quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Um conto! Um momento de emoção!

         Publicado no blog: O Anjo do Jardim

       Escrever contos nunca foi muito a minha praia. Eu fui por muito tempo voltado à poesia. As palavras poéticas faziam o meu espírito viajar e meu coração palpitar mais forte. Era como se uma voz do infinito soasse em meu ouvido me fazendo dizer ou escrever coisas das quais, muitas vezes, eu não tinha a plena consciência. Lembro bem de cada sensação ao ler poemas de Drummond, Vinícius, Florbela, Camões, Pessoa, e a lista seria infinita... ler sempre foi um momento de emoção.
       Vinícius bem definia: "o poeta parte no eterno renovamento. Mas seu destino é fugir sempre ao homem que ele traz em si." Ora, não seria eu um poeta se não tentasse fugir de mim, me transmutasse em tantas facetas e me renovasse em cada verso... eu também sou daqueles, como dizia Vinícius: "Eu sonho a poesia dos gestos fisionômicos de um anjo!". A poesia é viva em si, ela preexiste ao poeta, coexiste com ele e se eterniza após ele; não sei se nós criamos poemas ou se eles nos criam, penso, com sinceridade, que somos apenas portadores dessas mensagens sublimes. Olha só de que maneira fala Drummond em seu poema "Poesia":

Poesia
Carlos Drummond de Andrade

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.

         Mas, contar história é outra história. Começa pelas especificidades do gênero. O conto está sempre no campo da ficção devendo, no entanto, ter vínculo com a objetividade da existência de seres reais ou imaginários e suas interferências no universo em que vivem. A subjetividade, muito própria da poesia, encontra lugar no conto, pois este, me parece, possui uma dicotomia própria: pode perambular pela poesia e pela crônica numa boa... essa flexibilidade torna o conto um gênero textual muito atraente e lhe confere inúmeras possibilidades de construção.

“No conto tudo importa: cada palavra é uma pista. Em uma descrição, informações valiosas; cada adjetivo é insubstituível; cada vírgula, cada ponto, cada espaço – tudo está cheio de significado. [...]”
(André Fiorussi, In: Antônio de Alcântara Machado et alii. De conto em conto. São Paulo; Ática, 2003. p. 103)

           Como numa coxa de retalhos, o conto vai sendo costurado pouco a pouco. Ele é apresentado ao leitor com precisão e clareza ao mesmo tempo em que se reveste de mistérios e conflitos. Segue andarilho pela estrada do enredo para as surpresas do clímax, quase sempre deixa na boca um gostinho de "quero mais". Como diria André Fiorussi "Um conto é uma narrativa curta. Não faz rodeios: vai direto ao assunto." e assim começa e termina como se não tivesse fim.

         Em meu livro "O Anjo do Jardim", tem contos que são assim: eu não pensei em escrevê-lo completamente ou dar um fim que o torne finito. Eu imaginei histórias que possam continuar na cabeça do leitor dando a ele a oportunidade de participar da construção do texto de forma complementar. O leitor de "O Anjo do Jardim" pode se envolver de tal forma a ponto de se sentir um co-escritor. Tenho certeza que um momento de emoção (seja que emoção for) o meu livro vai proporcionar! 

***

Para outras informações sobre o livro "O Anjo do Jardim" acesse o blog que eu criei especialmente para o livro: http://oanjodojardim.blogspot.com.br/

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