domingo, 21 de dezembro de 2014

Hangout: Olavo de Carvalho, Lobão, Marcello Reis e Beatriz Kicis


Olavo de Carvalho: "a intelectualidade esquerdista na Europa acabou. E a intelectualidade esquerdista brasileira é incapaz de se renovar por si mesma.
(...)
Acabou a massa de militantes do PT. Acabou a fonte das idéias. E o que o PT tem? Só lhe restaram os cargos já conquistados. Nesses cargos o PT paira como um cadáver, mas um cadáver pesadíssimo, cujo peso está nos oprimindo e nos esmagando. Mas eles não tem fontes de auto-renovação, de modo que agora o futuro está com quem está contra eles.
 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Somos as próximas vítimas do delírio esquerdista continental

ESCRITO POR PERCIVAL PUGGINA
A Venezuela se degenera, a Argentina vai no mesmo caminho e ambos começam a ficar, cada vez mais, parecidos com a venerada ilha dos Castro.
Infelizmente, é nessa direção que apontam, de fato, os movimentos da política externa petista.

O Brasil ainda não chegou nesse ponto, mas o dirigente político de qualquer país que se aprofunde em tal ideologia  fala para um povo que enfrenta escassez de tudo, que sai de uma fila para entrar noutra. São países onde se tabelam preços de produtos que não existem, onde a inflação dispara e de onde, quem pode sair, foge correndo. O discurso oficial, porém, proclama vitórias populares, sucessos indiscerníveis, luminosos dias do porvir e ataca ferozmente inimigos externos que estão se lixando para ele. Assim fazem em Cuba, assim fazia Chávez, assim tem sequência o processo venezuelano com Maduro. Para aí vai, célere, a Argentina. Nunca lhes faltam idiotas defensores do regime, dentro e fora do país, para aplaudir seus discursos.

Em 16 de outubro, o jornalista Clovis Rossi publicou na Folha de São Paulo uma coluna com o título "Aécio assusta Unasul". No texto, o jornalista comenta o pânico que o crescimento das intenções de voto do candidato oposicionista brasileiro estava causando, naquele momento, entre os governantes da região.
Sem conseguir dizer bem o que pensava a respeito ele concluiu o texto afirmando que "com todos os déficits democráticos claramente expostos na Venezuela chavista, o governo Maduro é legítimo. E é do interesse brasileiro que saia da crise, até para poder pagar as dívidas mantidas com as empresas brasileiras". Em síntese, Aécio teria nenhum interesse em aproximação com Bolívia, Venezuela, Cuba, Argentina e Equador, que são os países mais alinhados com o Foro de São Paulo e com a União das Nações Sul-Americanas. E isso seria muito ruim para seus governos.
Desde este meu minúsculo mas vigilante observatório, vejo que Aécio tinha razão: os parceiros de Dilma afundam numa ideologia que é a própria usina da miséria. Quanto maior a crise, maior a dose de autoritarismo e intervencionismo que só serve para ampliar as dificuldades e aumentar aquilo que Clóvis Rossi chamou, eufemisticamente, de "déficit democrático". Definitivamente, a Venezuela se degenera, a Argentina vai no mesmo caminho e ambos começam a ficar, cada vez mais, parecidos com a venerada ilha dos Castro. Enquanto isso, o governo brasileiro tenta, por todos os modos e maus modos, disfarçar seus próprios problemas com estratégias de avestruz. Como em Cuba, o nexo entre o ufanismo oficial e a realidade nacional mostra que o delírio psicótico é o máximo denominador comum dos governos comunistas. No entanto, e aqui está o importante no texto de Rossi relido após o encontro da Unasul, todos os países do così detto "bolivarianismo" espicham para o Brasil olhos esperançosos, como se o tamanho da nossa economia fosse sinônimo de riqueza disponível e socializável.
Infelizmente, é nessa direção que apontam, de fato, os movimentos da política externa petista. Na última reunião da Unasul, Dilma foi recebida e falou como talvez falasse Bill Gates numa reunião com estagiários. Não admira que o real se desvalorize, que as verdinhas abandonem o país, que a inflação fure o teto e o PIB fure o piso.



http://puggina.org

O Brasil ainda é o Brasil?

ESCRITO POR PERCIVAL PUGGINA 

Por que as instituições nada fazem contra a matriz de corrupção instalada no coração do poder? Mistério.

Por que Bolsonaro suscita maior comoção e interesse entre os formadores de opinião do que as denúncias da geóloga Venina Velosa da Fonseca? Mistério.

Por que o relatório de uma Comissão Nacional da Verdade que sepulta verdades e ressuscita mentiras ganha espaço como se credibilidade tivesse, malgrado afronte a própria lei que a criou? Mistério.

Por que, para tantas pessoas, o mal está na mera existência da revista Veja e não nos crimes que ela denuncia? Mistério.
Por que é tão solenemente ignorada a existência do Foro de São Paulo, como bem sinaliza Olavo de Carvalho? Mistério.

Por que não causou estranheza em parte alguma que a pessoa escolhida para ocupar a função de tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, seja, justamente, o ex-dirigente de uma cooperativa habitacional que lesou centenas de associados? Não está ele sendo processado por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica? Comanda as finanças do PT e só a Veja acha estranho? Mistério.

Por que o partido que governa a República perdeu todo interesse em desvendar os enigmas em torno da morte de Celso Daniel? Mistério, mistério, mistério.

Para onde quer que se olhe, lá está a densa bruma de onde quase se espera o surgimento de dragões, unicórnios e manticoras.
Pois eis que, de repente, fica-se sabendo que a presidente da República foi a Quito participar de uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e que nessa reunião foram tomadas diversas decisões envolvendo supostos interesses comuns aos países do bloco. E com que parcerias! Pois bem, as relações internacionais do Brasil, de uns tempos para cá, seguem estratégias incomuns e nos têm custado muito caro. Não seria preciso mais do que isso para despertar o interesse da mídia nacional. Mas não despertou. Por quê? Mistério. E não me consta que alguém tenha gasto meia hora, seja na mídia, seja no Congresso Nacional, para investigar o que significará, na vida prática, algo tão enigmático (mormente entre nações sob tais governos) quanto a Unidade Técnica de Coordenação Eleitoral que passará a funcionar na Unasul. Por quê? Mistério.
Tampouco suscitou interesse a decisão de criar uma Escola Sul-Americana de Defesa, que até sigla já tem: Esude. E para que servirá a Esude? Para constituir "un centro de altos estudios del Consejo de Defensa Suramericano de articulación de las iniciativas nacionales de los Estados Miembros, formación y capacitación de civiles y militares en materia de defensa y seguridad regional del nivel político-estratégico". Será que só eu fiquei preocupado com isso? Será que só eu fui buscar informações e me deparei com este vídeo? 


