quinta-feira, 5 de março de 2009

AQUELE AMOR APRENDIZ ME ENSINOU A SER QUEM SOU

O amor mais lindo de todos os tempos foi aquele da porta da escola. Aquele que foi um amor gostoso. Um amor ingênuo feito apenas de desejos. Amor despojado de medos e obrigações, inconsequentemente infantil e sem dolo, feito pra durar uma eternidade. Era, hoje entendo, feito de adrenalina, pois quando aquele portão se abria, do peito parecia querer saltar meu infante coração. Era um amor de sonhos, sim, sonhos sem fantasias, eram imagens angelicais que povoavam minha mente e coloriam as noites.
Gostoso era levantar cedo, tomar depressa o café, sair de casa como se fugisse para um refúgio sagrado. Gostoso mesmo era chegar lá e vislumbrar sorridente o rosto da minha amada. Aquele não era apenas um sorriso, era uma cachoeira de felicidade caindo sobre mim. E como se nada mais existisse, meu corpo não se dominasse, eu corria para seus braços e num abraço tinha comigo o infinito e num breve instante o inaudito e estupendo sentimento de realização profunda.
Aquele amor de portão de escola era além de lindo, muito forte. Sim, pensava eu, era um amor inevitável. Um querer enlouquecido que não temia desventuras. Quem nesse mundo de deus teria coragem para destruir aquele amor? E como ser contra um sentimento tão lindo? Só por mil diabos alguém seria contrário à felicidade do meu tenro coração. E por mil e um diabos, existia alguém. Alguém de coração profanado pela maldade; uma mente envenenada pelo horror; uma alma ressequida pelo hálito do inferno da solidão. Só podia ser um corpo desalmado à esmo, buscando almas felizes para delas se alimentar.
Tanta felicidade irradiava de nossos poros quando nos abraçávamos. Quantos raios de luz escapavam por nossas pálpebras quando entreolhava-nos. Tanto contentamento fulgente por nossas mãos quando entrelaçadas. Sem falar de perfumes, estrelas, luas e sois que saltitavam em nosso encontro. O amor como a loucura mais sobrenatural que o homem tem.
Naquele dia eu precisava dizer: meu amor, há alguém entre nós querendo nos separar. Minha mãe já me disse que vamos nos mudar essa semana. Não tenho culpa, você tem que ficar e eu tenho que ir, mas eu nunca vou te esquecer Mônica, meu amor, minha professora Mônica, que me ensinou a ser quem sou.

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