terça-feira, 30 de setembro de 2014

Vergonha: deslizes impunes marcam gestão do PT em órgãos de pesquisa

 Recente erro do IBGE não foi isolado. Ipea, Inep, Epe e Fiocruz também tiveram prestígio manchado por descuidos

Num intervalo de menos de seis meses, o Brasil assistiu a dois de seus principais órgãos públicos de pesquisa, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cometerem erros com efeitos desastrosos. Em ano eleitoral, revisar números sensíveis à promoção de políticas públicas envia sinal ruim à sociedade e suscita dúvidas. Afinal, está em jogo a credibilidade de instituições que são, ou deveriam ser, as principais provedoras de dados oficiais do país.
O mais recente deslize foi há uma semana e provocou revisões na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente ao ano de 2013. Um erro no cálculo do peso de algumas regiões na amostragem resultou na divulgação de indicadores incorretos, incluindo o índice Gini, que mede a desigualdade social no país. Cinco meses antes, situação parecida foi vivenciada pelo Ipea, quando o instituto revisou um dado divulgado em março, que indicava que 65% dos brasileiros concordariam total ou parcialmente com a ideia de que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas. O dado correto era 26%. “Estes erros demonstram que é necessário ter mais atenção e implementar mais critérios de checagem. Todos que trabalham com grandes massas de dados estão sujeitos a errar, mas as rotinas de crítica e checagem servem para, pelo menos, minimizar essa probabilidade”, destacou Flávio Benevett Fligenspan, professor de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Se os problemas envolvendo IBGE e Ipea fossem os únicos, já seriam razão para uma revisão rigorosa nos processos de apuração, checagem e divulgação de pesquisas. O problema é que as inconsistências são recorrentes em outros órgãos de pesquisa de áreas igualmente sensíveis, como educação, saúde e energia. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) atrasou em quase um mês a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um dos principais indicadores da qualidade do ensino no Brasil. Depois que o jornal O Globo questionou a demora, os dados foram anunciados. Antes disso, o instituto se envolveu em pelo menos três grandes escândalos relacionados a vazamentos do Enem. Para Jacqueline Quaresemin de Oliveira, diretora do instituto de pesquisa Opinare, o desgaste que erros podem causar às entidades citadas é, muitas vezes, irreversível. “Perder a legitimidade, a isenção e orçamento pode colocar em cheque uma série de ações e políticas públicas que o Estado deve cumprir com a sociedade”, afirma.
O site de ‘Veja’ fez um levantamento com os principais erros cometidos pelos institutos durante a gestão petista. Em apenas um deles, o Ipea, houve a destituição do responsável. A postura do governo diante dos deslizes tem sido, de certa forma, consistente com sua omissão contumaz. Há a promessa de apuração, mas logo tudo é varrido para debaixo do tapete. Neste aspecto, o caso do IBGE é o mais exemplar: pelo menos desde abril, o órgão tem sido alvo de clara ingerência. Senadores petistas propuseram a mudança de metodologia da Pnad Contínua, que mede a taxa de desemprego, justamente quando soube-se que o índice apurado em 2013 mostrava maior desocupação do que aquela verificada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Ao episódio, sucederam-se greves e manifestações de técnicos do instituto. Em resposta, o governo, que gasta sem medida quando lhe é conveniente, reduziu o já enxuto orçamento para o IBGE no ano que vem. É um clássico: quando a mensagem não agrada, destrói-se o mensageiro.

Fonte: Veja

domingo, 28 de setembro de 2014

Petrolão para todos

ESCRITO POR GUILHERME FIUZA

Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine no pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar. 
Dilma sobe nas pesquisas, a bolsa despenca, e lá vêm os gigolôs da bondade denunciar a trama capitalista contra o governo do povo. Mas o que dizer então da bolsa eleitoral? Quanto mais apodrece o escândalo da Petrobras, mais Dilma se recupera nas pesquisas. Será que o eleitor está querendo virar sócio do petrolão? 
Só pode ser. O espetáculo da orgia na maior empresa brasileira chegou ao auge com a delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Em ação raríssima entre os oprimidos profissionais, o réu decidiu abrir o bico. Talvez tenha aprendido com a maldição de Valério — que demorou a soltar a língua, e de repente a quadrilha (desculpe, ministro Barroso) já estava em cana.
E seu silêncio não valia mais nada. Diferentemente do operador do mensalão, o despachante do petrolão não quer mofar. E saiu entregando os comparsas. 
Apontou duas outras diretorias da Petrobras como centrais da tramoia, dando os nomes dos seus titulares — indicados, que surpresa, pela cúpula do PT. Isso em plena corrida presidencial. Então a candidata petista está ferida de morte, concluiria um marciano recém-chegado à Terra. Não, senhor marciano: após o vazamento da delação, a candidata do PT subiu nas pesquisas. 
Ora, não resta outra conclusão possível: o eleitor quer entrar na farra do petrolão. Está vendo quantos aliados de Dilma encheram os bolsos com o duto aberto na Petrobras, e deve estar achando que alguma hora vai sobrar um qualquer para ele. É compreensível. Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine quando a prospecção chegar ao pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar (a não ser os reacionários que não cultivarem as relações certas). 
É o show da brasilidade. O operador do petrolão é colocado no cargo no segundo ano do governo Lula, indicado por um amigo do rei já lambuzado pelo mensalão. No tal cargo — a Diretoria de Abastecimento da Petrobras —, ele centraliza um esquema bilionário de corrupção, que floresce viçoso à sombra de três mandatos petistas. 
A exemplo do mensalão, já se sabe que o petrolão contemplava a base aliada do governo popular. E quase 40% dos brasileiros estão dizendo que votarão exatamente na candidata desse governo lambuzado de petróleo roubado. 
Mas os progressistas continuam sentenciando, triunfais: o Brasil jamais será o mesmo depois das manifestações de junho de 2013. Nesse Brasil revolucionário, cheio de cidadãos incendiados de bravura cívica, a CPI da Petrobras, coitada, agoniza em praça pública. Sobrevive a cada semana, a duras penas, com mais um par de manchetes da imprensa burguesa e golpista, que insiste em sabotar o programa do PT (Petrolão para Todos). Tudo em vão. 
Com uma opinião pública dessas, talvez os companheiros possam até desistir do seu plano chavista de controle da imprensa: o assalto à Petrobras não faz nem cócegas no cenário eleitoral. Contando, ninguém acredita. 
O marciano está tonto. Pergunta, angustiado, que fim levou o escândalo da Wikipédia. Tinham dito a ele que dois jornalistas influentes — da teimosa parcela dos que não se venderam ao governo popular — tiveram seus perfis adulterados com graves difamações, e que isso fora feito de dentro do Palácio do Planalto. 
Agora informam-no que o selvagem da Wikipédia, outra surpresa, é filiado ao PT. E funcionário do Ministério das Relações Institucionais de Dilma. O inocente ser de Marte pergunta, já com falta de ar, o que a presidente da República está fazendo para provar que o espião não está seguindo diretrizes da cúpula do governo. 
A resposta faz o marciano desmaiar: nada. Dilma Rousseff não precisou fazer absolutamente nada para provar que o criminoso palaciano não seguiu ordens superiores. Apesar da folha corrida do PT na arte de montar dossiês e traficar informações sobre adversários, o Brasil deixou por isso mesmo. Como também tinha deixado a combinação de perguntas e respostas na CPI da Petrobras, com participação do mesmo Ministério das Relações Institucionais. 
Nem uma passeata, nem uma ruazinha fechada, nem um cartaz, nem uma queixa no Twitter. Os brasileiros abençoaram a guerra suja do PT para ficar no poder. O Brasil está louco para virar Argentina. Assistiu chupando dedo à tentativa de golpe no IBGE, com a tentativa de interrupção da pesquisa de emprego. Agora o mesmo IBGE, de forma inédita, apresenta seus indicadores anuais e desmente os dados no dia seguinte. 
Como até o marciano sabe, a companheira Kirchner adestrou o IBGE de lá, que passou a fazer música para os ouvidos do governo. O PT segue firme nessa escola, com sua já famosa maquiagem contábil, que acaba de raspar o Fundo Soberano para ajudar a fechar a conta da farra. 
O eleitor está certo: vamos reeleger Dilma. Assim chegará o dia em que não apenas a elite vermelha, mas todo brasileiro terá direito à propina própria. Chega de desigualdade.