Terei sido o único a descobrir que, conforme ali se explica, a tal Esude tem por objetivo formar civis e militares afastados das "lições caducas com que se formavam nossos militares", as quais seriam "quase cópias dos manuais gringos, norte-americanos"? O que dizem sobre tudo isso nossos comandantes militares? Mistério.
Definitivamente, de duas uma: ou estou ficando incapaz de compreender o Brasil, suas instituições e seu povo, ou o Brasil está se tornando outra coisa qualquer.

150 milhões de cristãos perseguidos pelo islamismo

ESCRITO POR GIULIO MEOTTI 
"Gostaríamos de informar que amanhã seremos mortos com nossas famílias."

"O número de cristãos perseguidos no mundo é de 150 milhões." Há muitas outras estatísticas, terríveis e dramáticas, nas páginas do "Livro Negro da Situação dos Cristãos no Mundo", uma iniciativa única de estudiosos franceses, coordenada pelo jornalista Samuel Lieven. Instantâneos de uma guerra global e amorfa.

Em particular, há uma estatística desconcertante: "80 por cento dos atos de perseguição religiosa no mundo são contra cristãos". Quantas vítimas? O Centro para o Estudo do Cristianismo Global traz a média de cem mil cristãos mortos a cada ano por sua fé ao longo da última década. Uma média de cinco cristãos a cada minuto.
Ontem, no Paquistão, dois cristãos, incluindo uma mulher grávida, foram queimados vivos no forno de tijolos, onde trabalhavam. Foi um massacre, com a participação de quatrocentos muçulmanos.
Haim Korsia, rabino-chefe da França, grita sua reação em face da disseminação do ódio contra os cristãos, e estabelece uma comparação com a destruição do judaísmo sefardita oriental:
"Onde estão as comunidades judaicas, uma vez tão ricas de Aleppo, Beirute, Alexandria, Cairo ou Trípoli? Onde estão as escolas de Nehardea e Pumbedita no Iraque? E onde está o florescimento do judaísmo em Esfahan e Teerã? Em nossa memória. Expulsos, mortos, dizimados, perseguidos e exilados, os cristãos do Oriente estão experimentando pessoalmente a mesma situação dos judeus com quem eles viveram por tanto tempo, e viram deixando esses lugares ".
A ONG Portas Abertas declarou que a perseguição no Iraque atingiu "proporções bíblicas". Terça-feira, em Roma, também foi apresentado o relatório anual de Ajuda à Igreja que Sofre. Ele disse que dos 20 países do mundo nos quais a liberdade religiosa é praticamente ausente, 14 são muçulmanos, e os outros ditaduras militares ou comunistas, como a Coréia do Norte. Estamos enfrentando o que Habib Malik, da Universidade de Stanford chama de "a última fase do declínio regional dos cristãos".
Hoje a cidade de Mosul parece ter sido engolida, como Jonas esteve no ventre da baleia.
"Entre 2003 e 2009, cerca de 800 cristãos foram executados [lá] a sangue frio, sem contar os cinqüenta mártires da catedral católica síria em Bagdá, incluindo dois padres, mortos em 31 de outubro de 2010. Até o momento, o número de cristãos mortos ultrapassa mil, incluindo um bispo e cinco padres. Mais de sessenta igrejas foram destruídas ".
No livro, um jihadista do Estado Islâmico fala ao telefone com o seu líder terrorista: "Eu tenho uma família de cristãos que não quer se converter, o que vamos fazer?" Uma frase que me fez lembrar dos pastores tutsi adventistas que, durante o genocídio em Ruanda, recorreram ao seu pastor com uma carta: "Gostaríamos de informar que amanhã seremos mortos com nossas famílias."
Há os cristãos de Ma'aloula na Síria, como Taalab Antoun e seus dois primos, que receberam o ''aman ", a garantia islâmica de serem poupados. Desarmados e confiando na palavra dos rebeldes, foram mortos e depois decapitados.
Quinhentos mil cristãos já deixaram a Síria.
E antes deles, havia a história de Jean-Pierre Schumacher, o último monge de Tibhirine, na Argélia, onde os islâmicos massacraram os maravilhosos monges trapistas que compartilhavam refeições com os muçulmanos. Ele foi salvo porque os jihadistas contaram errado. Mais tarde, no funeral dos monges, o irmão Jean-Pierre pediu para abrir o caixão para prestar suas últimas homenagens a seus companheiros. Ele descobriu que as caixas não continham corpos, mas apenas sete cabeças.
Esse massacre foi o sinal verde para futuros massacres.


Tradução: Josué Bueno

Brasileiros, armai-vos!

ESCRITO POR FLAVIO QUINTELA
A quem tem um preconceito infundado sobre as armas de fogo, convido a
conhecer mais sobre o assunto.
 
