quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Um conto! Um momento de emoção!

         Publicado no blog: O Anjo do Jardim

       Escrever contos nunca foi muito a minha praia. Eu fui por muito tempo voltado à poesia. As palavras poéticas faziam o meu espírito viajar e meu coração palpitar mais forte. Era como se uma voz do infinito soasse em meu ouvido me fazendo dizer ou escrever coisas das quais, muitas vezes, eu não tinha a plena consciência. Lembro bem de cada sensação ao ler poemas de Drummond, Vinícius, Florbela, Camões, Pessoa, e a lista seria infinita... ler sempre foi um momento de emoção.
       Vinícius bem definia: "o poeta parte no eterno renovamento. Mas seu destino é fugir sempre ao homem que ele traz em si." Ora, não seria eu um poeta se não tentasse fugir de mim, me transmutasse em tantas facetas e me renovasse em cada verso... eu também sou daqueles, como dizia Vinícius: "Eu sonho a poesia dos gestos fisionômicos de um anjo!". A poesia é viva em si, ela preexiste ao poeta, coexiste com ele e se eterniza após ele; não sei se nós criamos poemas ou se eles nos criam, penso, com sinceridade, que somos apenas portadores dessas mensagens sublimes. Olha só de que maneira fala Drummond em seu poema "Poesia":

Poesia
Carlos Drummond de Andrade

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

         Mas, contar história é outra história. Começa pelas especificidades do gênero. O conto está sempre no campo da ficção devendo, no entanto, ter vínculo com a objetividade da existência de seres reais ou imaginários e suas interferências no universo em que vivem. A subjetividade, muito própria da poesia, encontra lugar no conto, pois este, me parece, possui uma dicotomia própria: pode perambular pela poesia e pela crônica numa boa... essa flexibilidade torna o conto um gênero textual muito atraente e lhe confere inúmeras possibilidades de construção.

“No conto tudo importa: cada palavra é uma pista. Em uma descrição, informações valiosas; cada adjetivo é insubstituível; cada vírgula, cada ponto, cada espaço – tudo está cheio de significado. [...]”
(André Fiorussi, In: Antônio de Alcântara Machado et alii. De conto em conto. São Paulo; Ática, 2003. p. 103)

           Como numa coxa de retalhos, o conto vai sendo costurado pouco a pouco. Ele é apresentado ao leitor com precisão e clareza ao mesmo tempo em que se reveste de mistérios e conflitos. Segue andarilho pela estrada do enredo para as surpresas do clímax, quase sempre deixa na boca um gostinho de "quero mais". Como diria André Fiorussi "Um conto é uma narrativa curta. Não faz rodeios: vai direto ao assunto." e assim começa e termina como se não tivesse fim.

         Em meu livro "O Anjo do Jardim", tem contos que são assim: eu não pensei em escrevê-lo completamente ou dar um fim que o torne finito. Eu imaginei histórias que possam continuar na cabeça do leitor dando a ele a oportunidade de participar da construção do texto de forma complementar. O leitor de "O Anjo do Jardim" pode se envolver de tal forma a ponto de se sentir um co-escritor. Tenho certeza que um momento de emoção (seja que emoção for) o meu livro vai proporcionar! 

***

Para outras informações sobre o livro "O Anjo do Jardim" acesse o blog que eu criei especialmente para o livro: http://oanjodojardim.blogspot.com.br/

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Brasil reduziu a pobreza, mas enfrenta crescimento da violência

Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A redução de desigualdades no Brasil e na América Latina não levou a redução da violência. “O diagnóstico correto seria: menor desigualdade tende a menos violência”, diz o sociólogo e cientista político Emir Sader. “O maior paradoxo é estarmos em um país que diminuiu a pobreza, mas tem intensificado a violência”, acrescentou. Esse ponto de vista será posto para debate na sexta-feira (13), no Fórum Mundial de Direitos Humanos.
O evento acontecerá em Brasília de 10 a 13 de dezembro. Sader fará parte da mesa Por uma Cultura de Direitos Humanos, junto com a professora argentina Alicia Cabezudo e a presidenta da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e Cidadania de Cabo Verde, Zelinda Cohen. O debate será sobre o papel da educação em direitos humanos para o desenvolvimento e emancipação do cidadão.
O cientista político, um dos organizadores do Fórum Social Mundial, analisa a América Latina à luz dos modelos políticos que regem os países. Em uma das últimas colunas publicadas em seu blog, ele diz que “para o bloco do governo a questão central do Brasil é a da desigualdade, da pobreza, da miséria” e acrescenta que “mesmo quando a economia brasileira sofre um processo de estagnação, como acontece atualmente, o governo não apenas manteve, como estendeu e aprofundou as políticas sociais, revelando como se revertia a forma tradicional de encarar desenvolvimento econômico e distribuição de renda”.
À Agência Brasil, ele diz que apesar da ênfase na questão social, a violência aumenta. Prova disso é o levantamento feito pelo país em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado nessa quinta-feira (5). Os dados mostram que três em cada dez brasileiros que vivem em cidades com mais de 15 mil habitantes dizem ter sofrido ao longo da vida algum tipo de crime ou ofensa.
Segundo o levantamento, agressões e ameaças são os mais comuns, com 14,3% dos entrevistados tendo sofrido situações do tipo nesse período. Em seguida, aparecem relatos de discriminação (10,7%), furtos de objetos (9,8%) e fraudes (9,2%). “Houve um aumento de interesse por direitos humanos, mas nos círculos pequenos. No conjunto da sociedade isso não chega”.
Para o cientista político, a fraqueza brasileira é a falta de espaço de socialização, principalmente nos setores mais pobres. “O sistema educacional não desempenha esse papel. A escola não é espaço de socialização. O jovem acaba socializando na rua”, onde, segundo ele, tem contato com o consumismo e outros valores que podem levar à prática de violência.
Perguntado sobre as manifestações de junho e julho e a reivindicação de direitos sociais, como saúde e educação, ele diz que, em última instância, as melhorias sociais podem levar à redução da violência. Sader ressaltou que não tem respostas claras sobre o que leva as pessoas a cometerem atos violentos ou como as pessoas assumem a ideia de direito. "É um pouco do que vou levar à debate".
A mesa de debate está agendada para as 10h. No site do Fórum é possível ter acesso a programação e outras informações sobre o evento.
Edição: Marcos Chagas
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Morre Nelson Mandela - o homem que marcou a história ao unir brancos e negros na África do Sul


Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Responsável pelo fim do regime de segregação racial na África do Sul, o apartheid, Nelson Mandela, de 95 anos, conquistou o respeito de adversários e críticos devido aos esforços em busca da paz. Ele foi o primeiro presidente negro da África do Sul, de 1994 a 1999, e recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1993. Mandela morreu hoje (5) em decorrência de problemas respiratórios.
O líder ficou conhecido como Madiba (reconciliador) devido ao clã a que pertencia e recebeu o título de O Pai da Pátria. A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela em defesa da luta pela liberdade, justiça e democracia. Ao visitar o Brasil, em 1992, Mandela conversou com o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Bem-humorado, Mandela disse que gostava muito de uma ave tipicamente brasileira – o papagaio – e arrancou risos dos presentes.
No Rio de Janeiro, Mandela foi a um show de Martinho da Vila, no Sambódromo, e demonstrou entusiasmo ao ver uma apresentação de capoeira. Ao lado do então governador Leonel Brizola (que morreu em 2004), Mandela acompanhou o ritmo do samba e agradeceu as manifestações de apoio da plateia.
Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, pela terceira vez, com Mandela. Segundo Lula, sua trajetória política foi marcada por duas influências intensas: Mandela e Fidel Castro, ex-presidente de Cuba e líder da Revolução Cubana, em 1959.
De uma família sul-africana nobre, do povo thembu, Mandela ficou 27 anos preso em decorrência de sua luta em favor da igualdade racial, da liberdade e da democracia. Na prisão, ele escreveu sua autobiografia. Preparado pela família para ocupar um cargo de chefia tribal, Mandela não aceitou o posto e partiu em direção a Joanesburgo para cursar direito e fazer política.
Com amigos, Mandela criou a Liga Juvenil do Congresso Nacional Africano (CNA), cuja sigla em inglês é Ancyl. Ele foi eleito secretário nacional da Ancyl e executivo nacional do CNA. O princípio da sua política é a paz.
Na prisão, Mandela não tinha contato com o exterior, pois não podia receber jornais e notícias externas. Mesmo no período em que esteve preso, Mandela recebeu homenagens. No dia em que deixou a prisão foi recebido por uma multidão. Ele gritava: “Poder” e os manifestantes respondiam: “Para o Povo”.
A eleição de Mandela foi um marco na história do país, definindo a nova África do Sul com um processo de reconciliação entre oprimidos e opressores. Em 1992, o resultado do referendo entre os brancos dá ao governo, com mais de 68% de votos, o aval para as reformas e permite uma futura constituinte.
Em 2001, Mandela foi diagnosticado com câncer de próstata, mas apesar do tratamento ele fez campanha em favor do combate à aids, um dos principais problemas de saúde pública na África do Sul. Ao completar 85 anos, ele anunciou a aposentadoria.
Edição: Talita Cavalcante
Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Lançamento do livro O Anjo do Jardim de Abimael Borges


O livro é um misto de contos, prosas poéticas e reflexões pessoais.

          No próximo dia 13 de dezembro, as 19:30, acontecerá o lançamento do livro “O Anjo do Jardim” do professor e bacharel em Direito, Abimael Borges, pela Editora Talento. A noite de autógrafos será realizada no salão da Câmara de Vereadores de Sátiro Dias.
       O livro é uma coletânea de 27 textos entre os quais estão contos dos mais diversos gêneros (drama, comédia, humor, suspense, aventura), prosas e reflexões sobre o amor, a paixão, as desventuras, a existência, a vida. Segundo a Professora e Mestre em Crítica Cultural, Cristiana Alves, que faz a apresentação do livro, “Abimael Borges, conduz o leitor numa viagem por diversos caminhos, veredas, avenidas e alamedas discursivas, figurativas, enigmáticas, trabalhando conflitos humanos ora universais ora particulares.”
          O escritor é natural de João Pessoa/PB, nascido em 21 de agosto de 1980. Veio com os pais morar em Salvador/BA e, com estes, encarou uma vida nômade pelo interior da Bahia, morando em cidades como Santo Estevão, Planaltino, Pindobaçu, Carnaíba, Taquarendi, Mirangaba, Iraquara, Pedro Alexandre, Jucuruçu, Jaguaripe, Sátiro Dias e atualmente mora em Alagoinhas.

          O Anjo do Jardim é o seu livro de estreia na cena literária e já vem conquistando fãs nas redes sociais e entre os críticos de arte. 