Decadência Generalizada

Escrito por Marcos Coimbra*

Nosso amado Brasil está sofrendo infelizmente as graves consequências ocasionadas pelas pífias administrações que assolam o país há 20 anos. De fato, são duas faces da mesma moeda, o PSDB e o PT. Porém, a situação foi agravada acentuadamente nos últimos quatro anos.
A imagem vendida por Lula de que Dilma seria uma eficiente gerente não corresponde à realidade.
Principia pela ausência de um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Para a reeleição, até agora também nada, a menos de duas semanas do pleito. Comenta-se que existem duas razões principais para isto: de fato, não há projeto e aquilo que existe não pode ser apresentado, devido ao conflito existente entre o pensamento da presidente e o do PT. Outros asseveram que a coordenação da campanha petista não quer deixar o flanco aberto para críticas. Desejam um cheque em branco do eleitorado para fazerem aquilo que quiserem após as eleições.
Continua pela péssima gestão demonstrada em sua administração. Órgãos antes respeitados internacionalmente, motivo de orgulho para os brasileiros, começam a cometer erros gritantes, causando danos severos às respectivas imagens. Recentemente, exemplos flagrantes são:
1) a sucessão de escândalos envolvendo a maior de nossas empresas, símbolo da competência brasileira, a qual está dentro do coração de todos os patriotas ainda existentes no país, a nossa maltratada Petrobras, em função principalmente do loteamento político-partidário de seus principais cargos, entregues a políticos ávidos por recursos e poder, incompetentes e inescrupulosos, a saquear nosso patrimônio;
2) o equívoco cometido pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), subordinado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República, em pesquisa realizada em março do corrente ano, sobre tolerância com estupro ao dizer que 65% dos entrevistados concordam que mulheres com roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas, quando o correto é 26%, segundo declaração retificadora feita em abril;
3) o grave erro cometido pelo respeitado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela primeira vez em sua principal pesquisa, ou seja, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2013) que mostra o retrato socioeconômico do país, com dados do mercado de trabalho, educação e acesso a bens do pais, quando expandiu o peso de regiões metropolitanas em sete estados do Brasil, ocasionando vários erros, corrigidos rapidamente, em função do alerta de usuários do órgão. O principal deles foi no relativo ao Índice de Gini, o qual estava em 2012 em 0,496, foi para 0,498 no dado anunciado preliminarmente, caindo para 0,495, após a correção anunciada (quanto mais próximo de zero, mais igualdade na repartição de renda).
A diretora-executiva do sindicato de funcionários do IBGE, o ASSIBGE-SN, Ana Magni, afirmou na semana passada que o erro na Pnad é resultado das más condições de trabalho no instituto, com poucos recursos materiais e humanos para um excesso de trabalho e prazos apertados. “É um alerta que vínhamos fazendo: muito pouca gente, para muito trabalho e pressão de prazos. É um erro básico, que pode ocorrer com qualquer um que tenha que trabalhar com essa pressão” asseverou ela. Na sua avaliação, a situação hoje é ainda pior do que durante a greve, entre os dias 26 de maio e 12 de agosto, já que o Ministério do Planejamento anunciou novos cortes no orçamento do IBGE (do total pedido de R$766 milhões para o orçamento de 2015, foram amputados R$ 562 milhões). Além disto, de acordo com o Sindicato, existem mais de 3.700 funcionários do IBGE com mais de 26 anos de tempo de serviço, perto de se aposentar.
É oportuno salientar que a taxa média do desemprego das seis principais regiões metropolitanas no país não foi divulgada nos meses de maio, junho e julho, por causa da greve, bem como o IBGE já havia sofrido uma crise institucional este ano, quando a administração federal decidiu interromper a divulgação dos dados da Pnad Contínua, que acompanha o mercado de trabalho, voltando atrás devido à reação do corpo técnico do órgão. Outras pesquisas previstas já serão atingidas, como a Contagem da População e o Censo Agropecuário, que deveriam ter o planejamento iniciado em 2015, mas foram suspensas em setembro.
E estes exemplos repetem-se em muitos outros setores.  De fato, o Brasil real é muito diferente do Brasil virtual apresentado na propaganda eleitoral petista. Nunca antes na história deste país houve tamanha manipulação de dados e fatos, uso escancarado da máquina pública para reeleger a quem está causando tantos malefícios ao povo brasileiro, abusivo emprego de vultosos recursos de origem desconhecida. É urgente providenciar a alternância no poder, propiciando oportunidade a quem possa empreender uma alteração radical nos descaminhos identificados ao longo destes últimos anos. Chega de corrupção!
À luta, brasileiros, enquanto ainda é possível realizar ações concretas para eliminar a incompetência e os “malfeitos” existentes. Ainda existe esperança, apesar da vulnerabilidade da apuração eletrônica com urnas de primeira geração, só utilizadas pelo Brasil.




*Marcos Coimbra é Economista e Professor, Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e Autor do livro Brasil Soberano.