Muitos brasileiros têm pavor de armas, como se fossem uma coisa do mal. Infelizmente, nos últimos 25 anos o estado e a mídia conseguiram colar nas armas a culpa pela violência, quando na verdade foi o banimento delas que deixou os brasileiros indefesos e à mercê de criminosos que atacam com a certeza de que não haverá resistência da vítima. Quando eu tinha meus dez anos de idade lembro muito bem que meu tio andava armado, e meu pai sempre falava em comprar a dele. Lembro de ter entrado numa loja com ele e ver as armas expostas, armas que podiam ser compradas por cidadãos obedientes à lei. Isso soa hoje como fantasia no Brasil, depois que o governo conseguiu desarmar grande parte da população, e não tirou uma pistola sequer das mãos dos criminosos.
Eu tenho estudado o assunto a fundo, pois nos últimos meses traduzi alguns livros excelentes e extremamente bem fundamentados sobre armas e suas consequências para a sociedade. Quando escrevo aqui, não é com o achismo desses grupos de “defesa dos direitos humanos”, que pegam meia dúzia de reportagens e acham que têm informação suficiente para tentar educar as pessoas. Não, estou falando baseado em centenas de tabelas estatísticas, de dados dos últimos 400 anos, de países diferentes, de estudos sérios feitos por professores de grandes universidades. Eu entendo que essa é a maneira correta de alguém se informar sobre um assunto, e não lendo três reportagens tendenciosas num jornal qualquer.
A mídia engana demais. Como exemplo posso citar os casos de tiroteios em escolas americanas, que são tratados como a coisa mais absurda do mundo. Pois bem, se você pegar qualquer ano como exemplo, de 1995 até hoje, o número de estudantes mortos em ataques como esse é menor do que o número de estudantes mortos por esforço excessivo nas práticas de educação física. Mas ninguém vai ver uma reportagem sobre isso, porque o que interessa é pintar as armas como vilãs supremas. Em casa é a mesma coisa: quando uma criança morre por um disparo acidental da arma de seus pais, vira notícia no mundo inteiro; mas não há uma menção sequer às mortes por ingestão de produtos de limpeza, que acontecem NOVENTA vezes mais do que as mortes com armas. E aí? O que pensar sobre isso?
Para mim é bastante óbvio. Se existisse um interesse do governo e da mídia de evitar mortes infantis, por exemplo, eles deveriam se preocupar muito mais em instruir os pais sobre como guardar seus produtos de limpeza do que tentar tirar o instrumento de defesa de suas mãos. Deveriam alardear os riscos de se andar de bicicleta, atividade que mata mais jovens do que todos os atiradores dementes juntos. Mais do que isso, deveriam mostrar os inúmeros casos documentados de pessoas que estão vivas hoje porque alguém próximo, ou elas mesmas, tinha uma arma numa situação de confronto com um criminoso.
Perceba a diferença: muitas pessoas morrem de bicicleta, mas não se tem notícia de que uma bicicleta tenha salvo uma vida, e ninguém sai por aí pedindo o banimento das bicicletas. Muitas pessoas morrem pelo uso de armas, mas muitas mais vivem por causa delas; as armas que matam são as que estão nas mãos de criminosos, que as obtêm diretamente do contrabando, e todo mundo sai pedindo seu banimento generalizado. Um estudo recente da Universidade de Chicago, sobre o uso defensivo de armas, mostrou que em 99% dos confrontos com criminosos a pessoa só precisa sacar a arma para assustar o bandido e impedir o crime, e que menos de 0,1% dos crimes com armas de fogo foram cometidos por cidadãos que possuem uma arma legalizada.
A quem tem um preconceito infundado sobre as armas de fogo, convido a conhecer mais sobre o assunto. Ainda que você nunca compre uma arma para si, é importante saber que o direito de tê-las deve ser garantido a todos os cidadãos de bem, e que seu bairro será mais seguro se você ou alguns dos seus vizinhos tiverem uma arma em casa. Lembre-se que a polícia chega, quase sempre, depois do crime. Está na hora de apoiar os esforços que estão sendo feitos para a derrubada do estatuto do desarmamento, uma excrescência que ajudou o Brasil a atingir o recorde de 60 mil mortes violentas por ano, nos dando uma taxa per capita maior do que a de muitos países em guerra.
Brasileiros, armai-vos!

Publicado no jornal Correio Popular, de Campinas.
Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”. É também membro da NRA, National Rifle Association e praticante de tiro.

Psicopatia e histeria

ESCRITO POR OLAVO DE CARVALHO
Chamar de estuprador o algoz maior dos estupradores não fazia o menor sentido, evidentemente, exceto como inversão histérica da situação real.

A saúde mental de uma comunidade pode ser aferida pela dos indivíduos que ela eleva aos mais altos postos e incumbe de representá-la. O mais breve exame do Brasil sob esse aspecto leva a conclusões que já ultrapassam a escala do alarmante e se revelam francamente aterrorizantes.

Já tivemos um presidente que achava lindo fazer sexo com cabritas, se gabava de haver tentado estuprar um companheiro de cela – prova de macheza, segundo ele – e confessava entre risos as mais cínicas mentiras de campanha. É claro que a tropa dos seus guarda-costas e marqueteiros corria, nessas ocasiões, para dar a essas declarações o sentido de meras brincadeiras, mas, supondo que o fossem, é igualmente evidente que pessoas adultas normais não se divertem com gracejos tão torpes.
Qualquer que fosse o caso, no entanto, a conduta desse cidadão não sugeria nenhuma doença mental e sim propriamente uma psicopatia – a deformidade moral profunda que sufoca a voz da consciência e autoriza o indivíduo a viver de manipulações, trapaças e crimes sem nunca enxergar nisso nada de anormal.
Já mencionei, em outros artigos, o livro do psiquiatra Andrew Lobaczewski, Ponerologia: Psicopatas no Poder(Vide Editorial, 2014), em que uma equipe de médicos poloneses condensa os resultados de décadas de observação da elite comunista que dominava o país, e descreve tecnicamente o fenômeno da “patocracia”, o governo dos psicopatas.
Mas, como explica o próprio dr. Lobaczewski, quando uma elite de psicopatas sobe ao poder, ela se cerca de adeptos e militantes que não são psicopatas, mas que, no afã de enxergar as coisas como seus chefes mandam em vez de aceitar os dados da realidade, acabam desenvolvendo todos os sintomas da histeria. A histeria é um comportamento fingido e imitativo, no qual o doente nega o que percebe e sabe, criando com palavras um mundo fictício cuja credibilidade depende inteiramente da reiteração de atitudes emocionais exageradas e teatrais.
Um exemplo, já antigo, esclarecerá isso melhor.
Todo mundo conhece o deprimente episódio da discussão feia na qual a deputada Maria do Rosário xingou seu colega Jair Bolsonaro de “estuprador”. Incrédulo, o deputado perguntou:
-- Agora sou eu o estuprador?
A deputada, fria e pausadamente, confirmou:
-- É sim.
O deputado, que não é lá muito famoso pelas boas maneiras, deu-lhe uma resposta brutalmente sarcástica (“não vou estuprar você porque você não merece”) e a adversária ameaçou dar-lhe uns tapas, deixando de cumprir o intuito ante a promessa de um revide, sendo então chamada de “vagabunda” e tendo um dos mais célebres chiliques da história política nacional.
As circunstâncias que precederam o acontecimento são muito reveladoras. Bolsonaro tinha apresentado um projeto de lei que previa penas mais severas para os estupradores, inclusive antecipando o prazo de maioridade penal para que a punição pudesse alcançar tipos como Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha, um dos estupradores e assassinos mais cruéis que este país já conheceu.
Maria do Rosário era contra a antecipação da maioridade e defendia penas mais brandas para estupradores e assassinos de menos de dezoito anos.
Defensora de uma causa impopular, e cunhada, ela própria, de um estuprador de menores, Maria do Rosário tinha todos os motivos para ficar com os nervos à flor da pele quando se discutia estupro e menoridade.  Chamar de estuprador o algoz maior dos estupradores não fazia o menor sentido, evidentemente, exceto como inversão histérica da situação real.
Do ponto de vista penal, admitindo-se que ambos os parlamentares tenham cometido delitos, o da deputada foi bem mais grave. Nosso Código Penal pune com seis meses a dois anos de detenção o crime de calúnia (imputação falsa de ato delituoso) e com apenas um a seis meses de detenção o de injúria (ofender a dignidade e o decoro de alguém). Pior: a lei concede atenuante ao delito de injúria se é cometido em revide a insulto anterior, e um segundo e maior atenuante se o revide foi imediato. Os dois atenuantes aplicavam-se à conduta do deputado Bolsonaro. Em comparação com Maria do Rosário, ele estava praticamente inocente no episódio.
Bem, esses são os dados objetivos da situação, mas a reação da esquerda nacional quase inteira, seguida de perto por toda a grande mídia, foi levantar um escarcéu dos diabos contra o deputado, chegando a pedir a cassação do seu mandato e apresentando Maria do Rosário como vítima inocente de uma violência verbal intolerável.
Por mais intenso que seja o ódio político que se vota a um inimigo, simplesmente não é normal inverter de maneira tão flagrante a lógica dos fatos e o seu sentido jurídico para fazer do agredido o agressor e do revide injurioso, por mais grosseiro que fosse, um crime mais grave que o de calúnia.
Pior: todos os que incorreram nessa loucura faziam-no em tom de tão profunda indignação – alguns chegando até às lágrimas --, que não pareciam, de maneira alguma, estar mentindo deliberadamente. Ao contrário: a coisa era uma inversão histérica genuína, característica, indisfarçável. E coletiva.
A passagem do tempo não parece tê-la curado, mas agravado. Ainda esta semana, como o deputado Bolsonaro relembrasse o episódio, mostrando não arrepender-se do que tinha dito a Maria do Rosário, a deputada Jandira Feghali viu nisso, não, como seria normal, uma prova de falta de educação, mas – pasmem – uma confissão de estupro. E, aos berros, exigia a cassação do mandato de Bolsonaro, alegando que “não podemos admitir a presença de um estuprador nesta Casa”. Não deixa de ser significativo que, nessa mesma semana, uma pesquisa da Universidade da Califórnia revelasse que a incapacidade de perceber o sarcasmo pode ser um sintoma de demência (v. http://www.mdig.com.br/?itemid=18953).
Porém ainda mais significativo é que, também na mesma semana, a deputada, lendo uma frase minha segundo a qual todos deveríamos “atirar à cara dos comunistas, em público, todo o mal que fizeram”, lançou o alarma: Olavo de Carvalho prega assassinato de comunistas!
O histérico não enxerga o que está diante dos seus olhos, mas o que é projetado na tela da sua imaginação pelo medo e pelo ódio.