domingo, 13 de outubro de 2013

As Sete Maravilhas Brasileiras

    O Brasil é um país lindo, cheio de encantos, diversidades, surpresas e oportunidades. É um país que, como qualquer outro, tem lá seus problemas, mas os mesmos não chegam aos pés das nossas riquezas e maravilhas naturais e de nossa gente. Conhecer o Brasil é uma experiência inesquecível, até para nós, brasileiros.
     A primeira maravilha do Brasil é o seu povo! Gente como não se vê em nenhum outro lugar no mundo. De todas as cores, credos, raças, sotaques, culturas. Somos um povo amável e pacífico. A violência que alguém possa ser vítima aqui, pode também ser em qualquer outro lugar no mundo. Isso não pode servir de óbice ao sonho que um cidadão, de qualquer lugar do mundo tenha de nos conhecer. O brasileiro é, essencialmente, acolhedor.
      A segunda maravilha do Brasil é a sua riqueza natural! A Amazônia é a nossa grande mãe e nosso maior orgulho. Berço de uma diversidade ecológica jamais encontrada em qualquer outro lugar do mundo. Nossa vasta costa marítima abriga o que há de melhor em termos de laser, ecoturismo, diversidade de fauna e flora. Somos grandes, tudo aqui é muito grande! Somos um povo abençoado por nossa grande e linda pátria.
     A terceira maravilha do Brasil é a sua beleza arquitetônica. De Brasília, nossa Capital Federal, ao Cristo Redentor, nosso marco de fé cristã, aos Orixás, símbolo máximo da fé de matriz africana, no meio da Lagoa do Abaeté em Salvador na Bahia e tantas outras riquezas do nosso patrimônio artístico, não haveria livros capaz de dar conta de tanto riqueza. Somos uma nação que cresce e se moderniza a cada dia.
     A quarta maravilha do Brasil é a sua riqueza cultural e esportiva. Nós sabemos e fazemos o melhor em música, dança, artes plásticas, literatura, cinema, teatro. No campo, na quadra, na areia, nas raias, na água, no mar, no ar, no ringue, no tatame, em qualquer esporte, nós somos gigantes! É uma pena que a nossa própria mídia só dê visibilidade ao que há de pior, entretanto, nós temos o maior celeiro de intelectuais da arte e talento dos esportes que o mundo precisa conhecer, das letras de Caetano e João Gilberto, de Aleijadinho à Casa da Flor... são tanto nomes e talentos que seria impossível nominar a todos.
   A quinta maravilha do Brasil é a nossa diversidade religiosa. Em nosso país todos somos livres para professar a nossa fé da maneira que melhor nos agrade; apesar de alguns pensarem que tem liberdade para dominar a nação, é errôneo pensar que isso pode ser aceito para limitar a liberdade alheia, aqui os ritos, as cerimônias, os cultos, as liturgias e todas as formas de manifestação de fé tem espaço, desde que respeitem as outras.
    A sexta maravilha do Brasil é a sua extensão territorial. Nosso país é muito grande, populoso, abundante, rico. Cada região tem seu encanto diferente, tem seu sotaque, sua culinária, seus modos de ser e fazer, seu clima, seu fuso horário, de modo que, o visitante vai imaginar que está em um país diferente a cada mudança de região, quando na verdade esta no Brasil, um país com todos os outros dentro.
   A sétima, mas não a última, maravilha do Brasil é sua riqueza mineral. Somos a nação que tem mais água no planeta. Temos ouro, prata, cobre, ferro, pedras preciosas, plantas, animais, solo fértil o ano inteiro, tudo em abundância. Somos autossuficientes em petróleo, gás natural, reservas minerais e muito mais. Temos orgulho de termos tudo o que o planeta pode oferecer a um povo soberano.

   Temos problemas e insatisfações como qualquer outra nação. Mas somos um povo forte, que luta, que batalha, que sabe o que quer e onde quer chegar, que é modelo de esperança, paz e prosperidade para todo o mundo e que, apesar de muitas nações não levaram fé na gente, nós vamos chegar lá, no ponto mais alto do pódio, sacudir a nossa bandeira e gritar: isso é Brasil!

sábado, 12 de outubro de 2013

A LAGOA E OS POMBOS

Dona Maria de Venância - Do curta-metragem Caminho de Feira.

Ao velho Junco, Sátiro Dias/BA.
Ainda se debruça na janela e mostra seu admirável rosto negro, dona Maria de Venância. Seu olhar entre lágrimas eleva-se as recordações das missas tridentida e sua introdução sacra: Introibo ad altere Dei, ad Deum qui leatificat juventutem meam... é uma lembrança feliz e saudosa. Hoje ela foi à feira livre, tantas recordações dos tempos de menina, as barracas enfileiradas e coloridas, os vendedores de pomadas com seus autofalantes e suas serpentes venenosas, e notou, com pesar, que nada era como dantes, falta um tom de graça e mistério, como havia antes. Assim parou em sua janela e reviu o velho Junco.
Vaqueiros desciam da Casa da Torre, comandados pelo coronel herdeiro Guilherme Dias d’Ávila, para invadir as terras dos Goveias. Ainda está lá a estrada de barro por onde chegavam os vaqueiros. Do alto se avista uma lagoa no centro de um vale verdejante, o lugar cheio de pássaros de todas as espécies, predominantemente as legiões de pombos. Era uma lagoa límpida cercada por verdejante gramado e árvores frutíferas onde se aninhavam os pombos. Era a Lagoa das Pombas. Ao redor dela paravam os vaqueiros cansados de suas viagens.
À noite, sobe a luz e o calor de uma fogueira, chegava Guidório, o melhor sanfoneiro da região e seus acompanhantes com o zabumba e o triângulo. As mocinhas prestes a se entregar ao matrimônio, vestidas da mais cara chita e impregnadas pelo aroma da alfazema, se punham a dançar elegantemente na roda e a encantar os rapazes em redor. O samba que vinha dos terreiros dos quilombos e das senzalas.
Lá pelas tantas da noite ainda tinha o melhor espetáculo: era o Drama. Homens fantasiados de mulheres e estas de homens para interpretarem papeis engraçados: o padre que em confissão beijava a mocinha; a mulher que reclama do marido beberrão; o espírito incorporando na mulher vadia; a cigana; a doida apaixonada... Tudo em versos cantados, músicas centenárias que alegraram os senhores dos engenhos por essas bandas e depois serviram de festas para os escravos recém-libertados.
Antes que o sol nascesse já se podia ouvir o tinir das enxadas sobre as pedras. Era hora de Adjutório, a festança onde os amigos se reuniam para ajudar um vizinho na capina da terra, embalados ao som dos versos alegres e dos cantadores. Meio dia o bom caruru com vatapá e galinha caipira, feita pelas mãos da velha Venância, que aprendera com sua bisavó, gente dos navios negreiros. No tempo da colheita o milho seco do paiol era jogado no terreiro, ia para a Despalha do Milho, amigos e vizinhos aquecidos pelo quentão do senhor Chico, cantavam versos e contavam piadas enquanto grãos de milhos se espalhavam pelo chão.
Na lagoa tinha o tempo das mulheres e dos homens. Pela manhã as lavadeiras com suas trouxas desciam cantarolando, lavavam e se banhavam tranquilamente: ninguém ousaria importuná-las. Quando o sol estava se pondo, desciam os homens contando histórias das caças, do gado, da roça e outras lorotas para o tempo passar, enquanto isso, eles se banhavam. Ainda tinha uma lei severa e obedecida: os banhos nunca seriam na cabeceira da lagoa, lá só a água de beber se podia apanhar. Lavar roupas e banhar-se era coisa pra corredeira.
Era assim. Maria de Venância ainda se lembra. O seu avelhantado bisavô contava tudo. Chegara a cavalo, seu jaleco e alforje de couro testemunham. Numa seca medonha que forçava os sertanejos a fugir para os seringais da Amazônia, ele achara um oásis bem pertinho do recôncavo, num vale arejado e cheio de vida.  Ao se aproximar da lagoa revoaram os pombos; ele olhou em redor e concluiu: este é o meu lar.