Correio eletrônico: mcoimbra@antares.com.br
Página: http://www.brasilsoberano.com.br/ (Artigo de 24.09.14-MM).

sábado, 27 de setembro de 2014

"Os saqueadores"

Escrito por Ives Gandra Martins*
 
Ayn Rand (1905-1982) foi uma filósofa, socióloga e romancista com aguda percepção das mudanças que ocorreram na comunidade internacional, principalmente à luz do choque entre o sucesso do empreendedorismo privado e o fracasso da estatização populista dos meios de produção, na maior parte dos países de ideologia marxista. Seu romance A Revolta de Atlas, escrito há mais de 50 anos, talvez seja o que melhor retrata a mediocridade da corrente de assunção do poder por despreparados cidadãos que têm um projeto para conquistá-lo e mantê-lo com slogans contra as elites em "defesa do povo", o que implica a destruição sistemática, por incompetência e inveja, dos que têm condições de promover o desenvolvimento.
No romance, os medíocres ameaçam o governo dos Estados Unidos e começam a controlar e assumir os empreendimentos que davam certo, sob a alegação de que os empreendedores queriam o lucro, e não o bem da sociedade. Tal política tem como resultado a gradual perda de competitividade dos americanos, o estouro das finanças, a eliminação das iniciativas bem-sucedidas e a fuga dos grandes investidores e empresários, que são perseguidos, grande parte deles desistindo de administrar suas empresas, com o que os governantes se tornam ditadores e o povo passa a ter os serviços públicos e privados deteriorados.
Não contarei mais do romance, pois o símbolo mitológico de Atlas, que sustenta o globo, é lembrado na revolta dos verdadeiros geradores do progresso da Nação.

Direito ao voto



Em outubro próximo todos os cidadãos brasileiros deverão comparecer a uma zona eleitoral para votar. Jovens a partir dos 18 anos e idosos com menos de 70 são obrigados por lei a comparecer às urnas eleitorais. Jovens de 16 até os 18 votam, mas gozam do privilégio do voto facultativo assim como os idosos acima dos 70 anos.
Mas a final, voto é de fato um direito ou uma obrigação? No Brasil, desde a constituição de 1824 o voto é obrigatório. O voto, portanto, sempre foi obrigatório. Embora o voto seja um direito dos cidadãos dentro da democracia representativa, sua obrigatoriedade atenta contra a liberdade do cidadão ao constrange-lo. Como a base de toda democracia é a liberdade, o voto obrigatório é um atentado à liberdade individual e um freio na plenitude da democracia.
Na verdade, votar é uma obrigação secundária. O que de fato não é permitido é que o cidadão deixe de justificar a ausência no pleito. Até 60 dias após o pleito, o cidadão deve justificar, seja na seção eleitoral, no cartório eleitoral ou enviando a justificativa via correios para a zona em que é inscrito. Segundo o TSE, em 2010, a quantidade de brasileiros que não apareceu para votar chegou a 29,1 milhões, isto é, 21,50% dos eleitores não votaram, porém, a maior parte destes compareceram nas suas zonas eleitorais para justificar. Desse ponto de vista, o voto ganha feições de voto facultativo.
O movimento pelo voto facultativo cresce no Brasil. A pesquisa Datafolha aponta que 61% dos brasileiros são contra o voto obrigatório. Uma das forças inegáveis desse movimento é o fato de o brasileiro estar desacreditando na “política”, nos “políticos” e nas instituições democráticas.
Vivemos o auge das crises éticas dos agentes nas instituições, consubstanciada na corrupção galopante e na fabricação de falsas verdades. Exemplo disso são as divulgações de dados equivocados pelo IBGE e pelo IPEA, instituições tão conceituadas cuja credibilidade vem sendo abalada pela publicação de erros primários; equívocos injustificáveis para instituições que não se dedicam a outra coisa senão ao levantamento e análise de dados. A política, por sua vez, na opinião da maioria dos brasileiros, goza de desprestígio e desconfiança motivados, principalmente, pelos constantes escândalos de corrupção. Assim, a descrença na “política” se generaliza e as instituições já não demonstram mais zelo pela verdade.
O sentimento de repulsa da população pela “politica” representativa constituiu um perigo eminente já que, a alternativa a uma democracia representativa seria uma ditadura, que é infinitamente pior, pois nelas a liberdade é cerceada. A história prova que nenhum governo totalitário ou ditadura absolutista fez uma nação progredir, justamente pela ausência da liberdade que impede o povo de ser produtivo e criativo. Thomas Jefferson dizia que “quando o governo cresce, a liberdade diminui”, esse pensamento unido ao de Ayn Rand que afirma: “o declínio da liberdade de um país, é o declínio da sua prosperidade”, nos mostram quão perigoso é o crescente desinteresse pela política no Brasil.
Se por um lado o voto facultativo demonstra o quão avançada é a democracia de um país, por outro, no caso específico do Brasil, pode constituir-se num retrocesso à democracia, já que os sujeitos mais ativos politicamente lutam pela imposição de “direitos” de minorias sobre a maioria e pela criação de uma “sociedade mais justa” que só existe nos sonhos e utopias. Haveremos de entender que, como diz o filósofo Olavo de Carvalho "A única sociedade justa que pode existir na realidade, e não em sonhos, é aquela que, reconhecendo sua incapacidade de “fazer justiça” – sobretudo a de fazê-la de uma vez para sempre, perfeita e uniforme para todos –, não tira de cada cidadão a oportunidade de lutar pela modesta dose de justiça de que precisa a cada momento da vida."
Por pior que pareça a obrigação de votar não vai doer ou fazer mal a quem quer que seja, não dar pra votar, não vote, justifique. Mas não pratique o leviano desejo de votar em gente insignificante e intelectualmente incompetente como costumamos fazer ao votar em jogadores de futebol, lutadores, palhaços, artistas de TV, cantores, entre outras tranqueiras que se aproveitam da exposição na mídia para se locupletar do erário público sem demonstrar o menor interesse pela vida pública da nação. Que seja o voto obrigatório feito com responsabilidade, consciência e senso de justiça, dado a quem tenha vida pública ilibada ou, caso contrário, apenas justificado.

O COMUNISMO, ESSE INSEPULTO

ESCRITO POR PERCIVAL PUGGINA

Um leitor recomendou-me comentar o artigo de Leonardo Boff publicado no JB de 25 de agosto com o título de "O socialismo não foi ao limbo". É o que faço aqui.

