sábado, 19 de julho de 2008

Juventude Errante

Estamos aqui
Desgarrados
Largados à própria sorte
Insatisfeitos

Há um mundo tão diverso
Tão profano e tão complexo
Lá do outro lado do mundo
Mas estamos aqui
Eu e minha pinga no copo

Jovens
Onde mora a liberdade?
Aqui nesses confins
Onde tudo é banalidade
Sem ter oportunidade
De dizer o que se sente
Ou de fazer nascer os sonhos?
Ou lá nos amontoados de pedras
Nos torrões de cimento e brita
Na balbúrdia das feiras malditas
No espetáculo infernal das cidades?

Estamos aqui
Nesta mesa de bar
Não há mais pra onde olhar
Nem destino a explorar
Tão jovens e tão perdidos
Tão novos e tão desiludidos
Tudo perto e tão distante
Claramente confundidos

A esperança é que
No fundo do copo
E dos meus amigos perdidos
As ilusões se deformem
E vagamente satisfeitos
Durmamos todos
Contidos.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Caminho de Feira

Pré-Produção

Dentro da programação do projeto Revelando os Brasis estão esses primeiros 3 meses (Julho, Agosto e Setembro) de pré-produção, produção e finalização do curta-metragem.
A pré-produção, que já iniciou desde os estudos de roteiro, decupagem técnica etc., teve sequência no município, com aprimoramento do roteiro, visitas às locações, formação de equipe e aquisição de apoios.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Amanhã

Não seria o amanhã um hoje disfaçado de futuro? Como se veste o desconhecido? Ocultando uma realidade imprevisivel? E essas minhas indagações, por ventura, em toda sua inconsistencia ou desventura, não traria uma refelxão contínua? O amanhã não se revela em cores, é um quadro em preto e branco, ou em sépia, indefinido em seus contrastes, rico em espaço para formas e cores. Penso que hoje é uma obra de arte colorida que amanhã vai ficar dempedurado no museu do passado, para ganhar camadas da poeira do tempo.


É assim que diante do espelho penso no amanhã. Não me vem às lembraças de pavores, medos contidos, acasos prováveis, crises de sentimentos ou construções mirabolantes das minhas ideias tolas; vêm-me tão simplesmente a certeza de que acreditando, a gente vai longe. O amanhã eu construo hoje com tinta e recortes, ou simplesmente com o olhar.


Hoje, aquela lagoa pela qual passamos, os 39 e eu, me disse algo diferente: refletia sobre sua superfícia os imponentes arranha-ceus do Rio, formando uma obra de arte visual emoldurada aos pés do Cristo Redentor, tão única e tão simbolica; tão viva e tão nostálgica, tão perfeita e tão irreverente... senti fisgar meu peito à lembrança do desafio vindouro.


Na aula, a professora de Direção de Arte, perdoem-me pois me escapa agora o nome, trouxe-nos a proposta de uma colagem que pudesse revelar o espírito em cores de nosso filme. Bendita lagoa cujas cores me enriqueceram as ideias. Depois disseram que minha colagem poderia ser emoldurada: era uma obra de arte. A obra que dará origem a um filme, ou o amanhã construido hoje; a reflexão de um sonho.


Hoje eu só quero uma coisa: que cada vez mais brasileiros tenham a oportunidade de fazer colagens para construir um amanhã digno.


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