quarta-feira, 18 de julho de 2012

Um problema chamado VIOLÊNCIA

   
A brutalidade em Alagoinhas e região nos choca, mas não causa surpresa. Apesar de toda a luta contra a selvageria gratuita praticada nas ruas, a plena luz do dia, as autoridades parecem estar perdendo a batalha. Por sua vez, a sociedade se sente indefesa e coagida pelo medo sem ter a quem recorrer.  A justiça, no seu papel de punir infratores, esbarra nos entraves da burocracia da legislação penal que caduca, mas não morre, fazendo emergir nos corações em desalentos a sensação da cruel impunidade. Indignação, medo e revolta são palavras que se diz e se ouve com maior frequência nos últimos dias, mas o problema não é novo e tem nome: violência.
O que nos deixa confusos é entender como um país que não tem conflitos religiosos, não tem enfrentamentos políticos extremistas, não tem guerrilhas armadas, não tem guerra civil, não tem disputas por territórios, não está em guerra com outras nações e mesmo assim consegue aumentar o índice de homicídio 300% a mais em 10 anos? Como se conseguiu matar mais de 1 milhão de pessoas sem epidemias ou catástrofes naturais, nos últimos 30 anos?
A violência vem se espalhando das capitais para as cidades do interior de forma assustadora. A maior parte dos homicídios que ocorrem hoje está ligada ao tráfico e o alvo é, em maioria, adolescentes e jovens negros, sem instrução e de baixa renda. Violência contra mulher, idosos, homossexuais, crianças, são outra parcela preocupante.
Pois é, a violência esta cada vez mais perto de nós, e como podemos reagir? Quando abordamos o problema, falamos em "enfrentamento da violência", mas a própria palavra "enfrentamento" já sugere uma certa violência; ou "combate à violência", lá vem o termo "combate" trazendo a mesma ideia. Parece-nos aculturado que violência se vence com a própria, com a sobreposição do mais forte sobre o mais fraco.
O próprio ato de nascer é violento tanto com a mãe, que tem suas entranhas transformadas pela gravidez, quanto com o feto que é arrancado do seu conforto intrauterino pela força do fenômeno parto. O crescimento é regido pela submissão aos pais, aos colegas mais fortes, às imposições culturais da inserção do indivíduo na sociedade, os ditames dos desejos e anseios do próprio ser humano em conflito com suas possibilidades. Aqui esta justificada a frase que diz que o ser humano é violento por essência, na verdade é a caça e o caçador, o predador e a presa.
Só posso pensar que há uma espécie de violência que talvez seja justificável e aquela injustificável que precisamos combater. No primeiro caso diria que a violência do nascimento se justifica pela continuidade da vida; quando um leão come um veado, justifica-se: é a cadeia alimentar necessária à manutenção da vida natural. Mas, no segundo caso, quando um homem asfixia sua namorada, que está grávida, e a enterra, não há como justificar; quando um adolescente é morto de forma banal, não há como justificar. Nesse tipo de violência, lastimável, a Bahia hoje ocupa o terceiro lugar no ranking regional. Resta-nos compreender como será possível viver em paz em um país que na prática está em guerra.
Talvez um dia, quando houver mais justiça social, uma melhor distribuição de renda e investimentos em educação e cultura, teremos mais harmonia nas relações sociais para atingirmos o estado de paz que tanto queremos. 

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A imagem foi tirada do blog "Bitola Humana"

Baixe aqui um estudo da violência feito pela CEBELA-BRASIL.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O sensacionalismo na TV Baiana