Publicado no Diário do Comércio.


domingo, 14 de dezembro de 2014

Esquerdistas são clinicamente loucos

Renomado psiquiatra defende tese de que a ideologia esquerdista é desordem mental

© 2008 WorldNetDaily
WASHINGTON, EUA — Justamente quando os esquerdistas estavam pensando que é seguro começarem a se identificar como esquerdistas, um aclamado e experiente psiquiatra está defendendo a tese de que a ideologia que os motiva é realmente uma desordem mental.
“Com base em convicções e emoções impressionantemente irracionais, os esquerdistas modernos persistentemente minam os princípios mais importantes sobre os quais foram fundadas nossas liberdades”, diz o Dr. Lyle Rossiter, autor do livro recém publicado “The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness” (A mente esquerdista: as causas psicológicas da loucura política). “Como crianças mimadas e coléricas, eles se rebelam contras as responsabilidades da vida adulta e exigem um governo paternal para lhes suprir as necessidades desde o começo até o fim da vida”.
Embora os ativistas políticos do outro lado do espectro tenham feito observações semelhantes, Rossiter ostenta credenciais profissionais e uma vida virtualmente livre de ativismo e ligações com “a vasta conspiração direitista”.
Por mais de 35 anos ele tem diagnosticado e tratado de mais de 1.500 pacientes como psiquiatra clínico credenciado e ele já examinou mais de 2.700 casos civis e criminais como psiquiatra judicial credenciado. Ele recebeu seu treinamento médico e psiquiátrico na Universidade de Chicago.
Rossiter diz que só dá para entender como desordem psicológica o tipo de esquerdismo que Barack Obama e sua oponente democrática Hillary Clinton demonstram.
“Um cientista social que entende a natureza humana não fará vista grossa aos papéis vitais da livre escolha, cooperação voluntária e integridade moral — como fazem os esquerdistas”, diz ele. “Um líder político que entende a natureza humana não ignorará as diferenças individuais em talento, impulso, apelo pessoal e ética profissional, e então tentará impor igualdade econômica e social na população — como fazem os esquerdistas. E um legislador que entende a natureza humana não criará um ambiente de leis que sobrecarrega os cidadãos com regulamentos e impostos, corrompe o caráter deles e os reduz a funcionários do Estado — como fazem os esquerdistas”.
O Dr. Rossiter diz que a agenda esquerdista explora as fraquezas e sentimentos de inferioridade da população da seguinte forma:
* criando e reforçando percepções de vitimização;
* satisfazendo reivindicações imaturas de direitos, privilégios e compensações;
* aumentando os sentimentos primitivos de inveja;
* rejeitando a soberania do indivíduo, subordinando-o à vontade do governo.
“Dá para identificar as raízes do esquerdismo — e suas loucuras associadas — compreendendo como as crianças se desenvolvem desde a infância até a vida adulta e como um desenvolvimento distorcido produz convicções irracionais da mente esquerdista”, diz ele. “Quando a mente esquerdista moderna se queixa de vítimas imaginárias, se enfurece contra vilões imaginários e busca acima de tudo o mais administrar a vida de pessoas que têm competência própria para administrar suas próprias vidas, fica dolorosamente óbvia a neurose da mente esquerdista”.
Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: WND

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Maconha, o dom de iludir

Por RONALDO RAMOS LARANJEIRA e 
ANA CECILIA PETTA ROSELLI MARQUES*

Que nem pesquisadores nem a população se iludam de que exista indicação terapêutica para utilizar maconha que já seja aprovada pela ciência