 O artigo de Boff, resenhado, fica assim:

1) caiu o Muro de Berlim, muro do socialismo existente, que se reconhece violador de direitos humanos, autoritário, etc; 2) caiu, também, o muro de Wall Street e se deslegitimaram o neoliberalismo e o capitalismo; 3) o capitalismo centralizaria uma riqueza imensa em 737 grupos econômico-financeiros enquanto 85 pessoas acumulariam recursos equivalentes aos ganhos de 3,5 bilhões de pobres; 4) é necessário recuperar a experiência das reduções jesuítas e o comunismo da república comunista cristã dos guaranis; 5) o socialismo é tudo de bom; 6) o capitalismo é tudo de ruim e seus efeitos na sociedade são terríveis; 7) a única saída é acabar com a propriedade privada e instituir a propriedade social dos meios de produção, acautelando-se para que os indivíduos adiram a esse projeto de modo consciente e queiram viver as novas relações.
                                                                                            ***
Quero ater-me, aqui, às acusações que Leonardo Boff faz às economias livres. É como se do exílio do povo hebreu no Egito às investidas do Estado Islâmico, raros fossem os males da humanidade não derivados do neoliberalismo e do capitalismo. Ora, se a história andasse como ele a descreve, viveríamos sob inimaginável convulsão social, na guerra de todos contra todos (o armagedon que ele prenuncia), com uma queda de Bastilha por semana.
Diferentemente do que acontece com os socialismos e com o comunismo, as liberdades econômicas não tiveram um fundador, não tiveram um Marx na potência -1 para concebê-las. Ninguém apareceu na humanidade para excitar, na mente da plebe, legítimos anseios de realização pessoal por meios próprios. Ninguém preconizou: "Monta tua empresa, cria teu negócio, põe tua criatividade em ação, persegue teus ideais!". Tais bens da civilização foram conquistas dos indivíduos, no mundo dos fatos, na ordem da natureza, e têm sido o cada vez mais eficiente motor do progresso econômico e social.
Enquanto lê "O socialismo não foi ao limbo", o leitor vai sendo induzido a crer que a miséria de tantos, no mundo de hoje, é produto ou subproduto inevitável da economia de empresa. Portanto, os miseráveis da África e da Ásia eram seres humanos que viviam na abundância, na mesa farta e na prodigalidade dos frutos da natureza até que o famigerado capitalismo aparecesse para desgraçar suas vidas. O fato de que nas regiões do mundo onde se perenizam as situações que Boff descreve não exista uma economia livre, não haja empresas, nem empregos, parece passar ao largo das considerações do ex-frei. Vale o mesmo para a inoperância, nessas regiões, do braço do Estado, que o comunismo apresenta como sempre benevolente.
Cinco realidades vazam para a valeta lateral da pista por onde ele anda com sua análise dos sistemas econômicos. São fatos esféricos: 1) a fome era endêmica na Europa até meados do século passado e foi a economia de mercado que criou, ali, a prosperidade; 2) sempre que os meios de produção viraram propriedade do Estado a fome grassou mesmo entre os que plantavam; 3) enquanto as experiências coletivistas conseguiram, como obra máxima, nivelar a todos na miséria, a China, com o capitalismo mais rude de que se tem notícia, em poucas décadas, resgatou da pobreza extrema mais de 500 milhões de seres humanos (Word Bank, China Overview, apr/2014); 4) não é diferente a situação no Leste da Ásia, inclusive no Vietnã reunificado e comunista, no Camboja do Khmer-Vermelho, no Laos e na Tailândia; 5) quem viaja pelo Leste Europeu sabe quanto as coisas melhoraram por lá desde que as economias daqueles países, infelicitados pelo dogmatismo comunista, se libertaram do tacão soviético.
A história mostra, enfim, que o comunismo é imbatível quando se trata de gerar escassez, miséria e aviltamento da dignidade humana.  Nossa Ibero-América, onde as prescrições políticas e econômicas do Foro de São Paulo ditam regras para muitos países, parece nada aprender das constatações acima. Consequentemente, as coisas andam mal e é preciso botar a culpa em qualquer um que não nos vendedores de ilusões, nas utopias que se requebram como odaliscas, nos delírios do neocomunismo, nos corruptos e nos corruptores. Decreta-se, então, para todos os males, a responsabilidade da economia de empresa, do capitalismo e, sim, claro, dos Estados Unidos.
_____________
* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
 

Alberto Youssef vai falar, a tremedeira começou!

O ESTADO DE S.PAULO - Os políticos andam especialmente nervosos nestes dias - e não é porque está se entrando na reta final da campanha para as eleições de 5 de outubro. A inquietação vem do que e quando o megadoleiro Alberto Youssef contar da história escabrosa do envolvimento de ilustres representantes da elite do poder em falcatruas para ninguém pôr defeito. Preso há seis meses graças à Operação Lava Jato, da Polícia Federal - que apanhou também o ainda mais notório diretor de abastecimento da Petrobrás entre 2004 e 2012, Paulo Roberto Costa -, Youssef é suspeito de ter branqueado algo como R$ 10 bilhões. A dinheirama percorria os conhecidos caminhos dos contratos superfaturados, tráfico de influência, pagamento de propinas e remessas para o exterior. O próprio Costa despachou para a Suíça uma bolada de US$ 23 milhões.
Imitando o petrocrata, que teria identificado uma trintena de figurões do governo e do Congresso Nacional que se esbaldaram no interminável carnaval de corrupção, o seu amigo e parceiro Youssef também achou que era o caso de fechar um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no Paraná, onde está detido. Réu em nada menos de nove ações, foi convencido pela família a entregar a clientela não na esperança de ser libertado, o que motivou Costa, mas de não encanecer na cadeia. É o máximo que pode pretender, porque descumpriu a promessa de mudar de vida quando fez um acerto do gênero há 10 anos, no escândalo do Banestado - e isso não ficará de graça. Na quarta-feira, ao se divulgar que ele prestou o primeiro do que decerto será um extenso rol de depoimentos, um surto de tremedeira percorreu gabinetes políticos e escritórios executivos.
Como se o jogo tivesse sido combinado, nesse mesmo dia o Tribunal de Contas da União (TCU) apresentou as conclusões de uma auditoria em quatro contratos assinados pela Petrobrás com consórcios liderados por gigantes do ramo da construção pesada, como as empreiteiras Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht, relativos a obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A instalação, que começou a ser construída em 2007 para operar a partir de 2011, é um poço sem fundo de lama. O projeto foi um presente que o então presidente Lula pretendeu dar para o caudilho venezuelano Hugo Chávez, que só entrou no negócio com a sua assinatura, ficando tudo mais por conta do Brasil, aos diligentes cuidados de Paulo Roberto Costa. Ainda sem data para ficar pronta, a obra é um portento de dinheiro desviado. Era para custar US$ 2,5 bilhões. Já engoliu US$ 20 bi - e a contagem continua.
Agora, a mais recente perícia do TCU aumentou em R$ 367 milhões a lambança de gastos superfaturados. Os citados consórcios se beneficiaram, segundo o órgão, de "desequilíbrio econômico e financeiro em desfavor da Petrobrás", do que haveria "fortes indícios", assim como no caso de "pagamentos indevidos" às construtoras. "Os pesos adotados na fórmula de reajustes dos contratos", relatou o ministro José Jorge, "não retratariam a variação dos custos de produção decorrente da inflação no período." Os reajustes mais gravosos ocorreram no quesito mão de obra, com variações da ordem de 70% a 80%. Daquele total, a estatal já desembolsou R$ 242 milhões. Os R$ 125 milhões restantes seriam pagos até maio do próximo ano. Mas o TCU aprovou uma medida cautelar obrigando a contratante a adotar uma nova tabela de preços para pôr os valores nos seus devidos termos.
Por dever de ofício e com algum otimismo, o relator disse esperar "uma melhoria dos procedimentos internos da Petrobrás relativamente à delimitação das condições de reajustes pactuadas em suas contratações de obras". O retrospecto dessa dezena de anos em que a maior empresa brasileira foi sendo gradativamente transformada numa extensão do aparato petista de poder desautoriza, porém, prognósticos de purificação cabal dos procedimentos na petroleira. Isso, mesmo tomando pelo valor de face a propalada preocupação com a lisura da atual diretoria executiva, comandada pela presidente Graça Foster. Fica a expectativa de que os efeitos das delações da dupla Costa & Youssef justifiquem o nervosismo de todos quantos empanzinaram o seu patrimônio à custa do País.

