “Chega de corrupção”, “Mensalão, Petrolão, Dilma Ladra, Lula ladrão”, “Urnas corruptas! Não acreditamos mais em nenhum órgão deste governo, onde tem militantes petistas”, “Lula na Papuda”, “Fora Dilma, Fora PT, Fora Cuba”, “Foro de São Paulo é traição a Pátria”, “Brasil basta de Dilmentiras e Luladrões”, “PT – Partido autoritário com pretensões totalitárias”, “Petrolão mega corrupção”, “Não ao Foro de São Paulo”, “Controle da Mídia Não”, “Liberdade econômica”, “Em defesa das leis e do Estado de Direito”, “2018 não! Dilma tem que sair agora. Impeachment Já”, “Impeachment Já”, entre tantas outras.
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“Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil!”O “Fora Dilma” e o “Fora PT” também expresso no “Fora Foro” veio expressar não apenas a insatisfação, mas a disposição do povo em afirmar o “não” estrondoso a tudo isso. E se o povo gritava “Lula cachaceiro, devolve o meu dinheiro”, é por que, a voz do prof. Olavo não era mais a voz de um João Batista a clamar no deserto. Conseguira fazer-se ouvir pelo povo, que ergueu vários cartazes, com os dizeres: “Olavo tem razão!” Foi também a aclamação pública e popular do maior filósofo brasileiro, do escritor verdadeiramente influente, que fala do que é relevante, e com coragem e honestidade intelectual, numa linguagem que o povo entende, de modo direto, a verdade dita, doa a quem doer, dando nomes aos bois.  E o povo brasileiro foi às ruas bradar um não retumbante ao Foro de São Paulo, como explica Prof. Olavo de Carvalho, esta entidade que “se imiscui ativamente na política interna de várias nações-latino-americanas, tomando decisões e determinando o rumo dos acontecimentos, à margem de toda fiscalização de governos, parlamentos, justiça e opinião pública”. Agora, a denúncia feita primeiro por Graça Wagner, que pagou caro por isso, e depois levada adiante por Olavo de Carvalho, com determinação e amor à verdade, por anos a fio, hoje é proclamada  nas ruas, com o sentimento geral de desaprovação a este grande atentado à soberania nacional, à ingerência do Foro de São Paulo nos destino dos País, com a cumplicidade da imprensa, de setores da sociedade, até mesmo de parte da Igreja, num ultraje como nunca antes na história da Pátria brasileira.
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Durante todo o trajeto, do MASP, pela avenida Paulista, na descida da av. Brigadeiro Luiz Antônio e subida até a Sé, o que se viu foi um show de democracia, de civilidade, pessoas de bem resgatando a autoestima. Um dos rapazes do Movimento Brasil Livre exclamou: “Vê-se aqui uma aula de civismo e cidadania!” É certo que haverá muito trabalho e muita luta até as reivindicações do Manifesto pela Democracia serem alcançadas. Mas, quando chegamos à Catedral da Sé, e de cima do caminhão de som, experimentamos uma viva emoção ao ver a escadaria da catedral da Sé lotada, também com cartazes, dentre eles, destacando o desejo de todos “por um Brasil decente”. E então, Paulo Eduardo Martins fez um pronunciamento  vigoroso, com palavras precisas, substantivos e adjetivos adequados. Foi realmente um momento cívico inesquecível. Ainda enquanto falava, badalaram os sinos da Catedral anunciando as 18 horas. E logo em seguida todos encerraram com o Hino Nacional. Naquele instante, ficou vívida a expressão estampada no rosto dos manifestantes, da confiança e da confirmação do que diz o verso do nosso “Hino da Independência”: “Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil!”


Hermes Rodrigues Nery é coordenador do Movimento Legislação e Vida, um dos organizadores da 2ª manifestação pró-impeachment em São Paulo.
E-mail:  hrneryprovida@gmail.com

domingo, 16 de novembro de 2014

PROTESTOS - Legítimos e democráticos

PROTESTO – O Brasil não aceita mais ser um país de pessoas honradas molestadas por ladrões. Golpistas da Petrobras e de outras estatais na cadeia!!! Ou: “Fora, petralhas!”