Esta última lágrima de dona Maria de Venância quer saber onde está a lagoa e os pombos. Os Adjutórios, a Despalha, o Drama, o Leilão Cantado. As festas e a alegria deste povo. Esta última lágrima quer saber quem deu ordens para despejarem o esgoto na lagoa, para queimarem a mata e para expulsarem de lá os pombos, per omnia sæcula sæculorum.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Salmo 91

Hoje me peguei lembrando de uma pessoa muito especial pra mim: meu pai. A minha infância foi marcada por muitos medos. Muitas vezes pedi para dormi na cama com meus pais pois, me ocorriam certos pavores da solidão e da noite. Num desses dias eu dormia bem quando acordei estranhado o que ocorria sobre a cama: eu via labaredas de fogo muito grandes... eu via meus pais nadarem numas chamas que mais pareciam um mar de fogo. Eu levantei olhando aquilo e comecei a ficar apavorado. Comecei a gritar para que meus pais acordassem. Isso não foi um sonho: eu realmente via o fogo, mas meus pais não. Então eles pediam para que eu parasse, mas era inútil, eu pulava sobre a cama e gritava para minha mãe jogar água e apagar. Inútil. Aos poucos fui me acalmando e meu pai me conduziu ao quarto, sentou, abriu a Bíblia e leu o Salmo 91. Foi assim que meu espírito se acalmou e pude dormir em paz. Daquele dia em diante, todas as noites, meu pai vinha e lia o mesmo salmo, pedindo para que eu repetisse. Foi tanto que gravei em minha mente cada palavra e me acostumei a ter um sono tranquilo. Pai, obrigado por me ensinar de modo tão simples a ter confiança em um grande protetor: Deus.


SALMO 91: 1-16
 
Aquele que habita no abrigo do Altíssimo e descansa à sombra do Todo-poderoso
pode dizer ao Senhor: Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio.

Ele o livrará do laço do caçador e do veneno mortal.

 Ele o cobrirá com as suas penas, e sob as suas asas você encontrará refúgio; a fidelidade dele será o seu escudo protetor.

 Você não temerá o pavor da noite, nem a flecha que voa de dia,
nem a peste que se move sorrateira nas trevas, nem a praga que devasta ao meio-dia.

 Mil poderão cair ao seu lado, dez mil à sua direita, mas nada o atingirá.

 Você simplesmente olhará, e verá o castigo dos ímpios.

 Se você fizer do Altíssimo o seu refúgio,
nenhum mal o atingirá, desgraça alguma chegará à sua tenda.

 Porque a seus anjos ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos;  com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra.

 Você pisará o leão e a cobra; pisoteará o leão forte e a serpente.

 "Porque ele me ama, eu o resgatarei; eu o protegerei, pois conhece o meu nome.
Ele clamará a mim, e eu lhe darei resposta, e na adversidade estarei com ele; vou livrá-lo e cobri-lo de honra.
Vida longa eu lhe darei, e lhe mostrarei a minha salvação.
"

 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Um amor que vai além...


       O verdadeiro amor não se constrói com palavras e sentimentos. Palavras são como pimenta, pode até ser usadas, mas com moderação e sentimentos são como doces, se quiser experimentar faça-o, mas não exagere. O verdadeiro amor se constrói com atitudes ao longo de um tempo que parece passar tão rápido quando duas pessoas se curtem.

       A hora que nasce o amor? Você nunca saberá. Mas existirão sinais que lhe darão a certeza de que o amor nasceu ali. Quando o amor nasce, ele trás consigo uma amiga chamada cumplicidade. Não é a cumplicidade antissocial, ilegal ou desordeira, é a cumplicidade entendida do ponto de vista da satisfação em fazer o outro feliz. Quando alguém te ouve com dedicação, busca entender os seus gostos e participar das suas realizações, ai está havendo cumplicidade.
       O amor, ao nascer, trás consigo o desejo. Não apenas o desejo sexual de um corpo pelo outro, mas o desejo de se tornar o suporte para que o outro alcance as alturas. O desejo de, estando nas alturas, estender a mão para que o outro suba também. O desejo de compartilhar sentimentos e emoções leves ou fortes e de ouvir as histórias bobas e serias. O desejo de olhar nos olhos e dizer: não tenha medo, eu estou aqui.

       Nasceu o amor quando você chegou àquela altura da estrada em que, olhando para o lado e não vendo o outro, você pensa: não dá pra seguir sozinho. Você então espera, volta se preciso for, ajuda o outro a se levantar e segue com ele, pois nesse ponto da estrada, a vida só terá sentido e prosperidade se os dois caminharem juntos.
       A hora de perceber que o amor não nasceu? Você vai demorar de perceber. Estará tão envolvido em seu egoísmo de achar que o outro está na mesma sintonia que você, que vai demorar a perceber os sinais, e quando os descobrir finalmente, você vai sofrer, pois o amor quando não nasce, dar lugar a ervas daninhas. Mas os sinais são perceptíveis, senão vejamos:

       Não nasceu o amor, se as únicas coisas que importam em você são aquilo que você tem ou é. Se você tem bens, se você tem títulos, o outro logo manifesta interesse. Se você aceitar, será como uma boa refeição a qual se come e se paga e vai embora, sem mais perguntas. Se você se iludir, e achar que ser um prato apetitoso é o suficiente, logo verá que a culinária é muito variada e será substituído como se troca acém por filé. Se você não aceitar, vai experimentar o gosto do melhor dos pratos: o do amor próprio. Talvez nessa última opção, haverá uma chance de se plantar a semente do amor, pois quem ama a si mesmo se torna muito mais atraente.
Definitivamente o amor não nasceu para você que é ignorado por quem você acredita lhe dever atenção, tampouco será o amor, em sua forma plena, a vontade egoísta de ter atenção de alguém. Atenção não é algo que se peça assim como amor não é algo que se compre nas prateleiras da vida. Atenção é uma dádiva que se dar e se recebe graciosamente por mero desprendimento pessoal. Se precisar cobrar a atenção de alguém, verás que não há amor, então nunca cobre atenção, mas se a receber, retribua na medida do seu bem querer.

Para ir além, o amor não pode estar condicionado e nem limitado em sua plena expressão. Para ir além, o amor precisa ser livre, doado, sem meritocracia, pois não se pode amar só por merecimento, mas por liberalidade. O amor que vai além é aquele que faz dois corações baterem juntos, numa mesma sinfonia, como se ambos fossem apenas um.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A CARACTERIZAÇÃO DA IMPUNIDADE NA OPINIÃO PÚBLICA

Abimael Borges
Bacharel em Direito
 
 
Sempre que um crime bárbaro é cometido por um menor, a sociedade se mobiliza em torno do sentimento de que pelo fato de ser o agressor um menor de idade, não haverá punição. Embora esse seja um pensamento errôneo, pois a lei tem previsão de reprimenda para o menor, o clamor social não pode ser totalmente ignorado, afinal, a lei não deve ser feita pelo Estado para o povo e sim do povo para um Estado.

Aqueles que menosprezam a opinião pública alegam que ela é desprovida de conhecimento científico, portanto, sendo incapaz de perceber a totalidade e a verdade dos fatos, pois além do cunho vulgar de suas concepções, pode ser facilmente manipulado pela mídia ou pelos interesses ideológicos de certos grupos influentes na sociedade. Neste sentido, “constata-se a grande instabilidade da opinião pública sobre o direito. Após um crime ou um escândalo político, muitos se sentem indignados com o sistema de Justiça e multiplicam os apelos por uma política repressiva. Passada a comoção, muda a opinião.”1

A despeito dos ensinamentos da professora Ana Lúcia Sabadell, citados no parágrafo anterior, não se deve ignorar a opinião pública quando ela ganha força e demonstra clara insatisfação do povo com a lei. O Instituto Datafolha, da “Folha de S. Paulo”, constatou que 93% dos paulistanos querem a redução da maioridade penal. Longe de ver na redução da maioridade penal a solução da violência, admite-se que esta não é uma opinião tão instável.

O jornalista José Maria e Silva2 em recente reportagem publicada no jornal Opção de Goiânia constata que a violência praticada por menores de 18 anos não são fatos isolados como se pensa, pois só no início de 2013, mais de 40 casos de homicídio já foram registrados em todo o pais, casos estes que não foram noticiados pela grande mídia. Fica clara que são os fatos que vem influenciando a opinião pública, ela vem se convencendo maciçamente de que a legislação precisa de mudança.

É preciso admitir que exista uma relação óbvia entre o direito e a opinião pública. Notamos isso claramente nos ensinamentos de Miranda Rosa:

“A propósito é interessante abordar a relação existente entre o direito e a opinião pública. Ambos os fenômenos, como ocorre em geral na sociedade, são condicionantes e condicionados recíprocos, em virtude da interação que opera entre a norma jurídica e a opinião pública. (...) As regras de direito moldam, em parte, (...), a opinião dominante em determinada sociedade. (...) A maneira como são encaradas, porém, tais regras pelos componentes da opinião grupal, constitui algo que exige reflexão e pode indicar caminhos legislativos mais apropriados” 3

O papel dos juristas e legisladores é, nesse diapasão, o de encontrar os meios cabíveis para adequar a norma aos interesses coletivos dentro da razoabilidade necessária. Em respeito à opinião pública, as autoridades devem, no mínimo, sentar-se à mesa dos debates e das reflexões a cerca do tema. Ignorar os clamores da opinião pública é supor que a sociedade seja incapaz de escolher democraticamente os seus rumos, pois a sociedade não é ignorante.

Há uma constante tentativa de mostrar que a sociedade é rude, inculta, ignorante, capaz de confundir inimputabilidade com impunidade. A sociedade de modo geral pode até não ter a clareza técnica para conceituar o termo inimputabilidade, no entanto, a maioria sabe o que quer dizer o termo impunidade, e não confundem este com aquele.

O Art. 228 da CF preceitua: “são penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial”. Essa é uma garantia constitucional absoluta, ou seja, até os 18 anos, o adolescente é absolutamente inimputável, isto é, a ele não pode se atribuir o dolo, que é a vontade de agir criminosamente. Notadamente esse artigo se refere a matéria penal, pois em termos civis, a partir dos 16 anos já existe capacidade relativa para exercício de alguns atos da vida civil (Código Civil, Art. 4º).