Manifesto de generais de alta patente da reserva ataca Comissão da Verdade

Tânia Monteiro  O Estado de São Paulo - 26/09/14

General Nilton Cerqueira em depoimento à Comissão Nacional da Verdade
Documento assinado por 27 membros que atingiram o mais alto posto da hierarquia militar afirma que Exército 'não pedirá desculpas'
 Brasília - Vinte e sete generais de Exército da reserva assinaram um manifesto com críticas ao ministro da Defesa, Celso Amorim. No documento obtido pelo Estado, os generais, que atingiram o mais alto posto da hierarquia militar, afirmam abominar "peremptoriamente" a declaração dada pelo ministro, na semana passada, à Comissão Nacional da Verdade (CNV), de que as Forças Armadas aprovaram e praticaram atos que violaram direitos humanos no período militar.
Depois de ressaltar que, "sempre que pode", a Comissão "açula" as Forças Armadas, provocando-as, e exigindo que elas peçam desculpas, o grupo, do qual fazem parte três ex-ministros do Exército, declaram que "se houver pedido de desculpas será por parte do ministro". E avisam: "Do Exército de Caxias não virão (desculpas)! Nós sempre externaremos a nossa convicção de que salvamos o Brasil!".
Os generais, ex-integrantes do Alto Comando do Exército e antigos comandantes de importantes unidades militares de todo o Brasil, justificam a necessidade do manifesto, lembrando que militares da ativa não podem dar declarações políticas, mas que os da reserva, que podem falar, "têm justos motivos para replicarem com denodada firmeza" para que não pareça estar em vigor o famoso ditado "Quem cala consente!".
O manifesto reforça e endossa declaração já dada, no início da semana, pelo ex-comandante Militar da Amazônia, o também general quatro estrelas da reserva Augusto Heleno, que reiterou que, em nenhum momento, as Forças Armadas reconhecem a tortura ou pediram desculpas e que este gesto veio do ministro Celso Amorim.
No manifesto, assinado pelos ex-ministros Leonidas Pires Gonçalves (do Exército, no governo Sarney) , Zenildo Zoroastro de Lucena (do Exército, no governo Itamar e Fernando Henrique) e Rubens Bayma Denys (da Casa Militar, no governo Sarney), quatro ministros do Superior Tribunal Militar e outros 20 quatro-estrelas da reserva, os militares ressaltam que existe uma lei da Anistia em vigor que a Comissão da Verdade insiste em desconsiderá-la.
Os generais lembram ainda que viveram "uma época de conflitos fratricidas, na qual erros foram cometidos pelos dois lados". E prosseguem: "nós, que vivemos integralmente este período, jamais aprovamos qualquer ofensa à dignidade humana, bem como quaisquer casos pontuais que, eventualmente surgiram". Citam também que "os embates não foram iniciados" por eles "pois não os desejávamos" e que não se pode esquecer do "atentado no aeroporto de Guararapes". Eles se referem à explosão de uma mala que matou 16 pessoas no local onde o avião do ex-presidente Costa e Silva iria pousar e não o fez por uma pane no aparelho.
Os generais criticam a Comissão da Verdade, afirmando que "a credibilidade" dela vai "gradativamente se esgotando pelos inúmeros casos que não consegue solucionar, tornando-se não somente um verdadeiro órgão depreciativo das Forças Armadas, em particular do Exército, como um portal aberto para milhares de indenizações e "bolsas ditadura", que continuarão a ser pagas pelo erário público, ou seja, pelo povo brasileiro". Afirmam ainda que "falsidades, meias verdades, ações coercitivas e pressões de toda ordem são observadas a miúdo, e agora, de modo surpreendente, acusam as Forças Armadas de não colaborarem nas investigações que, em sua maioria, surgem de testemunhas  inidôneas e de alguns grupos, cuja ideologia é declaradamente contrária aos princípios que norteiam as nossas instituições militares".
Ainda no manifesto, os generais lembram que "o lado dos defensores do Estado brasileiro foi totalmente apagado", sugerindo que ali "só existem criminosos e torturadores". Mas destacam que, "por outro lado, a comissão criou uma grei constituída de guerrilheiros, assaltantes, sequestradores e assassinos, como se fossem heroicos defensores de uma "democracia" que, comprovadamente, não constava dos ideais da luta armada, e que,  até o presente, eles mesmos não conseguiram bem definir". E ironizam: "seria uma democracia cubana, albanesa ou maoísta? Ou, talvez, uma mais moderna como as bolivarianas?"

