domingo, 13 de outubro de 2013

As Sete Maravilhas Brasileiras

    O Brasil é um país lindo, cheio de encantos, diversidades, surpresas e oportunidades. É um país que, como qualquer outro, tem lá seus problemas, mas os mesmos não chegam aos pés das nossas riquezas e maravilhas naturais e de nossa gente. Conhecer o Brasil é uma experiência inesquecível, até para nós, brasileiros.
     A primeira maravilha do Brasil é o seu povo! Gente como não se vê em nenhum outro lugar no mundo. De todas as cores, credos, raças, sotaques, culturas. Somos um povo amável e pacífico. A violência que alguém possa ser vítima aqui, pode também ser em qualquer outro lugar no mundo. Isso não pode servir de óbice ao sonho que um cidadão, de qualquer lugar do mundo tenha de nos conhecer. O brasileiro é, essencialmente, acolhedor.
      A segunda maravilha do Brasil é a sua riqueza natural! A Amazônia é a nossa grande mãe e nosso maior orgulho. Berço de uma diversidade ecológica jamais encontrada em qualquer outro lugar do mundo. Nossa vasta costa marítima abriga o que há de melhor em termos de laser, ecoturismo, diversidade de fauna e flora. Somos grandes, tudo aqui é muito grande! Somos um povo abençoado por nossa grande e linda pátria.
     A terceira maravilha do Brasil é a sua beleza arquitetônica. De Brasília, nossa Capital Federal, ao Cristo Redentor, nosso marco de fé cristã, aos Orixás, símbolo máximo da fé de matriz africana, no meio da Lagoa do Abaeté em Salvador na Bahia e tantas outras riquezas do nosso patrimônio artístico, não haveria livros capaz de dar conta de tanto riqueza. Somos uma nação que cresce e se moderniza a cada dia.
     A quarta maravilha do Brasil é a sua riqueza cultural e esportiva. Nós sabemos e fazemos o melhor em música, dança, artes plásticas, literatura, cinema, teatro. No campo, na quadra, na areia, nas raias, na água, no mar, no ar, no ringue, no tatame, em qualquer esporte, nós somos gigantes! É uma pena que a nossa própria mídia só dê visibilidade ao que há de pior, entretanto, nós temos o maior celeiro de intelectuais da arte e talento dos esportes que o mundo precisa conhecer, das letras de Caetano e João Gilberto, de Aleijadinho à Casa da Flor... são tanto nomes e talentos que seria impossível nominar a todos.
   A quinta maravilha do Brasil é a nossa diversidade religiosa. Em nosso país todos somos livres para professar a nossa fé da maneira que melhor nos agrade; apesar de alguns pensarem que tem liberdade para dominar a nação, é errôneo pensar que isso pode ser aceito para limitar a liberdade alheia, aqui os ritos, as cerimônias, os cultos, as liturgias e todas as formas de manifestação de fé tem espaço, desde que respeitem as outras.
    A sexta maravilha do Brasil é a sua extensão territorial. Nosso país é muito grande, populoso, abundante, rico. Cada região tem seu encanto diferente, tem seu sotaque, sua culinária, seus modos de ser e fazer, seu clima, seu fuso horário, de modo que, o visitante vai imaginar que está em um país diferente a cada mudança de região, quando na verdade esta no Brasil, um país com todos os outros dentro.
   A sétima, mas não a última, maravilha do Brasil é sua riqueza mineral. Somos a nação que tem mais água no planeta. Temos ouro, prata, cobre, ferro, pedras preciosas, plantas, animais, solo fértil o ano inteiro, tudo em abundância. Somos autossuficientes em petróleo, gás natural, reservas minerais e muito mais. Temos orgulho de termos tudo o que o planeta pode oferecer a um povo soberano.

   Temos problemas e insatisfações como qualquer outra nação. Mas somos um povo forte, que luta, que batalha, que sabe o que quer e onde quer chegar, que é modelo de esperança, paz e prosperidade para todo o mundo e que, apesar de muitas nações não levaram fé na gente, nós vamos chegar lá, no ponto mais alto do pódio, sacudir a nossa bandeira e gritar: isso é Brasil!

sábado, 12 de outubro de 2013

A LAGOA E OS POMBOS

Dona Maria de Venância - Do curta-metragem Caminho de Feira.