Semanas atrás, a Folha noticiou a proposta de criar-se uma agência especial para pesquisar os supostos efeitos medicinais da maconha, patrocinada pela Secretaria Nacional Antidrogas do governo federal.
Esse debate nos dias atuais, tal qual ocorreu com o tabaco na década de 60, ilude sobretudo os adolescentes e aqueles que não seguem as evidências científicas sobre danos causados pela maconha no indivíduo e na sociedade.
Na revisão científica feita por Robim Room e colaboradores ("Cannabis Policy", Oxford University, 2010), fica claro que a maconha produz dependência, bronquite crônica, insuficiência respiratória, aumento do risco de doenças cardiovasculares, câncer no sistema respiratório, diminuição da memória, ansiedade e depressão, episódios psicóticos e, por fim, um comprometimento do rendimento acadêmico ou profissional.
Apesar disso, o senso comum é o de que a maconha é "droga leve, natural, que não faz mal".
Pesquisas de opinião no Brasil mostram que a maioria não quer legalizar a droga, mas grupos defensores da legalização fazem do eventual e ainda sem comprovação uso terapêutico de alguns dos componentes da maconha prova de que ela é uma droga segura e abusam de um discurso popular, mas ambivalente e perigoso.
O interesse recente da ciência sobre o uso da maconha para fins terapêuticos deveu-se à descoberta de que no cérebro há um sistema biológico chamado endocanabinoide, onde parte das substâncias presentes na maconha atua.
Um dos medicamentos fruto dessa linha de pesquisa, o Rimonabant, já foi retirado do mercado, devido aos efeitos colaterais. Até hoje há poucos estudos controlados, com amostras pequenas, e resultados que não superam o efeito das substâncias tradicionais, que não causam dependência.
Estados americanos aprovaram leis descriminalizando o uso pessoal de maconha, que é distribuída sem controle de dose e qualidade.
Contradição enorme, pois os médicos são os "controladores do acesso" para uma substância ainda sem comprovação científica.
De outro lado, orientam os pacientes sobre os riscos do uso de tabaco. Deve-se relembrar que os estudos versam sobre possíveis efeitos terapêuticos de uma ou outra substância encontrada na maconha, não sobre a maconha fumada.
Os pesquisadores brasileiros interessados no tema devem realizar mais estudos por meio das agências já existentes, principalmente diante do último relatório sobre o consumo de drogas ilícitas feito pelo Escritório para Drogas e Crime das Nações Unidas, que aponta o Brasil como o único país das Américas em que houve aumento de apreensões e consumo da maconha.
E se, no futuro, surgir alguma indicação para o uso medicinal da maconha, o processo de aprovação, que ainda não atingiu os padrões de excelência, deve contextualizar esse cenário, assim como o potencial da maconha de causar dependência.
Espera-se que a política nacional sobre drogas seja redirecionada em caráter de urgência, pois enfrenta-se também aqui o aumento das apreensões e consumo de cocaína e crack, que exige muitos esforços e recursos para sua solução.
Que nem pesquisadores nem nossa população se iludam de que exista hoje uma indicação terapêutica para utilizar maconha aprovada pela ciência.

______________________
*RONALDO RAMOS LARANJEIRA é professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Instituto Nacional de Políticas sobre Álcool e Drogas (Inpad/CNPQ).
*ANA CECILIA PETTA ROSELLI MARQUES, doutora pela Unifesp, é pesquisadora do Inpad/CNPQ.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Voto de confiança? Em Dilma?

ESCRITO POR PERCIVAL PUGGINA 
A grande verdade de 2014: não são os pobres que precisam do PT, mas é o PT que precisa dos pobres em estado de pobreza. Para quem não se deu conta, essa é a nova relação de causa e efeito da miséria no Brasil.

"Não creio que seja hora de torcer contra nem de ficar cobrando pelo que foi dito em campanha". 
Economista Roberto Teixeira da Costa, em artigo publicado no jornal "O Globo" em 30 de novembro.

O texto em questão leva um título bem alinhadinho e elegantemente palaciano: "Voto de confiança". O quê? Voto de confiança? Quer dizer que não se deve cometer a leviandade de cobrar o que foi dito em campanha? Ora, leitor, isso me parece moral com agendamento, com data de vigência, segundo calendário eleitoral. A propósito: calendário eleitoral tem foto de mulher pelada, como folhinha de borracharia? Quer dizer que a presidente pode se eleger dizendo uma coisa até o dia 26 de outubro e fazer o oposto a partir do dia 27? E quem apontar a desonestidade de tal conduta torce contra o país?
O autor do referido artigo crê que a presidente deve receber um voto de confiança. Quanta infelicidade em apenas três palavras! Tenho certeza de que ele não daria esse voto de confiança para fazer dela gerente de seus próprios negócios. Aliás, pergunto: qual grande empresário, desses que despejaram quase R$ 400 milhões na campanha da candidata Dilma Rousseff, cometeria o desatino de admiti-la como executiva, mesmo em escalões inferiores de suas empresas? Os motivos para não o fazerem são tão evidentes que dispensam análise minuciosa, seja de currículo, seja de desempenho, seja - para usar a palavra do texto em análise - de confiança. Mas para presidir a República e gerir os recursos dos pagadores de impostos, ela lhes convém.
Convém, sim, claro. E merece "voto de confiança". Mesmo que tenha chantageado os miseráveis espalhando, de inúmeras maneiras, que o Bolsa Família seria extinto se fosse eleito seu adversário. Logo o seu adversário, que propôs a transformação do referido benefício em programa de Estado e não contou, para esse fim, com o apoio dela e de seu partido, exatamente porque perderiam a capacidade de chantagear a miséria nacional. Esse fato torna evidente a grande verdade de 2014: não são os pobres que precisam do PT, mas é o PT que precisa dos pobres em estado de pobreza. Para quem não se deu conta, essa é a nova relação de causa e efeito da miséria no Brasil.
O texto que comento aqui afronta o bom senso e os mais elementares princípios morais. Não se pode dar voto de confiança a quem mentiu e mente tanto, e há tanto tempo, que não pode mais distinguir verdade de mentira. Dilma ocultou dados, dissimulou estatísticas, iludiu o mercado e o eleitorado. Criou a contabilidade criativa. Na contramão, injuriou seus adversários acusando-os de intenções tão malévolas quanto a de entregar a área financeira do governo a bons economistas do odioso "mercado". E o pior é que, de tanto mentir, de tanto conviver e comandar partidos com raízes cravadas no submundo da corrupção, acabou por corromper milhões de brasileiros que já não se importam de ser guiados por ladrões. Contanto que também levem seu quinhão.