No dizer de FIORELLI e MANGINI, “a imputabilidade penal implica que a pessoa entenda a ação praticada como algo ilícito, ou seja, contrário à ordem jurídica e que possa agir de acordo com esse entendimento [...]”4. Neste mesmo sentido, vemos a lição de MIRABETE:

“De acordo com a teoria da imputabilidade moral (livre-arbítrio), o homem é um ser inteligente e livre, podendo escolher entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, e por isso a ele se pode atribuir a responsabilidade pelos atos ilícitos que praticou. Essa atribuição é chamada de imputação, de onde provém o termo imputabilidade, elemento (ou pressuposto) da culpabilidade. Inimputabilidade é, assim, a aptidão pra ser culpável. [...] Há imputabilidade quando o sujeito é capaz de compreender a ilicitude de sua conduta e de agir de acordo com esse entendimento. Só é reprovável a conduta se o sujeito tem certo grau de capacidade psíquica que lhe permita compreender a antijuricidade do fato e também a de adequar essa conduta a sua consciência. Quem não tem essa capacidade de entendimento e de determinação é inimputável, eliminando-se a culpabilidade”.5

É difícil compreender como um adolescente, de 16 anos, sadio do ponto de vista psicológico (mentalmente capaz de decidir entre o certo e o errado), é incapaz de compreender o caráter ilícito de suas ações. Nota-se que após o crime, a primeira atitude do adolescente é fugir, buscar se esconder. Pergunta-se: fugir de quê? Se o caráter ilícito não está claro, de que o adolescente foge? Quando o menor não foge, procura esconder o corpo do delito, a vítima ou a arma usada no crime, mas com que objetivo? A sua consciência não está livre de culpa?

A sensação de impunidade crescente no seio da sociedade se dá pelo evidente desequilíbrio entre o crime e a pena. O normal seria que aos crimes de maior reprovabilidade social fossem definidas penas mais rigorosas e quando isso não ocorre, os valores sociais começam a se distorcerem. Para o adolescente infrator, decidir entre a vida e a morte de alguém não faz muita diferença. A vida como direito supremo, valor inestimável, bem maior do ser humano, perde toda essa significação, pois ao ato de feri-la, tirá-la, coloca-la em grave perigo não corresponde uma punição equivalente.

Se noutros tempos a sociedade acreditava ser o menor desprovido de maturidade para compreender toda a dimensão do ato praticado, hoje a realidade é outra. A dinâmica social mudou. O mundo mudou. A sociedade mudou. Hoje já não pode se colocar um jovem de 16 anos ao lado de outro da mesma idade em tempos remotos, as diferenças serão gritantes.

Margaret Thatcher. Em 21 de maio de 1988, ao discursar perante a assembléia geral da Igreja da Escócia, a Dama de Ferro defendeu que “qualquer esquema de arranjos sociais e econômicos que não se funde na aceitação da responsabilidade individual não causará nada além de dano.”

Atualmente no Brasil, uma corrente de pensamento é fortemente propensa a atribuir a culpa pelo crime a fatores sociais, ao Estado, ao desequilíbrio familiar, mas o adolescente infrator, de arma em punho, é visto como vítima, e a vítima ou seu cadáver estirado no chão, é ignorado.

Desta forma se compreende que há um desgaste considerável na legislação de enfrentamento ao crime praticado por menores. Partindo do pressuposto que a sociedade é dinâmica e em constante transformação, não se pode querer que a legislação seja estática.


PARA CITAR ESTE TRABALHO:  SANTOS, Abimael Borges dos. A Caracterização da Impunidade na Opinião Pública. Disponível em < http://abimaelborges.blogspot.com >

BIBLIOGRAFIA

1 SABADELL, Ana Lúcia. Manual de Sociologia Jurídica: introdução a uma leitura externa do direito. 2 ed. São Paulo: RT, 2002.

2 José Maria e Silva – Jornal Opção – Disponível em < http://www.jornalopcao.com.br/posts/reportagens/criminosos-bancados-pelo-estado > Acessado em 25/04/2013 às 23:52.

3 ROSA, Felippe Augusto de Miranda. Sociologia do direito: o fenômeno jurídico como fato social. 13. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996.

4 FIORELLI, José Osmir. MAGINI, Rosana Cathya Ragazzoni. Psicologia Jurídica. 3ª Ed. São Paulo: Atlas, 2011. (Pág. 113).

5 MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de direito penal. Volume I, 20ª ed. São Paulo: Atlas, 2003. (pág. 217).

quarta-feira, 13 de março de 2013

A FUMAÇA PRETA DOS MAUS CRISTÃOS


A fumaça preta subiu pela chaminé anunciando que não havia papa. Tinha razão. O papa não morreu de morte morrida, mas morreu na tentativa de moralizar a igreja contra aqueles que queriam fazer dela uma arena na disputa pelo poder. Os escândalos de corrupção, violação de sigilo; os casos mal resolvidos de pedofilia e desvios morais contribuíram para que o pontífice tomasse a decisão de renunciar.
A fumaça preta oculta aos olhos do mundo a verdade por dentro dos portões de Roma. É a conivência com o erro de padres imorais que veio abalar a fé dos católicos no mundo todo. Com a imagem suja perante as outras religiões, a Igreja começa a ser ainda mais atacada pelos anticristãos. O trágico é que a origem de todos os males parece advir da própria igreja.
Não é de agora que o cristianismo sofre nas mãos dos maus cristãos. Os inimigos do Cristo encontram fundamentos para odiarem e difamarem a Igreja e os cristãos dentro das próprias organizações cristãs. Em qualquer lugar que chegue um cristão, será perseguido, e não poucas vezes por ensejar motivo. Uma ovelha desviada do caminho chama uma legião de lobos devoradores.
Ano passado, uma reportagem publicada pela revista Aid to the Church in Need, que foi realizada pelo arcebispo Bashar Warda de Erbil (Iraque) e o cardeal Keith Patrick O’Brien de Saint Andrews e Edinburgh, trouxe a triste estimativa de que 75% da perseguição religiosa no mundo é contra os cristãos.
Em São Mateus 10:22, Jesus disse "E odiados de todos sereis, por causa do Meu Nome: mas, aquele que perseverar até ao fim será salvo.", destaco aqui que Jesus foi bem específico quando disse que o ódio seria por causa do Nome Dele. O que ocorre hoje é que muitos cristãos estão sendo odiados por suas posições ideológicas e não pela defesa do nome de Cristo.
Em um país em que se luta por liberdade e pela efetivação da democracia e dos direitos individuais, o que quer um pastor ou um padre abrindo a boca para dizer que “negros são a herança maldita de Noé” ou falar em “maldição homoafetiva”, como fez o Pr. Marcos Feliciano? Será que ele não aprendeu nada com Cristo?
Nos tempos em que Jesus viveu aqui na terra, as pessoas mais odiadas eram as prostitutas, os cobradores de impostos, os leprosos ou portadores de qualquer deficiência física ou psíquica, mesmo assim Jesus sentou com eles, comeu com eles, defendeu-os, estendeu a mão, trazendo cura, libertação, salvação, compaixão, alívio àquelas almas desamparadas. Jesus lutou contra os estigmas e preconceitos da sociedade de sua época e não contra os estigmatizados e marginalizados.
O Feliciano foi infeliz em suas declarações e não deu exemplo de verdadeiro seguidor de Cristo, não está, portanto, sendo odiado pelo Nome de Cristo, mas por suas próprias atitudes preconceituosas e egoístas. Infelizmente com a atitude dele, todos os cristãos estão sofrendo juntos.
É a fumaça preta subindo pela chaminé das igrejas e anunciando o quanto estamos órfãos do verdadeiro cristianismo que prega amor ao próximo como a si mesmo. Esperamos mesmo que um novo papa venha com a fumaça branca da paz e da concórdia.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez - A profetiza do diabo na Princesa do Sertão