Íntegra do MANIFESTO À NAÇÃO BRASILEIRA, assinado pelos militares

"Nós, Generais-de-Exército, antigos integrantes do Alto Comando do Exército e antigos Comandantes de Grandes Unidades situadas em todo o território nacional, abominamos peremptoriamente a recente declaração do Sr. Ministro da Defesa à Comissão Nacional da Verdade  de que as Forças Armadas aprovaram e praticaram atos que violaram direitos humanos no período militar. Nós, que vivemos integralmente este período, jamais aprovamos qualquer ofensa à dignidade humana, bem como quaisquer casos pontuais que, eventualmente surgiram. Vivíamos uma época de conflitos fratricidas, na qual erros foram cometidos pelos dois lados. Os embates não foram iniciados por nós, pois não os desejávamos. E, não devemos nos esquecer do atentado no aeroporto de Guararapes.
A credibilidade dessa comissão vai gradativamente se esgotando pelos inúmeros casos que não consegue solucionar, tornando-se não somente um verdadeiro órgão depreciativo das Forças Armadas, em particular do Exército, como um portal aberto para milhares de indenizações e "bolsas ditadura", que continuarão a ser pagas pelo erário público, ou seja, pelo povo brasileiro. Falsidades, meias verdades, ações coercitivas e pressões de toda ordem são observadas a miúdo, e agora, de modo surpreendente, acusam as Forças Armadas de não colaborarem nas investigações que, em sua maioria, surgem de testemunhas  inidôneas e de alguns grupos, cuja ideologia é declaradamente contrária aos princípios que norteiam as nossas instituições militares.
A Lei da Anistia  - ratificada em decisão do Supremo Tribunal Federal e em plena vigência -  tem, desde a sua promulgação, amparado os dois lados conflitantes. A Comissão Nacional da Verdade, entretanto, insiste em não considerar esse amparo legal. O lado dos defensores do Estado brasileiro foi totalmente apagado. Só existem criminosos e torturadores. Por outro lado, a comissão criou uma grei constituída de guerrilheiros, assaltantes, sequestradores e assassinos, como se fossem heroicos defensores de uma "democracia" que, comprovadamente, não constava dos ideais da luta armada, e que,  até o presente, eles mesmos não conseguiram bem definir. Seria uma democracia cubana, albanesa ou maoísta? Ou, talvez, uma mais moderna como as bolivarianas?
Sempre que pode a Comissão Nacional da Verdade açula as Forças Armadas, exigindo que elas peçam desculpas. Assim, militares inativos, por poderem se pronunciar a respeito de questões políticas, têm justos motivos para replicarem com denodada firmeza, e um deles é para que não vigore o famoso aforismo "Quem cala consente!". Hoje, muitos "verdadeiros democratas" atuam em vários níveis de governo, e colocam-se como arautos de um regime que, paulatinamente, vai ferindo Princípios Fundamentais de nossa Constituição. O que nós, militares fizemos foi defender o Estado brasileiro de organizações que desejavam implantar regimes espúrios em nosso país. Temos orgulho do passado e do presente de nossas Forças Armadas. Se houver pedido de desculpas será por parte do ministro. Do Exército de Caxias não virão! Nós sempre externaremos a nossa convicção de que salvamos o Brasil!

GENERAIS-DE-EXÉRCITO SIGNATÁRIOS

LEONIDAS PIRES GONÇALVES (*); ZENILDO DE LUCENA (*); RUBENS BAYMA DENYS (*), JOSÉ ENALDO RODRIGUES DE SIQUEIRA (**); JOSÉ LUIZ LOPES DA SILVA (**); VALDÉSIO GUILHERME DE FIGUEIREDO (**); RAYMUNDO NONATO CERQUEIRA FILHO (**); PEDRO LUIS DE ARAÚJO BRAGA; ANTÔNIO DE ARAÚJO MEDEIROS; FREDERICO FARIA SODRÉ DE CASTRO; LUIZ GONSAGA SCHOROEDER LESSA; GILBERTO BARBOSA DE FIGUEIREDO; RÔMULO BINI PEREIRA; CLAUDIO BARBOSA DE FIGUEIREDO; DOMINGOS CARLOS DE CAMPOS CURADO; IVAN DE MENDONÇA BASTOS; PAULO CESAR DE CASTRO; LUIZ EDMUNDO MAIA DE CARVALHO; LUIZ CESÁRIO DA SILVEIRA FILHO; CARLOS ALBERTO PINTO E SILVA; JOSÉ BENEDITO DE BARROS MOREIRA; MAYNARD MARQUES SANTA ROSA; RUI ALVES CATÃO; AUGUSTO HELENO RIBEIRO PEREIRA; RUI MONARCA  DA SILVEIRA; AMÉRICO SALVADOR DE OLIVEIRA; e GILBERTO BARBOSA ARANTES.

(*) - ANTIGOS MINISTROS DE ESTADO
(**) - ANTIGOS MINISTROS DO STM"

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O bem e o mal segundo Olívio Dutra

ESCRITO POR OLAVO DE CARVALHO

Um empresário é um sujeito que ganha a vida organizando a atividade econômica. Ele acumula um capital, investe, ganha, paga suas dívidas para com os fornecedores, os empregados e o Estado, e no fim, se todo dá certo, tem um lucro. A quase totalidade do lucro é reinvestida no mesmo ou em outros negócios. Uma parte ínfima ele pode gastar em benefício próprio e da família. Se seu negócio é muito, muito próspero, mesmo essa parte ínfima basta para que ele compre mansões, iates, jatinhos e jatões, carros de luxo, cavalos de raça, e tenha, se é do seu gosto, múltiplas amantes. Em geral ele se contenta com muito menos.

Um político de esquerda é um sujeito que ganha a vida tentando jogar os empregados contra os empregadores. Ele mostra aos operários os aviões, os cavalos de raça e os carros de luxo do patrão e grita: "É roubo!" No começo ele faz isso de graça. É um investimento. Assim como o empresário investe dinheiro, ele investe insultos, gestos, caretas de indignação, apelos à guilhotina. Em troca, dão-lhe dinheiro. Ele vive disso. Quando alcança o sucesso, pode dispor de mansões, iates, jatinhos e jatões, carros de luxo, cavalos de raça e amantes em quantidade não inferior às do mais próspero capitalista.

Tanto a atividade do empresário quanto a do político de esquerda pode ser exercida de maneira honesta ou desonesta. O empresário pode dar golpes em seus fornecedores, vender produtos fraudados, sonegar o pagamento devido aos operários, ou então pode pagar tudo direitinho e vender produtos bons. Do mesmo modo, o político de esquerda pode desviar dinheiro público, utilizar-se indevidamente de imóveis do Estado, possuir sob ameaça aterrorizadas empregadinhas domésticas como o fazia Mao-tsé-tung. Ou então pode fazer tudo dentro da lei que ele próprio instaurou e ser incorruptível como Robespierre.

A diferença é a seguinte: da atividade do empresário, mesmo o mais desonesto, resultam sempre uma ativação da economia, uma elevação da produtividade, a expansão dos empregos. Esses resultados podem vir em quantidade grande ou pequena, mas têm de vir necessariamente, pela simples razão de que "empresa" consiste em produzi-los e em nada mais.

Da atividade do político de esquerda, mesmo o mais honesto, resultam sempre um aumento do ódio entre as classes, o crescimento do aparato estatal que terá de ser sustentado pelos padrões com dinheiro extraído aos empregados e consumidores, a politização geral da linguagem que transformará todos os debates em confrontos de força e, em última instância, desembocará num morticínio redentor. Esses resultados também podem vir em quantidades grandes ou pequenas, mas virão necessariamente, pois "política de esquerda" consiste em produzi-los e em nada mais.