A esmagadora maioria tomou a rua em nome de boas causas, como o repúdio ao controle da mídia  
 
Dez mil pessoas pelo menos — segundo estima a Polícia Militar — participaram de um ato de protesto contra os desmandos do governo Dilma, que teve como epicentro a Paulista, em frente ao Masp, e se espalhou depois pela avenida. Para quem viu a coisa a muitos andares do solo, o cálculo parece modesto. Os organizadores falam em 50 mil, e, nesse caso, certamente há exagero. Quem sabe a média… Mas isso, já escrevi aqui ontem, importa menos: o protesto seria legítimo ainda que houvesse 10 pessoas. Mas havia, no mínimo, 10 mil. Assim, prova-se que o senhor Guilherme Boulos, o chefão da esquerda barra-pesada, estava errado. Os que cobram um governo decente, o que parece ofender o rapaz, são bem mais do que meia dúzia. E também podem ocupar as ruas. E, como se sabe, ninguém estava na Paulista para responder a uma lista de chamada do MTST, sob o risco de punição.
A esmagadora maioria das palavras de ordem se inscreve absolutamente dentro do leque democrático. E nem poderia ser diferente. Quem está saindo às ruas para protestar é gente decente e ordeira, que respeita as regras do jogo democrático, que acata os fundamentos do Estado de direito, que se subordina aos primados de uma sociedade plural. Golpistas, como sabemos, são os ladrões que se apoderaram da Petrobras em nome de um projeto de poder. Uns bobalhões pediram intervenção militar (ler post anterior)? Pediram, sim! E foram repudiados pela maioria, tanto é que sua caravana de ideias mambembes teve de marchar sozinha.
A imprensa, como destacou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) — presente ao ato como cidadão, sem subir em carro de som —, dá a essas pessoas um peso que não têm. E o faz por viés ideológico. Parece ofender a sensibilidade de certo jornalismo que alguém possa ocupar as ruas portando a bandeira do Brasil e cartazes com as cores pátrias. Parece que protesto sem bandeiras vermelhas já nasce ilegítimo.

“Fora, Petralhas” já é um clássico nos protestos dos defensores da democracia. Sinto orgulho!

"Fora, Petralhas" já é um clássico nos protestos dos defensores da democracia. Sinto orgulho! (Arquivo Pessoal)Petralhas
A palavra “petralhas” já é um clássico nos protestos contra o PT e contra as esquerdas. É claro que isso se explica, não é? Criei o vocábulo, que foi parar em dicionário, e a história me dá razão. Chamei “petralhas”, desde o primeiro momento, os petistas que justificavam o roubo de dinheiro público em nome de um projeto de poder, como se avançar contra o erário em nome de uma suposta causa fosse moralmente superior a roubar para enriquecer. Não é! Eu diria que é até pior porque mais cínico.
Desde o início, já lá se vão 12 anos (!!!), alertei que nem todo petista é petralha, mas só petistas são petralhas. Há pessoas que levam a sério a, digamos, metafísica partidária e não se contentam com o rumo que as coisas tomaram? Há, sim! Mas não têm nem voz nem vez no partido. E por que continuam? Não sou especialista em comportamento humano nem me aventuro a especular sobre motivações subjetivas.
Há gente que se torna dependente de uma causa e que não consegue pensar fora de um enquadramento coletivo. Lamento muito por elas porque acho isso triste. Vejo muitos jovens capazes — rapazes e moças — abduzidos por seitas. Estou certo de que isso atende a alguma causa que é de fundo psíquico. Quando tomo conhecimento de que até o Estado Islâmico abriga hoje mais de dois mil ocidentais, oriundos, na maioria das vezes, de países ricos da Europa, eu me dou conta do poder que têm os vigaristas de vampirizar os sonhos de justiça dos jovens. Mas não vou me perder nisso agora.
Justiça
Os que foram às ruas cobram justiça e punição para os ladrões que assaltam a República. Os desmandos e o cinismo tomaram tal proporção que é preciso dizer um “Basta!”. Nos dias que correm, um protesto que reúne 10 mil pessoas é, sim, muito bem-sucedido. E, reitero, à diferença da patuscada armada pelo MTST e pela CUT na quinta-feira, ali não havia relações de subordinação e de chefia. Eram pessoas que se juntavam espontaneamente, obedecendo apenas ao comando da própria vontade. Um dos cartazes me parece especialmente bom, exibido por um garoto. Este:

Eis aí uma boa palavra de ordem: um partido não é a sociedade (Marcelo Gonçalves/FolhaPress)

Eis aí uma boa palavra de ordem: um partido não é a sociedade (Marcelo Gonçalves/FolhaPress)É isto: “Mais Brasil, menos PT”. A sociedade está começando a se cansar de ver um partido tomar o seu lugar. O que é a roubalheira na Petrobras senão a consequência de uma ação política que substituiu os interesses da empresa, do Brasil e de seus acionistas — a esmagadora maioria formada de trabalhadores — pelos interesses de uma legenda e de seus sócios no poder? É crescente o número de pessoas que não aceita mais trocar a eficiência e a dignidade pelas migalhas que o petismo se orgulha de distribuir para 50 milhões de miseráveis — sim, MISERÁVEIS — que dependem do Bolsa Família para, ao menos, comer. O país quer, sim, que o programa de assistência aos muito pobres se transforme numa política de Estado, não na suposta benesse de um partido.
Chega da mentira escandalosa de que, para distribuir alguma renda — bem pouca! —, é preciso conviver com os assaltantes do poder. Não é, não! Desde 2002, os petistas vinham com a ladainha falsa de que seus adversários queriam privatizar a Petrobras, o que sempre foi mentira. Eis aí: quem mesmo tratou a Petrobras como se fosse o quintal de um lupanar?

Manifestante pede impeachment de Dilma. Não há nada de errado nisso desde que haja as provas

Manifestante pede impeachment de Dilma. Não há nada de errado nisso desde que haja as provasImpeachment de Dilma

Os falsos democratas fingem se assustar com a palavra de ordem “impeachment de Dilma”, como se fosse expressão de um golpismo. É mesmo? Então quero ver a tese desenvolvida. Golpismo por quê? Já escrevi aqui muitas vezes e reitero no ponto: IMPEACHMENT, SIM, SE FICAR PROVADO QUE ELA SABIA DA ROUBALHEIRA EM CURSO NA PETROBRAS. Mas, para que se chegue lá, é preciso que se investigue, que se colham as provas e que se proceda ao devido processo legal. É certamente esse o pressuposto do que pedem a saída de Dilma.
Quando se fala e se escreve a palavra “impeachment”, está-se falando de um procedimento legal, previsto na ordem democrática brasileira e que integra o conjunto de possibilidades de um Estado de Direito. A lei que permite a deposição de um chefe de Estado por crime de responsabilidade, a 1.079, não é nova; é de 1950, a mesma que afastou Collor do poder quando a Câmara aceitou a denúncia.
Se ficar provado que a presidente Dilma Rousseff sabia de tudo — ou, ao menos, de parte da lambança —, ela terá de deixar o poder porque lhe faltará autoridade para governar o país. “E se isso acontecer?” O vice assume, ora! Não é inédito nem segredo para nós. E se a denúncia tragar também o vice? Aí o presidente da Câmara assume interinamente e se marcam novas eleições — se o duplo impedimento ocorrer nos dois primeiros nos —, ou o Congresso indica o novo chefe do Executivo na hipótese de ocorrer no biênio final. Em qualquer hipótese, esse mandato termina no dia 31 de dezembro de 2018; em outubro desse ano, haverá eleições presidenciais, com ou sem impeachment.
É isso mesmo: notem que dou tratamento meramente burocrático a essa possibilidade porque, afinal, o Estado de Direito prescreve as saídas para o impedimento presidencial. Impeachment sem provas? Aí, obviamente, não!
Na manifestação deste sábado na Paulista, em São Paulo, houve caravanas de pessoas de outras cidades e até de outros Estados. O Brasil não quer ser mais um país de pessoas honradas submetidas à vontade de ladrões.
Golpistas na cadeia!

Fotos - Arquivo pessoal de Reinaldo Azevedo
Por Reinaldo Azevedo

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