quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Da coragem e da verdade


“Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez”. 
William Shakespeare


O deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB) ficou calado quando o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou uma Lista Negra de jornalistas que “cometem o pecado” de criticar o governo Dilma.
Até mesmo a ONG internacional Repórteres Sem Fronteiras condenou a Lista Negra do PT contra jornalistas e humoristas críticos ao governo. Mas Carlos Bezerra – que adora citar Martin Luther King – ficou bem quietinho.
Carlos Bezerra também ficou em silêncio profundo quando meia dúzia de jovens violentos depredou a sede da Editora Abril, em retaliação à reportagem da revista Veja que apenas reproduziu trechos do depoimento do doleiro Alberto Youssef, que ligam Dilma Rousseff ao esquema de corrupção na Petrobrás.
Agora o PT pretende instaurar no Brasil o “Controle Social da Mídia”, que nada mais é que um nome sofisticado para a censura. O que o tucano Carlos Bezerra disse a respeito desta ameaça à liberdade? Absolutamente nada.
Carlos Bezerra é incapaz de pronunciar uma sílaba crítica aos trogloditas no poder e, mesmo assim, ocupa o papel de líder do governo Alckmin na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Eis que agora, convocado pelo momento midiático favorável, Carlos Bezerra decidiu expor um site que denunciou as preferências políticas dos jornalistas que distorceram a cobertura dos atos contra Dilma em São Paulo.
O site Reaçonaria simplesmente demonstrou que os jornalistas Gustavo Uribe (da Folha de S. Paulo) e Ricardo Chapola (do Estadão) compartilham certos dogmas ideológicos de esquerda e, em suas reportagens, tendem a distorcer a verdade em nome da ideologia. A cobertura que eles fizeram dos atos contra Dilma é vergonhosa.
Ao contrário dos petistas, ninguém pediu a cabeça dos jornalistas citados. Ninguém fez lista negra. Foi apenas uma denúncia sobe a parcialidade de ambos.
Carlos Bezerra, que jamais se incomodou com a depredação da sede da Editora Abril empreendida por militantes da União da Juventude Socialista (UJS), decidiu agora solicitar que a Assembleia Legislativa de São Paulo acione a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para identificar os autores do Reaçonaria.
Mesmo sendo membro do PSDB, ele nada disse quando Lula comparou tucanos a nazistas. Nenhuma palavra de protesto. Mas agora ele garante que a denúncia do Reaçonaria colocou em risco os jornalistas citados!
“Ao incitar um clima de ódio contra a cobertura de imprensa e promover assédio pessoal aos profissionais dela encarregados, o website apócrifo atenta contra a liberdade de expressão, afetando não apenas as pessoas assediadas e os jornais para os quais trabalham, mas também o direito que toda a sociedade tem de ser informada”, afirmou Bezerra
É estranho que Carlos Bezerra jamais tenha se posicionado em favor da liberdade de imprensa quando veículos de comunicação críticos ao governo sofreram ataques vergonhosos, tiveram suas sedes depredadas, seus nomes citados em listas negras.
Em postagem na sua página oficial, o covarde e mentiroso deputado tenta justificar sua notável parcialidade com sua retórica de Poliana:
“Quando se fomenta o ódio contra a imprensa e se utiliza o ataque pessoal como arma, a primeira vítima é a liberdade de informação.”
Ora, os militantes petistas passaram toda a campanha promovendo o ódio. Eu mesmo fui vítima deste ódio quando meu perfil pessoal sofreu inúmeras denúncias falsas que quase levarem o Facebook a me retirar da sua rede.
Também foi divulgado pela imprensa a reação violenta de militantes petistas nas universidades, que ameaçaram apedrejar carros com adesivos anti-PT.
Parece que Carlos Bezerra não se preocupa com ameaças de violência do outro lado, tampouco com manifestações de ódio de Lula e seus fantoches contra aqueles que exercem o sagrado direito de fiscalizar e criticar o governo.
Para ele, ódio é qualquer crítica ao PT. Depredação, ameaças e controle da mídia são manifestações de amor e civilidade.
Bezerra chama o Reaçonaria de site “apócrifo”. E diz que seus autores se escondem no anonimato. Mas os autores do site não são MAVS, os patrulheiros virtuais do PT sobre os quais Bezerra, é claro, jamais disse uma única palavra.
Esta é uma das respostas de um autor do Reaçonaria ao deputado:
“Sou articulista do site Reaçonaria. Tenho nome, sobrenome, foto, blog, twitter. Não escrevi o post sobre os jornalistas da Folha e do Estado. Escrevi este outro, sobre a manifestação de 01/11 e, sim, sobre a cobertura omissa e distorcida da imprensa [...]
O site Reaçonaria reuniu informações PÚBLICAS, DIVULGADAS PELOS PRÓPRIOS JORNALISTAS, sobre seu alinhamento ideológico e suas amizades com petistas. Se Vossa Excelência vê aí um “ataque aos jornalistas”, é Vossa Excelência quem não tem clareza do que é liberdade de imprensa.
A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, os Ministérios Públicos e a Polícia Federal podem investigar quem quiserem, inclusive a nós. Gostaria que investigassem o ataque à Veja. Gostaria que investigassem os crimes eleitorais nos Correios. Gostaria que investigassem as ligações do PT e do governo com o Foro de São Paulo. Qual a opinião de Vossa Excelência sobre essas questões?
Atenciosamente,
Marcelo Centenaro”
Reforço os pedidos de Marcelo Centenaro para que Carlos Bezerra se posicione publicamente sobre os ataques contra a Editora Abril e, acrescento, o pedido para que ele fale sobre a hostilidade do Partido dos Trabalhadores contra a imprensa.
Carlos Bezerra é pastor da Comunidade Caminho da Graça. Como evangélico, ele não pode ter outro partido senão a verdade. Bezerra cita outro evangélico, Luther King, para fundamentar sua campanha politicamente correta contra a verdade:
“Martin Luther King, uma grande inspiração para mim, disse “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.”
Espero que Bezerra não se recolha ao o monólogo ideológico ou responda com novas ameaças judiciais, como é típico de certas figuras do meio evangélico.
Se ele quer ser tão corajoso quanto Luther King, que comece por explicar seu silêncio diante dos ataques à imprensa feitos por petistas e seus aliados. Do contrário, corre o risco de ver em vida sua reputação morrer, como advertia Shakespeare.

Thiago Cortês é graduado em sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP).
Há mais de dez anos trabalha como jornalista e, atualmente, presta serviços de consultoria política.

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