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O verdadeiro holocausto brasileiro

ESCRITO POR FÉLIX MAIER 
Com o PT no governo por pelo menos mais quatro anos, é certo que o holocausto brasileiro será ainda mais horrendo.
Existe, atualmente, um verdadeiro holocausto no Brasil. Não me refiro ao livro de Daniela Arbex, que trata dos horrores ocorridos em um hospício mineiro, onde mais de 60.000 internos foram tratados, até suas mortes, como animais em um verdadeiro campo de concentração nazista. Refiro-me aos cerca de 60.000 brasileiros que são mortos todos os anos em acidentes rodoviários e outro tanto que são assassinados

Os números aqui apresentados são arredondados para 60.000. Não se trata de chutometria, mas da constatação, p. ex., de que muitas mortes nas estradas não são devidamente contabilizadas, pois não se leva em conta quem morre em hospital devido a acidente rodoviário.
Isso significa que, em 12 anos, o holocausto brasileiro se aproxima de 720.000 assassinatos. Somando outro tanto nas mortes violentas nas estradas, significa que o governo do PT pode comemorar os 12 anos no poder com a morte violenta de cerca de 1.440.000 brasileiros. O músico Lobão também lembra esses números, de 60.000, em seu best seller “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”.
Os EUA participaram da Guerra do Vietnã durante cerca de 8 anos, a qual tirou a vida de 58.198 norte-americanos. Somando os mortos anuais por assassinatos e em decorrência de acidentes automobilísticos, a guerra civil brasileira é duas vezes mais violenta que o Vietnã – considerando os mortos dos EUA como um todo, já que a média anual dos mortos americanos foi de um pouco mais de 7.000, cerca de 8 vezes menos violenta que a nossa guerra civil não declarada.

"Teologia" da Missão Integral na Igreja da Lagoinha: um tiro na verdadeira caridade

ESCRITO POR JULIO SEVERO

acc-comunaNum culto na Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte, o pregador, virando-se para Ana Paula Valadão, diz:
“Desafio você a doar sua enorme fortuna para os pobres, para que eles tenham comida, saúde, educação, emprego e lazer. Aliás, desafio você a dar 90 por cento de tudo o que você ganha para os pobres.”
Depois, virando-se para os outros cantores famosos da Lagoinha, o pregador faz o mesmo desafio, encorajando-os a ajudar os pobres com os próprios bolsos, não só com palavras.
Embora a estrela máxima do recente Congresso de Missão Integral na Igreja da Lagoinha tivesse sido o Rev. Antonio Carlos Costa (foto), não foi ele quem fez o desafio. Aliás, ninguém fez tal desafio — que é apenas minha imaginação do que um “profeta” de Teologia de Missão Integral (TMI) deveria fazer.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Avivando a mente conservadora

ESCRITO POR RUSSEL KIRK 
kirkVitórias nas urnas são desfeitas em pouco tempo, se não forem apoiadas pela arte duradoura da persuasão. Um movimento político que imagina poder subsistir por slogans e por um pretenso "pragmatismo" atualmente é tombado ao término do próximo carnaval político, bradando novos slogans.

(Publicado no The Intercollegiate Review, Vol. 21 (Spring 1986), pp. 25–28.)

O mais espirituoso de nossos homens públicos, Eugene McCarthy, comentou há alguns meses atrás que, hoje em dia, ele usa a palavra “liberal” meramente como um adjetivo. Essa é uma medida do triunfo da mentalidade conservadora nos últimos anos - incluindo o triunfo do lado conservador da mente e do caráter do próprio Sr. McCarthy.

Talvez seja suficiente, na maioria das vezes, utilizar a palavra “conservador” principalmente como um adjetivo. Pois não existe nenhum Modelo Conservador e conservadorismo não é ideologia: é um estado da mente, um tipo de caráter, uma maneira de olhar para a ordem social civil. O movimento ou corpo de opinião conservador pode acomodar uma diversidade considerável de pontos de vista sobre um bom número de assuntos, não havendo qualquer Test Act[1] ou Thirty-Nine Articles[2] do credo conservador. Em essência, a pessoa conservadora é simplesmente aquela que considera as coisas permanentes mais agradáveis do que o “Caos e a noite primordial”[3]. Este é, a propósito, um breve prefácio para algumas observações não metódicas sobre o que a mente conservadora requer hoje.
Na América, a grande onda da opinião pública hoje arrasta em uma direção conservadora, levando tudo à sua frente: como Tocqueville nos instruiu, tal é, geralmente, a forma de opinião em nações democráticas. Os eleitores mexicano-americanos claramente se deslocaram nessa direção há menos de dois anos atrás e irão mais longe ainda; agora, as pesquisas do The New York Times e da CBS sugerem que a população afro-americana se volta para a mesma direção.
Tanto os assuntos externos quanto as questões internas impelem a nação em direção a políticas conservadoras de longo alcance. No entanto, poderia ser concebível que esses tremendos sucessos conservadores dos anos recentes cessassem? Pode a onda da opinião pública começar a arrastar novamente, com uma maré vazante, conduzindo ao grande abismo muitos destroços americanos?
Sim.
Qual a causa?
Estupidez.

Um ponto de vista burkeano sobre a liberdade

ESCRITO POR JOÃO CARLOS ESPADA
jcespada
Nota de Bruno Garschagen:
É sempre intelectualmente estimulante ler um texto do professor João Carlos Espada(foto), doutor em Ciência Política pela Universidade de Oxford e diretor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, onde fiz o mestrado.

Aqui, o trecho final do ensaio O liberalismo, a modernidade e os seus críticos, publicado na revista Análise Social:

IV.Um ponto de vista burkeano sobre a liberdade

Voltemos agora a Gertrude Himmelfarb, a historiadora norte-americana que citamos logo no início. Curiosamente, é considerada uma das críticas mais implacáveis do liberalismo moderno. No entanto, ao contrário de Sandel e de MacIntyre, ou mesmo de Strauss, Himmelfarb não condena o individualismo moderno. Limita-se a argumentar que o individualismo contemporâneo, o individualismo pós-moderno, se separou do velho individualismo do iluminismo escocês, da revolução americana e da Inglaterra vitoriana do século XIX — ou seja, o liberalismo tradicional.  