             Exposições indevidas, antiética, exploratórias da imagem ou de fatos da vida social além de envergonhar e desmerecer os profissionais da comunicação são atitudes degradantes que promovem a humilhação pública e o desrespeito aos direitos humanos. Não apenas as entidades representativas dos jornalistas, mas ainda o Ministério Público está se mobilizando contra os maus comunicadores que fazem do sensacionalismo uma arma eficaz para prender a atenção do espectador. Para um êxito perfeito desse esforço do Ministério Público, a sociedade é convidada a se posicionar contra o sensacionalismo na TV Baiana.
            Programas sensacionalistas são aqueles que exploram imagens chocantes da miséria, da dor, do sofrimento alheio. Banalizam a vida e ferem os princípios fundamentais da dignidade e do respeito aos direitos humanos usando como pretexto a liberdade de expressão ou o direito à informação, entretanto, transformar a dor alheia em espetáculo para atrair e prender a atenção do telespectador contribui apenas para a formação de uma opinião pública distorcida da realidade; promovendo prejulgamentos e cerceando o sagrado direito de defesa, pois enquanto para a lei há inocência até que se prove o contrário, para a mídia sensacionalista há culpada mesmo provando inocência.
Em maio deste ano, um episódio jornalístico chocou a Bahia e o Brasil. Protagonizado pela jornalista Mirella Cunha da TV Band, que ao entrevistar um jovem acusado de estupro dentro da 12ª Delegacia de Polícia de Itapuã, em Salvador, demonstrou séria indiferença à situação e aos direitos do preso, fazendo chacota com a ignorância do rapaz enquanto ele chorava, humilhado, desmoralizado e jurando inocência. Um ato de crueldade e desumanidade que não pode se justificar pela suposta prática de qualquer crime que seja. Onde fica o respeito à dignidade humana e o direito constitucional que assegura aos presos sua integridade física e moral?
São casos como este que deve levar a sociedade a refletir sobre o papel da mídia. Não se trata de censurar os meios de comunicação, mas de fazer com que seus produtores, diretores, jornalistas cumpram o que reza o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, no seu artigo 6º que diz que "é dever do jornalista: opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos".
Os órgãos de justiça e o Estado devem decidir se vão ficar do lado dos “Coronéis da Mídia” baiana em combinação com os interesses políticos ou se vão cumprir a lei, preservando a integridade física e moral dos presos e punindo aqueles que permitem que fatos lamentáveis como o caso já falado continue se repetindo, pois quando pensamos que estamos prestes a ver o fim do sensacionalismo dos pseudojornalistas baianos, o Ministério Público adia a audiência pública que seria realizada na manhã do dia 10/07/2012, que tinha por objetivo tratar sobre os abusos cometidos contra a dignidade humana pelos meios de comunicação baianos e sobre as estratégias conjuntas para a proteção dos direitos humanos.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Transbaião - A cultura viaja aqui!


       No dia dedicado a São Pedro e com o objetivo de valorizar as ferrovias baianas, como meio de transporte, e fortalecer o turismo em todo o estado, o Projeto Transbaião - A cultura viaja aqui – parou a locomotiva na Estação Férrea São Francisco em Alagoinhas na tarde dessa sexta-feira, 29. O trem saiu da vizinha Catu e, por volta das 14h, chegou à cidade. Dentre as centenas de pessoas que fizeram a viagem cultural movida a forró, comidas típicas e arrasta-pé, estavam o prefeito Paulo Cezar e o idealizador do projeto deputado federal Luiz Argôlo (PP). Na programação estão previstos os shows das bandas Calypso, Del Feliz e Dominguinhos na Praça J. J. Seabra, a partir das 19h. O Transbaião promove uma viagem cultural de trem pelas estações ferroviárias mostrando os atributos naturais, turísticos e culturais dos municípios baianos. Neste ano, as homenagens são para o centenário do Rei do Baião Luiz Gonzaga. O trem já percorreu os trechos entre Dias D´Ávila e Camaçari (16/06), Camaçari/Simões Filho (17/06) e Conceição da Feira/Cachoeira. Nos dias 30/06 e 01 de julho o trem fará o trecho Alagoinhas/Entre Rios finalizando com uma grande festa no Parque Manoelito Argôlo.

      Estação São Francisco

      Com o abandono das linhas férreas brasileiras, em detrimento do transporte rodoviário, a Estação São Francisco, assim como tantas outras, caiu em desuso. A Estação Férrea de Alagoinhas é um importante registro da arquitetura ferroviária inglesa implantada no Brasil a partir da segunda metade do século 19 e se destaca por sua bela arquitetura, repleta de detalhes, formando uma tipologia muito peculiar. Dentro da Estação São Francisco está instalado um museu que conta a história da ferrovia. No mesmo ambiente funciona a Fundação Iraci Gama - FIGAM - que cuida do patrimônio histórico e cultural de Alagoinhas.

(ASCOM) Foto e matéria do site aragaonoticia

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