terça-feira, 14 de outubro de 2014

Pêndulo brasileiro e hegemonia esquerdista

No que diz respeito aos corpos sociais, no campo da psicologia social, pouco ou quase nada publicou-se sobre as anestesias psicológicas que podem ser aplicadas - e que se vêm aplicando - em nações inteiras e até a blocos regionais de países.

Escrito por Cubdest

1. Bastou que no primeiro turno das eleições presidenciais o pêndulo político brasileiro se movesse alguns centímetros da esquerda para o centro, para que a atual hegemonia esquerdista ficasse em uma situação psicologicamente instável no Brasil, no Uruguai (onde este mês também haverá eleições presidenciais e onde a oposição tem possibilidade de ganhar da esquerda), assim como em outros países da América Latina atualmente com governos esquerdistas.
2. Trata-se de uma hegemonia que se mantém desde longos anos pela inação dos líderes do centro e da direita, é verdade. Porém, que sobretudo conseguia se impor mediante uma misteriosa anestesia psicológica que as esquerdas foram capazes de injetar, em doses graduais, nos públicos dos respectivos países latino-americanos que atualmente governam.
3. Sabe-se que para finalidades cirúrgicas, as anestesias, sejam locais ou totais, possuem um tempo limitado de duração, dentro do qual a respectiva equipe de cirurgiões consegue ou não realizar operações, muitas vezes de alta complexidade em órgãos vitais do corpo humano. No que diz respeito aos corpos sociais, no campo da psicologia social, pouco ou quase nada publicou-se sobre as anestesias psicológicas que podem ser aplicadas - e que se vêm aplicando - em nações inteiras e até a blocos regionais de países.
4. Um dos melhores estudos críticos que se escreveu até o momento a respeito das anestesias sociais, é um livro publicado em 1988 em Madri, intitulado “Espanha, anestesiada sem perceber, amordaçada sem querer, extraviada sem saber - A obra do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE)”, redigido por um conjunto de investigadores da escola de Plinio Corrêa de Oliveira, um intelectual brasileiro que teve um papel fundamental na explicitação das delicadas teses de psicologia social desenvolvidas nesse livro [1]
5. A “psico-cirurgia” do PSOE é analisada lá em câmara lenta, e mostra-se como através de uma estratégia de gradualidade, e não de enfrentamento aberto como faziam os velhos revolucionários, foi-se anestesiando as forças vivas da Espanha, deixando-as inertes durante anos frente a uma ofensiva socialista “pacífica”, consensual e gradual. Tratou-se de uma revolução “tremenda”, “assombrosa”, embora “silenciosa” e “tranqüila”, que se operou na profundeza das mentalidades e das tendências mais que nas estruturas sociais, um novo tipo de revolução incruenta que transformou a Espanha quase inadvertidamente. É o que se descreve em câmara lenta, passo a passo, na referida obra.
6. Oferecemos aos leitores brasileiros e latino-americanos que se interessem pelo tema, um resumo em espanhol de 54 páginas do livro "España, anestesiada sin percibirlo, amordazada sin quererlo, extraviada sin saberlo - La obra del Partido Socialista Obrero Español (PSOE)", em formato PDF. Basta clicar no link que se transcreve no final deste editorial [2]. Boa Leitura.
7. É possível que o leitor brasileiro encontre analogias entre a psico-cirurgia que o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOL) aplicou na Espanha e a desconstrução mental do Brasil ao longo de três governos do Partido dos Trabalhadores (PT), que até o momento leva 12 longos anos no poder. Assim como também o leitor argentino, boliviano, chileno, uruguaio, venezuelano, equatoriano, etc., poderá eventualmente tirar também suas próprias conclusões e traçar suas próprias analogias.
8. Faltam ainda vários dias para o segundo turno eleitoral no Brasil, que se realizará no próximo dia 26 de outubro. Não sabe-se o que pode acontecer até a data da votação e é realmente difícil prever o resultado final, entre outros motivos, porque o público brasileiro, do mesmo modo que o público de países da região atualmente sob governos de esquerda, está ainda bastante anestesiado, instável e volúvel, o que torna difícil fazer previsões. 12 anos de hegemonia esquerdista não transcorrem em vão.
9. De qualquer maneira, é desejável que esse movimento pendular iniciado no Brasil sirva para infringir uma derrota eleitoral ao atual governo, assim como um debilitamento da hegemonia política esquerdista nesse país e em outros países da região. Uma eventual vitória da oposição no Brasil, dependendo da evolução dos fatos, poderia chegar a ter um efeito similar ao que teve a queda do muro de Berlim sobre as esquerdas européias. Esse resultado não seria pouca coisa. Sobretudo se consegue-se um antídoto eficaz contra as anestesias e as psico-cirurgias sociais que ameaçam conduzir-nos sem perceber ao abismo da desconstrução mental, política e cultural mais espantosa. Uma eventual derrota do governo do Partido dos Trabalhadores no Brasil e o conseqüente debilitamento de sua hegemonia, não pode nos levar a dormir nos lauréis de uma vitória apenas eleitoral.

Apontamentos de Destaque Internacional. Sexta-feira, 10 de outubro de 2014. Responsável: Javier González. Para encaminhar sua valiosa opinião, pedido de subscrição ou cancelamento, etc., envie um e-mail para  destaque2016@gmail.com
Notas do autor:
1. Biblioteca on line muito completa com escritos de Plinio Corrêa de Oliveira: www.pliniocorreadeoliveira.info

Tradução: Graça Salgueiro

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