Um empresário, honesto ou desonesto, está no auge do sucesso quando pode, sem prejuízo de seus investimentos, comprar mansões, iates, carros de luxo, jatinhos, jatões etc. Ele alcança isso quando se torna um mega-empresário. Para chegar a esse ponto, ele tem de deixar em seu rastro fábricas, bancos, plantações, jornais, canais de TV e mil e um outros negócios dos quais vivem e prosperam milhares de pessoas.

Em político de esquerda, honesto ou desonesto, está no auge do sucesso quando destruiu toda oposição às suas idéias e comanda uma sociedade fielmente disposta a realizá-las. Ele alcança isso quando se torna o chefe de uma revolução vitoriosa. Para chegar a esse ponto, ele tem de deixar em seu rastro milhares ou milhões de cadáveres, edifícios destruídos, plantações queimadas, órfãos e viúvas vagando pelas ruas, fome, miséria e desespero.

O governador Olívio Dutra acha que é imoral ser empresário e que é lindo ser um político de esquerda.

Ele não tem maturidade intelectual suficiente para perceber que o sucesso final de um empresário, mesmo desonesto, traz sempre mais bem do que mal, e que o sucesso final de um político de esquerda, mesmo inflexivelmente honesto como ele, produz uma quantidade de mal acima do que qualquer bem poderá jamais reparar.

O governador Olívio Dutra, como qualquer outro político de esquerda, tem uma consciência moral deformada por um uso falso da linguagem. Ele ouviu dizer na infância: "Lucro egoísta", "justiça social", e impregnou-se de tal modo desses símbolos verbais do mal e do bem, que pôs sua vida a serviço do que lhe parece uma nobre causa: combater as coisas que têm nomes feios e louvar as que têm nomes bonitos. Uma coisa que criou as nações mais prósperas e livres da Terra deve ser muito má, pois tem o nome hediondo de "lucro egoísta". Uma coisa que matou cem milhões de bodes expiatórios e reduziu à escravidão e à miséria um bilhão e meio de outros inocentes deve ser ótima, pois leva o belo nome de "justiça social".

Romper a unidade mágica de nomes e coisas é uma operação dolorosa. Custa vergonhas e humilhações à mente altiva. Mas é o preço da maturidade. No julgamento são do homem maduro – o "spoudaios" --, via Aristóteles a única esperança de um governo justo, do predomínio, ainda que relativo e precário, do bem sobre o mal. Não existe bem onde não existe amor à verdade, e não existe amor à verdade onde uma mente obstinada se apega ao instinto pueril de julgar as coisas pelos nomes que ostentam.

O problema do governador Olívio Dutra, assim como de milhares que pensam como ele, já foi diagnosticado por Jesus Cristo dois milênios atrás: "Na verdade, amais o que devíeis odiar e odiais o que devíeis amar." Eles pecaram contra o Espírito, protegendo-se por trás da belas palavras contra a visão das realidades feias, e receberam como castigo exatamente aquilo que pediam: a cegueira forçada tornou-se espontânea, e hoje a sua moralidade invertida lhes parece a atitude mais natural do mundo, a única maneira possível de julgar as coisas -- o caminho do bem, fora do qual tudo é perdição e "lucro egoísta".

Não creio sequer que valha a pena rezar para que despertem. Eles não despertarão enquanto não enviarem milhões de seres humanos para o sono eterno.

Em luta contra a realidade

ESCRITO POR COLOMBO MENDES
Como um bom "coxinha", "opressor", "fascista" e "reaça", estou trabalhando na sexta-feira à noite, enquanto aquela gente linda, revolucionária, do bem, está por aí, chapando o melão por um mundo melhor. De repente, chega a mim, desde a sala, uma voz afetada a latir algo assim: "PELO CONTROLE DAS FÁBRICAS E DO CAMPO PELOS TRABALHADORES!". Era um candidato a deputado estadual pelo Partido Comunista do Brasil.
Se por aqui 1 mais 1 fossem 2, só ouviríamos esse tipo de besteira em documentários. Socialistas e comunistas, os irmãos ricos, chiques e bem-sucedidos de nazistas e fascistas, mataram mais de 100 milhões de pessoas e destruíram talentos, obras de arte, bibliotecas e países. Entretanto, seguem por aí, firmes e fortes, a fazerem campanha política paga por nós, contribuintes, enquanto deveriam habitar a lixeira da história, junto com seus irmãos ítalo-germânicos.
Ademais, o mais importante a ressaltar é que esse tipo de discurso, em favor dos trabalhadores, é sustentado, em geral, por gente que não trabalha.
Os maiores supostos defensores dos trabalhadores, dos operários e dos campesinos são professores universitários, sindicalistas e massa de manobra de partidos políticos. Ou seja, gente que, em geral [é óbvio que há exceções!] sequer sonha com o que venha a ser a realidade.
Ou nunca trabalharam ou ignoram completamente a experiência laboral que tiveram. Caso contrário, saberiam que o trabalhador médio quer mais é ser aquilo que chamam de “explorado”.
A imensa maioria dos trabalhadores quer cumprir seu horário e esquecer-se dos problemas depois de bater o cartão, de preferência tomando uma "gelada". Já fui office boyem fábrica e ouvia, horrorizado (esquerdista que eu era), meus colegas "peões" dizerem que queriam mais é ter um chefe, alguém que desse as ordens e assumisse a responsabilidade pela produção, pois desejavam apenas cumprir suas tarefas e ir embora sem problemas.
Eu tinha 15 anos e ouvia de meus professores do ensino médio que os burgueses, os patrões, os donos dos meios de produção eram uns malditos exploradores, que passavam a vida viajando, freqüentando restaurantes badalados e fazendo festa. Num turno eu ficava empolgado, cheio daquele furor juvenil que a esquerda bem sabe explorar, após ouvir o belo discurso de meus professores; noutro turno ficava confuso, atônito, ao saber que o dono da empresa em que eu trabalhava fora o primeiro a chegar e seria o último a ir embora, certamente cheio de problemas na cabeça, tomado pela gravidade de ter de preocupar-se com produção, comercialização, legislação trabalhista, legislação tributária e toda sorte de burocracias a que um empreendedor brasileiro está submetido.
Depois, na faculdade, segui ouvindo que os donos dos meios de produção eram uns malditos exploradores, que passavam a vida viajando, freqüentando restaurantes badalados e fazendo festa. Mas aí eu já estava vacinado pela realidade. Aprendera – trabalhando e, depois, empreendendo – que o empresário brasileiro é praticamente um herói, que sustenta a si mesmo e aos seus com muita dignidade, além de garantir o sustento de muitas outras famílias.
Já os professores universitários, os sindicalistas e demais “intelectuais” de esquerda, bem, esses são uns exploradores malditos, que vivem à custa do erário ou de contribuições compulsórias, produzem absolutamente nada e ganham dinheiro para falar mal de quem os sustenta pagando impostos. Ademais, passam a vida viajando, freqüentando restaurantes badalados e fazendo festa – e cacarejando por direitos inviáveis de trabalhadores que não existem.