Quando eu ouvi falar de Yoani Sánchez pela primeira vez, esperava que as próximas notícias sobre ela daria conta de sua prisão, expulsão ou morte “acidental”, o que não ocorreu, absolutamente nada, e ai me surgiu as dúvidas quanto a ela ser de fato uma dissidente do regime castrista. Pois agora está provado que a tal blogueira não passa da pior das mentiras que os comunistas criaram para ganhar o mundo com seu discurso de bonzinho. É a velha história do mito fabricado.
Os governos totalitários, em toda história, lançaram mão de estratégias de marketing para dissimular ou simular a realidade levando o mundo a acreditar nas piores mentiras, para sustentar o governo. A KGB, na antiga URSS, fazia muito isso: espalhava falsos boatos, documentos forjados, criava grupos de “oposição” ao governo que eram diretamente orientados pelo mesmo para fazer esse trabalho e com isso conseguia que os verdadeiros opositores tomassem decisões equivocadas(1).
Na Polônia também se desenvolveu um projeto parecido chamado WIN (2). Era um grupo de “oposição” que em 1941 espalhava o lema “Liberdade e Independência”. Anos mais tarde, em 1954, em relatório de Moscou, o Partido Comunista Polonês admitiu em relação ao grupo WIN que “desinformar o inimigo envolveu fornecer alguma informação autêntica (para estabelecer credibilidade) junto com puros engodos”.
Em Cuba existe o DGI - Dirección General de Investigaciones, que se inspira na KGB e vem agindo de igual modo a fim de promover uma verdadeira lavagem cerebral no povo da América Latina e no mundo. Uma das ferramentas usadas para isso é a própria Yoani, ela é a mensageira que o regime dos castros sempre sonhara para levar ao mundo a mensagem enganadora do regime. Não precisei de muita pesquisa para chegar a essa conclusão. As provas são patentes, senão vejamos.
Quem é Yoani? A comunidade dos jornalistas e dissidentes cubanos não a conhecia até pouco tempo e ela nunca fez parte de nenhuma organização de dissidentes do regime (Jornalistas cubanos independentes). Criou um blog em 2007 e de lá pra cá vem sendo cortejada por uns e xingada por outros, mas o buraco é mais em baixo.
Graça Salgueiro(3), pesquisadora reconhecida e respeitada internacionalmente, em assuntos políticos de Cuba, disse recentemente “[...] não se conhece um só opositor que tivesse sido tão desaforado com os interrogadores e que não tivesse - no mínimo - levado uns bofetões de arrancar os dentes e em seguida jogado no calabouço da Villa Marista. Mas Yoani disse o que quis e saiu ilesa, inclusive saudada pela rede inteira como "heroína". Agora afronta ninguém menos que a filha do ditador hereditário substituto e não passa nada?
Yoani nunca sofreu qualquer constrangimento. Vive numa casa confortável, cheia de mordomias num dos melhores bairros de Havana. Ela tem acesso irrestrito à internet, coisa que pouquíssimas pessoas tem em Cuba. Ela nunca foi presa pelo regime e sempre falou em tom desafiador. Nenhum jornalista sério tem o direito de falar a verdade sobre o regime comunista cubano, quem não se lembra da Primavera Negra em 2003 quando mais de 75 jornalistas e reais dissidentes foram presos e torturados?
A escritora e dissidente cubana Adela Soto Alvarez(4) disse: “Cada noticia sobre la "ciudadana bloguera" Yoani Sánchez  me deja  más confundida, y repito  que  no es  porque tenga nada en su contra  personalmente, sino porque sus posibilidades y libertad de movimientos llegan a poner en duda a cualquier persona por imberbe que sea,  imagínense a un opositor o periodista independiente cubano que haya sufrido o sufra en carne propia la represión, el acoso, la humillación  y la tortura psicológica que el régimen castrista aplica a los que disienten de sus dictámenes.”
Quem de fato financia Yoani? Ela é constantemente acusada de ser financiada pelos EUA, estar filiada à CIA ou coisa semelhante. Mentira deslavada. Se houvesse o mínimo de verdade nisso a blogueira jamais teria saído do seu país. Quem sustenta a mordomia de Yoani tanto em cuba quanto em sua “volta ao mundo em 80 dias” são os investimentos que os próprios comunas, disfarçados em instituições pelo mundo a fora, vêm fazendo nela desde 2008. Senão vejamos:
Em 2008 Yoani recebeu o “Prêmio Ortega y Gasset”, da Espanha, país que nunca deixou de se aliar ao regime cubano; ela também ganhou o prêmio “100 Most Influential People in the World”, da esquerdista revista Time, graças à qual, aliás, se deve boa parte do sucesso da famigerada “revolução”; outro prêmio foi o “100 Hispanoamericanos más Importantes”, do jornal El País, também da Espanha; “Los 10 personajes de 2008” da revista Gatopardo, do México e o “10 Most Influential Latin American Intellectuals of the year” do Foreign Policy.
Em 2009 ela recebeu o “25 Best Blogs of 2009”, outra vez pela revista Time, o “Young Global Leader Honoree”, outorgado pelo Fórum Econômico Mundial, e o “Maria Moors Cabot Prize”, pela Universidade de Columbia. Em 2010 é a vez da Holanda, com o prêmio “Príncipe Klaus” e em 2010, o Instituto de Estudos Econômicos (IEE), do Brasil, lhe oferece o “Prêmio Libertas”. Pelos seus méritos nenhum desses prêmios lhe teria sido outorgado. Isso é muito dinheiro de engorda para o novo plano de dominação do comunismo.
E qual a intenção da fabricação dessa personagem? Ela é a dissidência necessária à implantação de uma nova ideologia que visa melhorar as relações de Cuba com o restante do mundo, é dizer, subliminarmente: veja, ela é oposição mais pode falar em seu blog, está vendo ai? Cuba não é assim um lugar tão mau! Ou de outra forma: olha só como existe democracia em Cuba, a Yoani disse o que bem queria na cara da filha de Raúl Castro e não sofreu repressão! Ou ainda dizer que a polícia cubana não usa de meios arbitrários para conter os opositores, sem falar que Yoani usa seu blog para mostrar sua boa vida em Cuba e isso é sem dúvidas a propaganda indireta de que em Cuba se vive bem como em qualquer outra parte do mundo. Mentira! Engodo puro!
Se não acreditam no que estou dizendo tentem falar com jornalistas e dissidentes que foram de fato perseguidos, presos, exilados e hoje vivem longe da terra natal por conta do regime dos castros. Eles são muitos em todo o mundo, e nenhum deles tem boas lembranças dos horrores que viveram na ilha. Se pensam que Yoani é patrocinada pelos EUA, procurem se informar quem patrocinou a presidenta Dilma quando ela se aliou aos ditadores no Brasil: foram os castros; aliás, quanto a isso ela já saldou a dívida, levou de bandeja para Cuba muitos bilhões de reais do BNDES a fim de patrocinar o regime comunista cubano.


