quinta-feira, 2 de junho de 2011

Antônio Torres na ABL, por que não?

            Antônio Torres é um dos nomes mais louvadas nas universidades de todo país, dono de uma genialidade literária inacreditável na qual transcreve a cultura nordestina de forma brilhante. Foi premiado por diversas vezes no Brasil e no exterior, autor de 11 romances, 1 livro de contos, 1 livro para infantil, 1 livro de crônicas, perfis e memórias, além de diversos projetos especiais.
        Candidatou-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, lugar que, pela sua obra e talento, lhe é muito merecido. Mas receio que não seja dessa vez que esse sonho, do qual eu e inúmeras pessoas nesse país compartilhamos, se torne realidade. Digo isso, pois há muito a ABL vem perdendo seu real papel no cenário literário. Em vez de "cultivar a língua e a literatura nacional", como expressa em seu objetivo máximo, tem se tornado uma casa de ponpa, estrelismo e inutilidade. Para entrar lá, é preciso ter préstigio e poder; coisa que para um modesto escritor nordestino, está difícil. A ABL é hoje um trambolho velho fadada ao insucesso com muito prestígio, mas entre gente sem um pingo de literatura. A qualidade dos imortais que lá estão em vida passa longe dos que já se foram.
          Que prestígio literário tem o Sr José Sarney para o Brasil? Pois ele é um imortal de lá. A mesma pergunta eu faço quanto ao Sr Roberto Marinho, jornalista e fundador da Rede Globo. E o Sr Marco Maciel? Um político, poderoso e cheio da grana, mas só isso. Agora vão eleger o Marvel Pereira, cria da Globo e autor de dois livrecos sem nenhuma importância (O Lulismo no Poder, Editora Record, 2010 e A segunda guerra, a sucessão de Geisel, Brasiliense, 1979). O fim da picada.  Que expressão literária tem esse povo, minha gente? Onde fica o art. 2º do Estatuto da ABL, onde se lê: Só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário. (grifo meu)?
           Portanto, amigos, nosso talentoso Caboclo Setenta vai ter que esperar. Vamos esperar até que os membros da ABL entendam que a língua é o bem mais precioso dessa nação e que cuidar dela é papel dos notáveis escritores literários e não de aristocratas retrógrados e jornalistas medíocres.

Conheça mais sobre Antônio Torres:
BIOGRAFIA
Antônio Torres nasceu no pequeno povoado do Junco (hoje a cidade de Sátiro Dias), no interior da Bahia, no dia 13 de setembro de 1940. Ainda menino, mudou-se para Alagoinhas para fazer o Ginásio, mais tarde foi parar em Salvador, capital baiana, onde se tornou repórter do Jornal da Bahia. Aos 20 anos transferiu-se para São Paulo, empregando-se no diário Última Hora. Lá, mudou de ramo e passou a trabalhar em publicidade. Viveu por três anos em Portugal e atualmente dedica-se exclusivamente à atividade literária e mora em Itaipava, Petrópolis, RJ depois de viver no Rio de Janeiro por várias décadas. É casado com Sonia Torres, doutora em literatura comparada, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), e tem dois filhos, Gabriel e Tiago.
Aos 32 anos, Antônio Torres lançou seu primeiro romance, Um cão uivando para a Lua, que causou grande impacto, sendo considerado pela crítica “a revelação do ano”. O segundo “Os Homens dos Pés Redondos”, confirmou as qualidades do primeiro livro. O grande sucesso, porém, veio em 1976, quando publicou Essa terra, narrativa de fortes pinceladas autobiográficas que aborda a questão do êxodo rural de nordestinos em busca de uma vida melhor nas grandes metrópoles do Sul, principalmente São Paulo.
Hoje considerada uma obra-prima, Essa terra ganhou uma edição francesa em 1984, abrindo o caminho para a carreira internacional do escritor baiano, que hoje tem seus livros publicados em Cuba, na Argentina, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, Holanda, , Espanha e Portugal. Em 2001 a Editora Record lançou uma reedição comemorativa (25 anos) de Essa Terra. Torres, porém, não restringiu seu universo ao interior do Brasil. Passeia com a mesma desenvoltura por cenários rurais e urbanos, como em Um cão uivando para a Lua, Os homens dos pés redondos, Balada da infância perdida e Um táxi para Viena d’Áustria.
Em 1997, Torres decidiu retornar ao tema e aos personagens do consagrado Essa terra. Vinte anos depois, narrador e protagonista voltam à pequena Junco em O cachorro e o lobo, para encontrar uma cidade já transformada pela chegada do progresso. É um romance de fina carpintaria literária que foi saudado pela crítica, tanto no Brasil como na França, onde foi publicado em 2001.
Foi condecorado pelo governo francês, em 1998, como “Chevalier des Arts et des Lettres”, por seus romances publicados na França até então (Essa terra e Um táxi para Viena d'Áustria). Em 2000, ganhou o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra. Em 2001, foi o vencedor (junto com Salim Miguel por Nur na escuridão) do Prêmio Zaffari & Bourbon, da 9a. Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, RS, por seu romance Meu querido canibal, no qual Torres se debruça sobre a vida do líder tupinambá Cunhambebe, o mais temido e adorado guerreiro indígena, para traçar um painel das primeiras décadas da história brasileira.
Dando seqüência às suas pesquisas históricas, ele escreveu o romance O nobre seqüestrador, que trata da invasão francesa ao Rio de Janeiro em 1711, comandada por René Duguay-Trouin, o corsário de Luis XIV, que sequestrou a cidade durante 50 dias, até que lhe fosse pago um alto resgate para que ela fosse devolvida a seus habitantes. O nobre seqüestardor foi finalista no Prêmio Zaffari & Bourbon de 2003.
Em 2006, Antônio Torres publicou o romance Pelo fundo da agulha, com o que fechou uma trilogia iniciada com Essa terra e prosseguida com O cachorro e o lobo. Este livro foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti e finalista do Prêmio Zaffari & Bourbon, da Jornada Literária Nacional de Passo Fundo.

2 comentários:

  1. concordo com você em gênero e grau!!!
    Beijos!!

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  2. É triste ver a "desaculturança" nas instituições que deveriam ser o refencial para novos autores. O que nos ensinam com isto é que conhecimento e talento não são suficientes para obter reconhecimento. Desta forma começo mesmo a crer que aquele que um dia me disse "Não há certo nem errado, há apenas o poder", estava com a razão.
    :(

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