Ao velho Junco, Sátiro Dias/BA.
Ainda se debruça na janela e mostra seu admirável rosto negro, dona Maria de Venância. Seu olhar entre lágrimas eleva-se as recordações das missas tridentida e sua introdução sacra: Introibo ad altere Dei, ad Deum qui leatificat juventutem meam... é uma lembrança feliz e saudosa. Hoje ela foi à feira livre, tantas recordações dos tempos de menina, as barracas enfileiradas e coloridas, os vendedores de pomadas com seus autofalantes e suas serpentes venenosas, e notou, com pesar, que nada era como dantes, falta um tom de graça e mistério, como havia antes. Assim parou em sua janela e reviu o velho Junco.
Vaqueiros desciam da Casa da Torre, comandados pelo coronel herdeiro Guilherme Dias d’Ávila, para invadir as terras dos Goveias. Ainda está lá a estrada de barro por onde chegavam os vaqueiros. Do alto se avista uma lagoa no centro de um vale verdejante, o lugar cheio de pássaros de todas as espécies, predominantemente as legiões de pombos. Era uma lagoa límpida cercada por verdejante gramado e árvores frutíferas onde se aninhavam os pombos. Era a Lagoa das Pombas. Ao redor dela paravam os vaqueiros cansados de suas viagens.
À noite, sobe a luz e o calor de uma fogueira, chegava Guidório, o melhor sanfoneiro da região e seus acompanhantes com o zabumba e o triângulo. As mocinhas prestes a se entregar ao matrimônio, vestidas da mais cara chita e impregnadas pelo aroma da alfazema, se punham a dançar elegantemente na roda e a encantar os rapazes em redor. O samba que vinha dos terreiros dos quilombos e das senzalas.
Lá pelas tantas da noite ainda tinha o melhor espetáculo: era o Drama. Homens fantasiados de mulheres e estas de homens para interpretarem papeis engraçados: o padre que em confissão beijava a mocinha; a mulher que reclama do marido beberrão; o espírito incorporando na mulher vadia; a cigana; a doida apaixonada... Tudo em versos cantados, músicas centenárias que alegraram os senhores dos engenhos por essas bandas e depois serviram de festas para os escravos recém-libertados.
Antes que o sol nascesse já se podia ouvir o tinir das enxadas sobre as pedras. Era hora de Adjutório, a festança onde os amigos se reuniam para ajudar um vizinho na capina da terra, embalados ao som dos versos alegres e dos cantadores. Meio dia o bom caruru com vatapá e galinha caipira, feita pelas mãos da velha Venância, que aprendera com sua bisavó, gente dos navios negreiros. No tempo da colheita o milho seco do paiol era jogado no terreiro, ia para a Despalha do Milho, amigos e vizinhos aquecidos pelo quentão do senhor Chico, cantavam versos e contavam piadas enquanto grãos de milhos se espalhavam pelo chão.
Na lagoa tinha o tempo das mulheres e dos homens. Pela manhã as lavadeiras com suas trouxas desciam cantarolando, lavavam e se banhavam tranquilamente: ninguém ousaria importuná-las. Quando o sol estava se pondo, desciam os homens contando histórias das caças, do gado, da roça e outras lorotas para o tempo passar, enquanto isso, eles se banhavam. Ainda tinha uma lei severa e obedecida: os banhos nunca seriam na cabeceira da lagoa, lá só a água de beber se podia apanhar. Lavar roupas e banhar-se era coisa pra corredeira.
Era assim. Maria de Venância ainda se lembra. O seu avelhantado bisavô contava tudo. Chegara a cavalo, seu jaleco e alforje de couro testemunham. Numa seca medonha que forçava os sertanejos a fugir para os seringais da Amazônia, ele achara um oásis bem pertinho do recôncavo, num vale arejado e cheio de vida.  Ao se aproximar da lagoa revoaram os pombos; ele olhou em redor e concluiu: este é o meu lar.

Esta última lágrima de dona Maria de Venância quer saber onde está a lagoa e os pombos. Os Adjutórios, a Despalha, o Drama, o Leilão Cantado. As festas e a alegria deste povo. Esta última lágrima quer saber quem deu ordens para despejarem o esgoto na lagoa, para queimarem a mata e para expulsarem de lá os pombos, per omnia sæcula sæculorum.

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