“No final do século XIX a Inglaterra era uma sociedade mais polida, mais pacífica, mais humana do que fora no princípio (antes do industrialismo e do urbanismo — 'modernismo', como é agora conhecido) [...] Se a Inglaterra vitoriana não sucumbiu à anarquia moral e cultural que dizem ser a consequência inevitável do individualismo econômico, tal deveu-se ao poderoso ethos que manteve esse individualismo sob controle. Para os vitorianos, o indivíduo, ou 'pessoa', não era sobretudo um adversário, mas um aliado da sociedade (...) O interesse pessoal não se opunha ao interesse geral, antes era — como disse Adam Smith — o instrumento desse interesse geral. A autodisciplina e o autocontrole eram vistos como fonte do respeito por si próprios e do aperfeiçoamento pessoal: e o amor-próprio uma condição prévia para a obtenção do respeito e da aprovação dos outros. Em resumo, considerava-se que o indivíduo era simultaneamente portador de responsabilidades e de direitos, de obrigações e de privilégios.” 
Na opinião de Gertrude Himmelfarb, este tipo de individualismo tradicional era bastante diferente do contemporâneo:  
“Os conceitos correntes de realização das próprias expectativas, de expressão das próprias ideias e dos próprios sentimentos e de auto-realização derivam de um 'eu' que não tem de se afirmar em função de quaisquer valores, objetivos ou pessoas exteriores a si — que simplesmente é e que, exclusivamente por esse motivo, merece ser satisfeito e realizar-se. Ou seja, verdadeiramente autodivorciado dos outros, narcisista e solipsista”. 
 É importante acrescentar que, segundo Gertrude Himmelfarb, “o ethos de uma sociedade, o seu caráter moral e espiritual, não podem ser reduzidos a fatores econômicos, materiais, políticos ou outros, que os valores — ou melhor ainda, as virtudes — são um fator determinante em si mesmos; longe de serem um ‘reflexo’, como diz o marxista, das realidades econômicas, são eles próprios, a maioria das vezes, o agente fundamental que molda essas realidades”.  
Mas isto, dir-se-á, levanta um problema não só aos marxistas, mas também a certos liberais contemporâneos. Porque, se os valores são, de fato, importantes, então tem de haver algo mais para além das escolhas e dos gostos pessoais. Têm de existir padrões impessoais e a capacidade pessoal, incorporada no indivíduo ou que se desenvolva a partir da sua interação com os outros, que lhe permita ir à procura desses padrões e aproximar-se deles. Trata-se de um conceito que não era estranho a Adam Smith, conhecido como o pai fundador do capitalismo moderno, que avançou a ideia do “espectador imparcial”, o qual, como diz Irving Kristol, “existe em cada um de nós e interioriza a aprovação ou a desaprovação da comunidade”:  
“Nunca podemos inspecionar os nossos próprios sentimentos e motivos, nunca podemos formar um juízo a seu respeito, a não ser que nos distanciemos, por assim dizer, da nossa condição natural e nos esforcemos por observá-los, como se estivessem a uma certa distância de nós. Mas não há outra forma de o fazermos que não seja tentar observá-los com os olhos dos outros, ou os olhos com que será provável que os outros os observem. Independentemente do nosso juízo a seu respeito, e de acordo com ele, temos sempre de ter uma qualquer referência secreta, quer relativamente ao que é, ao que poderia ser, em determinada situação, ou ao que imaginamos que deverá ser o juízo dos outros. Procuramos examinar a nossa própria conduta da forma como imaginamos que outro espectador, franco e imparcial, o faria (...) Sentir muito pelos outros e pouco por nós próprios, conter o nosso egoísmo e cultivar a nossa indulgência, é isso que faz a perfeição da natureza humana”.  
Estou certo de que a ninguém passou despercebido o fato de esta não ser a visão que convencionalmente se esperaria do pai fundador do capitalismo moderno, ou, se quiserem, do liberalismo e da modernidade. Esta será talvez uma boa maneira de concluir estas considerações introdutórias a propósito do tema do nosso curso. Nunca devemos tomar como certos os epítetos e dicotomias que as convenções procuram fazer-nos aceitar. Está ainda por provar, afinal, que individualismo e comunidade sejam necessariamente contraditórios ou que à liberdade pessoal se oponham os padrões impessoais de comportamento e a busca de excelência humana. Permitam-me então que termine com uma citação de Burke, um admirador de Adam Smith e da revolução americana, crítico severo da revolução francesa e um homem cuja obra ainda desafia todos os rótulos convencionais:  
“Duvido muito, muitíssimo mesmo, que a França esteja madura para a liberdade, seja qual for o padrão. Os homens estão aptos para o exercício das suas liberdades e garantias na medida exata em que se disponham a impor grilhões morais às suas ambições; na medida em que o seu amor pela justiça se sobreponha à sua rapacidade; na medida em que a sanidade e a sobriedade da razão suplantem a sua vaidade e presunção, em que se disponham a dar ouvidos aos conselhos dos sensatos e dos bons, preferindo-os à lisonja dos velhacos. A sociedade não poderá existir a menos que sobre a vontade e a cobiça se exerça, algures, um poder de controle, e, quanto mais fraco ele for interiormente, mais forte terá de ser exteriormente. Está estatuído na eterna constituição das coisas que os espíritos intemperados não poderão ser livres. As suas paixões forjam os seus grilhões”.


Do blog do cientista político Bruno Garschagen.

Liberdade como dispersão e equilíbrio de poderes

ESCRITO POR JOÃO CARLOS ESPADA
Do ponto de vista das origens reais e históricas da democracia liberal, a liberdade não assentou na libertação, nem na coletivização, mas na diversificação e na descentralização do poder na sociedade.

Um conceito peculiar de liberdade, que foi extremamente influente na cultura política da Europa continental, ficou particularmente associado a Jean-Jacques Rousseau. Tal como salientou Isaiah Berlin, este conceito de liberdade entende-a como soberania coletiva, participação coletiva de todos - enquanto iguais - no processo de tomada de decisões de uma dada comunidade política. 

A noção é basicamente a seguinte: se todos forem capazes de participar no processo de tomada de decisões em condições iguais, as leis que emanam do processo coletivo não podem ser despóticas. Como diria Rousseau, se me entrego a todos, não me entrego a ninguém, e por isso sou livre.

John Stuart Mill
Creio que este foi o núcleo conceitual do novo despotismo - igualitário e democrático, mas seguramente não democrático-liberal - emergente da Revolução Francesa de 1789 e mais tarde consagrado na revolução soviética de 1917. John Stuart Mill destacou-se no século 19 como um dos mais vigorosos críticos deste novo despotismo igualitário. No seu ensaio de 1859 "Sobre a Liberdade", Mill sustentou que o risco principal das sociedades modernas, numa época democrática, é a tirania da maioria sobre as minorias e, acima de tudo, sobre o indivíduo. 