Um empresário é um sujeito que ganha a vida organizando a atividade econômica. Ele acumula um capital, investe, ganha, paga suas dívidas para com os fornecedores, os empregados e o Estado, e no fim, se todo dá certo, tem um lucro. A quase totalidade do lucro é reinvestida no mesmo ou em outros negócios. Uma parte ínfima ele pode gastar em benefício próprio e da família. Se seu negócio é muito, muito próspero, mesmo essa parte ínfima basta para que ele compre mansões, iates, jatinhos e jatões, carros de luxo, cavalos de raça, e tenha, se é do seu gosto, múltiplas amantes. Em geral ele se contenta com muito menos.
Um político de esquerda é um sujeito que ganha a vida tentando jogar os empregados contra os empregadores. Ele mostra aos operários os aviões, os cavalos de raça e os carros de luxo do patrão e grita: "É roubo!" No começo ele faz isso de graça. É um investimento. Assim como o empresário investe dinheiro, ele investe insultos, gestos, caretas de indignação, apelos à guilhotina. Em troca, dão-lhe dinheiro. Ele vive disso. Quando alcança o sucesso, pode dispor de mansões, iates, jatinhos e jatões, carros de luxo, cavalos de raça e amantes em quantidade não inferior às do mais próspero capitalista.Olavo de Carvalho (http://www.olavodecarvalho.org/textos/dutra.htm
)



O fracasso do Estado de Bem-Estar Social

ESCRITO POR THIAGO CORTÊS
A política moderna está saturada de mitos. E de idiotas que acreditam neles.
Idiota, aqui, no sentido (grego) clássico do termo.
Na sua face mais medíocre, a política moderna virou enredo de filme da Walt Disney. Existem heróis e vilões, o bem e o mal, e milhões de soluções mágicas para tudo.
Hoje o debate político é definido nos seguintes termos: “caras bonzinhos” tentando salvar o mundo contra “caras maus” que visam apenas o lucro.
Ainda hoje tem gente que acha que só “caras maus” se opõem ao Estado de Bem-Estar Social, um modelo econômico paternalista no qual, basicamente, alguns cidadãos vivem sustentados por outros, que trabalham e pagam impostos.
É claro, ele é defendido com uma argumentação mais sofisticada.  Um modelo econômico que visa o bem-estar geral da população, tributando mais (alguns) para distribuir mais (para muitos). Quem tem mais divide com quem tem menos.
Apenas gente sem coração seria contra esse modelo tão bonito, certo?
Só existe um problema: o Estado de Bem-Estar Social não funciona. Reportagem da Folha de S. Paulo comprova que a Escola Austríaca de economia sempre esteve correta na sua crítica sobre os resultados desastrosos da intervenção estatal.
Diz um trecho da reportagem:
Conhecida por ser um dos países mais igualitários do mundo, a Suécia teve sua paisagem social alterada nos últimos anos pelo crescimento no número de mendigos.
O frio não impede que pessoas passem dia e noite nas ruas implorando por ajuda.
“É vergonhoso mendigar, mas não temos alternativa. Se conseguíssemos emprego, trabalharíamos como pessoas normais”, diz Andreea (nome fictício), da Romênia, que mora com o marido em um carro abandonado.
A Suécia é sempre citada pelos devotos de mitos políticos como um exemplo. Mas, aos poucos, os fatos estão deixando claro que se trata de um péssimo exemplo.
O Estado de Bem-Estar Social nada mais é do que socialismo mitigado. Em ambos os casos temos uma minoria se servindo de uma maioria.
É claro que, ao longo prazo, isso é um suicídio econômico e social: em algum momento a minoria se torna a maioria e a conta não fecha.
Falamos de países ricos, mas alguma hora a riqueza deixa de ser suficiente pra sustentar a multidão que não trabalha ou produz, mas exige direitos.
E não dá pra argumentar que somos obrigados a isso por causa da “caridade cristã”. Isso sequer é um argumento. É apenas um apelo emocional, um slogan.
A caridade pressupõe um ato voluntário, que pode ou não ser regular. Para manter um Estado de Bem-Estar Social, pelo contrário, é preciso obrigar uma parcela da população a trabalhar para sustentar a outra.
A reportagem da Folha revela outro problema econômico-social que surge em países que oferecem almoço grátis pra todo mundo.
Segundo autoridades suecas, a maioria das pessoas que mendigam nas ruas do país vem de países do Leste Europeu, como Romênia e Bulgária.
É o cenário esperado quando se assume que o governo deve bancar a todos. Os pagadores de impostos da Suécia agora devem sustentar imigrantes do Leste Europeu?
É a grande questão que divide os suíços atualmente:
A mendicância se tornou um tema controverso no país. “Como membros da UE, temos a responsabilidade de garantir que ciganos da Romênia também tenham a possibilidade de se integrar à sociedade. Também já tivemos ciganos suecos em situação vulnerável”, disse Jens Orback, do partido Social Democrata, em julho, em debate sobre o tema.
A legenda de Orback venceu as eleições parlamentares do último dia 14, tirando do poder a Aliança pela Suécia, de centro-direita.
Richard Jomshof, do nacionalista Democratas Suecos, discorda: “Somos primeiramente responsáveis por nossos próprios cidadãos. Essas pessoas devem ser levadas de volta a seus países”. Em 2011, seu partido enviou ao Parlamento um projeto de lei para proibir a mendicância.
Claro, nada contra imigrantes. O problema é a manutenção de um modelo econômico paternalista que obriga uma parcela da população a trabalhar e produzir para sustentar os demais, inclusive, aqueles que vierem de outros países.
É suicídio econômico, mas não apenas isso. O Estado de Bem-Estar Social é uma política imoral que destrói a capacidade de autonomia dos indivíduos e das famílias.
Isso é uma fato não apenas na Suécia, mas em todos os países nos quais existe esse socialismo conta-gotas.
Não é por acaso que há ingleses na faixa entre os 30 e 40 anos que jamais trabalharam na vida; é claro muitos deles vivem em passeatas exigindo novos direitos.
O que é de graça nunca é o bastante. É a causa do fracasso do Estado de Bem-Estar Social.

Publicado no Gospel Mais.

Thiago Cortês é jornalista.

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