NOTAS
1 Political Intelligence the Territory of USSR, Andropov Institute of the KGB, Moscou, 1989.
2 WIN é a abreviatura para o lema polonês ‘Liberdade e Independência’. Segundo o relatório para Moscou: ‘Desinformar o inimigo envolveu fornecer alguma informação autêntica (para estabelecer credibilidade) junto com puros engodos’. (Operação César, publicação do Partido Comunista Polonês, 1954)
3 Graça Salgueiro, estudiosa da estratégia e ações da esquerda latino-americana lideradas pelo Foro de São Paulo no continente, edita o blog Notalatina e tem seus artigos publicados no site argentino La Historia Paralela.
4 Adela Soto Alvarez é licenciada em Filologia, Jornalista, Escritora, Poeta, fundou a Imprensa Independente em Cuba e foi condenada a um ano de prisão domiciliar na Primavera Negra de 2003, por suas atividades contestatórias. Reside atualmente em Miami como refugiada política. Autora da novela-testemunho "O Império da Simulação" (Miami 2005) e outros livros sobre a realidade cubana.
Alguns sites:
http://notalatina.blogspot.com.br/2008/12/desconstruindo-falsos-mitos-depois-de_6599.html 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Brasil vai patrulhar fronteiras com aviões não tripulados

Foto 01: VANT RQ-450 Hermes - Israelense

      Os megaeventos que estão por vir (Copa em 2014 e Olimpíadas em 2016) geram uma preocupação maior com a segurança do país e dos seus visitantes. O Brasil é um país com quase 16.500 km de fronteiras com 10 países na América Latina: Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. O contingente de militares vigiando essas fronteiras, historicamente, foi muito pequeno, dando ensejo ao constante contrabando e a entrada de drogas, armas, imigrantes irregulares entre outros problemas sérios e, aliado a isso, a concentração de grandes multidões também geram preocupações.
    Uma forma de combate a esses problemas pode ser a utilização de aeronaves remotamente pilotadas ou VANT – Veículo Aéreo não Tripulado, que podem ser utilizados tanto na esfera militar quanto na civil. As ARP são capazes de patrulhar centenas de quilômetros em um curto espaço de tempo, fotografando, filmando e detectando, à distância, qualquer atividade suspeita, seja dia ou noite, sob a copa de árvores, no solo, na água ou no ar. São difíceis de serem vistas no ar ou ouvidas na terra, pois podem voar a mais de 5.500 metros de altitude. Elas podem ainda, em megaeventos como a Copa e as Olimpíadas, patrulhar as multidões buscando detectar motins e garantindo a segurança das pessoas.
     A Força Aérea Brasileira sempre teve o sonho de produzir a tecnologia e fabricar os aviões não tripulados aqui no país. Desde 2010 a FAB utiliza dois VANTs fabricada pela Elbit Systems de Israel, o modelo VANT RQ-450 Hermes (foto 1), empregadas principalmente na missão de patrulhar fronteiras. Recentemente as aeronaves foram decisivas na Operação Ágata 1 (agosto de 2011) que monitorou e deu apoio aos caças da FAB na destruição de pistas de pouso clandestinas na Amazônia e também foram utilizadas na Rio+20 onde essas aeronaves transmitiram imagens do evento em tempo real para uma central de comando que cuidava da segurança durante o evento.
Foto 02: ARP Brasileira - Projeto Falcão
     Essa dependência tecnológica esta prestes a terminar. Uma parceria formada pela Embraer Defesa e Segurança e a AEL Sistemas S.A. agora inclui a Avibras Divisão Aérea e Naval, com a finalidade de desenvolver em conjunto o projeto Falcão - aeronave remotamente pilotada (ARP) do Brasil (foto 2). “A sinergia das competências técnicas e industriais das três associadas da Harpia, somada ao legado de alto conteúdo tecnológico nacional do Projeto Falcão, resultarão em uma solução de ARP (Aeronave Remotamente Pilotada) de alta competitividade no Brasil e no Exterior”, disse Sami Hassuani, presidente da Avibras.

Fontes: Agência Força Aérea, Avibrás.

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