Cristianismo: mãe da liberdade política

ESCRITO POR P. ANDREW SANDLIN 
“A liberdade não tem subsistido fora do cristianismo.”
Lord Acton

A força política mais libertadora na história da humanidade tem sido o cristianismo (Jo 8.36). O cristianismo ramificou-se do tronco da religião hebraica piedosa do Antigo Testamento, e a antiga nação hebraica (antes da era dos reis [1Sm 8]) foi sem dúvida a sociedade mais libertária na história da humanidade. O cristianismo herdou da fé veterotestamentária a crença inabalável no Deus soberano e transcendente, que está acima de todos e julga toda a humanidade, incluindo seus sistemas de governo civil. A ordem política nunca é suprema.
1. O Mundo Antigo
O cristianismo destruiu a unidade do antigo mundo pagão. A fonte dessa unidade era o Estado, geralmente identificado com a própria sociedade, no topo do qual estava um grande líder político, um rei ou imperador, que pensava ser um deus ou semelhante a deus. A unidade do antigo mundo pagão consistia na divinização da ordem temporal na forma do Estado.
Mas o cristianismo reconhecia “outro rei” (At 17.7). Embora não por meios anarquistas, os primeiros cristãos reconheciam que nenhuma autoridade terrena, especialmente autoridade política, poderia ser suprema, pois somente a autoridade de Deus é suprema.
Ao esclarecer a cristologia (a doutrina de Jesus Cristo) ortodoxa, o Concílio de Calcedônia (451 a.C.) lançou o fundamento da liberdade ocidental. Apenas Jesus Cristo é divino e humano, plenamente Deus e plenamente Homem, a única ligação entre céu e terra. Ele é o único Mediador divino-humano. Essa decisão repudiava dramaticamente toda divinização da ordem temporal. Nenhum Estado, nenhuma igreja, nenhuma família, poderia ser Deus ou semelhante a Deus.
Esse reconhecimento colocou o cristianismo patrístico em rota de colisão com a política clássica. Os primeiros cristãos foram perseguidos de maneira selvagem, não porque adoravam a Jesus Cristo, mas porque recusavam adorar ao imperador romano. As sociedades politeístas encorajam a adoração de divindades. Elas resistem à exclusão de todas as divindades, particularmente o Estado, excetuando-se a Divindade verdadeira, o Deus da Bíblia.
2. O Mundo Medieval
No mundo medieval, a Igreja Latina tornou-se uma força de compensação na sociedade, verificando e limitando a autoridade do Estado. De fato, na maior parte do tempo, o tamanho e a força da igreja excederam em muito a de qualquer Estado em particular. Lord Acton estava correto ao sugerir que a prática da liberdade política no Ocidente surgiu, em grande parte, a partir deste conflito medieval Igreja-Estado. Em adição, o mundo medieval, a despeito dos seus muitos defeitos, apoiou uma grande medida de liberdade política ao promover várias instituições humanas além da igreja que alegavam fidelidade ao homem: a família, a confraria, o senhor feudal, e assim por diante. Isso significou que o Estado tinha de compartilhar sua autoridade com outras instituições igualmente legítimas. Nenhuma instituição humana pode exercer autoridade suprema.
3. O Mundo Moderno
As limitações constitucionais do poder político, das quais surgiu a prática de democracias constitucionais dos séculos 18 e 19, começaram na Inglaterra cristã com a Carta Magna. A Inglaterra também realizou o primeiro ataque bem sucedido contra a doutrina maligna do direito divino dos reis durante a Revolução Puritana na primeira metade do século 17; e em 1688-89, durante a Gloriosa Revolução de Guilherme e Maria, ela colocou o último prego no caixão desta ameaça duradoura à liberdade política. A fundação dos Estados Unidos foi a maior experiência em liberdade política daquele tempo, e ela funcionou conscientemente com base em certas premissas distintamente cristãs.
Os Fundadores, por exemplo, reconheceram a doutrina bíblica do pecado original e da depravação humana, e portanto criaram um sistema de governo civil que dividiu a tomada de decisão entre vários ramos e que não outorgou muito poder a nenhum ramo do governo civil. Segundo, eles argumentaram que o papel do governo civil é assegurar os direitos de “vida, liberdade e felicidade”, com os quais Deus, como Criador, dotou todos os homens. Em terceiro lugar, reconhecendo a doutrina bíblica de que o governo civil deveria proteger as minorias (Ex 23.9), eles elaboraram uma constituição à qual juntaram uma Declaração de Direitos, inibindo assim o surgimento de uma tirania resultante de uma rápida mudança política segundo o capricho da opinião democrática.
A liberdade política como refletida na separação de poderes, bem como nas fiscalizações e contra balanços; o papel do Estado em proteger a vida, liberdade e propriedade; e a proteção constitucional dos direitos das minorias – todos estes foram legados do cristianismo ao mundo moderno.
4. A que ponto chegará o Ocidente?
Hoje o Ocidente definha sob a violência do aborto e eutanásia, a praga do homossexualismo, a pobreza do materialismo, a coerção do socialismo, o domínio da educação “pública”, o caos do ativismo judicial, e a injustiça do racismo e sexismo impostos. Essas tiranias são todas o resultado direto do abandono do cristianismo bíblico. O mundo ocidental tem aceitado crescentemente a proposta daquele primeiro político liberal moderno, Jean Jacque Rousseau: o Estado emancipará você da responsabilidade para com todas as instituições humanas não coercivas, como a família, igreja e os negócios, se apenas você submeter-se à coerção do Estado. O homem moderno está disposto a negociar a sua responsabilidade para com a família, igreja e os negócios, trocando-a por submissão a uma ordem política crescentemente coerciva e violenta. Estamos retornando ao mundo pagão clássico, no qual o Estado coercivo é o princípio unificador de tudo na vida.
Os regimes políticos mais cruéis, violentos e assassinos na história da humanidade tem sido os não-cristãos ou anti-cristãos: o humanismo pagão primitivo dos antigos Egito, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, e o humanismo secular sofisticado da França revolucionária, União Soviética, China Vermelha, Alemanha Nazista, Itália Fascista, e outros estados seculares modernos. O humanismo é e sempre será uma receita para o terror e tirania políticos.
A única esperança para o retorno da liberdade política e da sociedade livre que ela promove é um retorno ao cristianismo bíblico e ortodoxo. O cristianismo não é meramente uma matriz na qual a liberdade política floresce; ele é o único fundamento sobre o qual se pode construir uma sociedade livre.


Fonte: 
www.lewrockwell.com

Tradução:Felipe Sabino de Araújo Neto
Revisão: Jazanias Oliveira
Publicado no site Monergismo.

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