sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Olavo de Carvalho me fez desistir do PT

"Conhecereis a verdade e ela vos libertará" João 8:32

   
Abimael Borges
   O discurso do PT é incrivelmente atraente. Aliás, a esquerda tem um discurso que, à primeira vista, parece o mais justo de todos. Eu fui atraído por esse discurso desde muito novo (embora não tenha me filiado ao PT). Jamais passou por minha cabeça duvidar da eficiência das políticas socialistas para promoção da inclusão social e para o desenvolvimento do país. Diante disso, os discursos de Lula me pareciam o suprassumo da intelectualidade em defesa da sociedade mais justa, igualitária e melhor para todos. Votar no PT foi, por muitos anos, uma obrigação cívica, um dever sacro para com o meu país.
    O PT assumiu o governo em 2003 e eu fui um dos que chorou de emoção real e verdadeira em acreditar que, dali por diante, o governo estaria de fato empenhado em fazer desse país uma nação mais justa com os pobres e que, finalmente, tínhamos colocado um fim no imperialismo das elites opressoras.
    A decepção com o PT começou logo em seu primeiro mandato. Mesmo assim, me faltava elementos suficientes para me abrir os olhos. Quando Lula anunciou com toda pompa o programa Bolsa Família, eu sabia que era apenas a junção de outros programas já existentes no governo FHC, logo, não havia nada de novo, mas isso não foi o suficiente para acreditar que o PT não tinha competência governamental. Mas não demorou para eu perceber que as políticas adotadas por Lula era semelhantes às de FHC com pouca ou nenhuma diferença. Parecia-me estranho.
    Algumas coisas começavam e incomodar, muito sutilmente, mas de forma contínua. O aprofundamento das relações de Lula com velhas ditaduras (Irã, Cuba, Coreia do Norte) me causava comichão: ora, como pode um partido que lutava contra a ditadura, estreitar laços com ditadores? Me parecia controverso, muito confuso. Eu ainda não tinha uma visão clara da diferença entre políticas de esquerda e de direita; não me parecia relevante essa diferenciação nem que ela estivesse ligada às escolhas do governo Lula (quanta ingenuidade!). Mas o fato é que as relações de Lula com organismos e governos ditadores ainda eram muito discretas.
    A princípio o mensalão (2005) me pareceu uma grande armação política de uma oposição fracassada. Os fatos denunciados eram tão inacreditáveis que não mereciam a menor atenção. Porém as coisas foram se aprofundando, a própria Dilma, então ministra da Casa Civil, veio a Salvador passear em lancha de luxo da empreiteira Gautama, que estava envolvida em diversos escândalos de corrupção, aliás, a Gautama era a mesma empreiteira contratada para a polêmica transposição do Rio São Francisco, projeto que até hoje não saiu do papel. Pronto. As coisas começavam a fazer sentido de forma prática. Como nordestino, paraibano que vive há mais de 20 anos na Bahia, vi e ouvi muitos dos desmandos do PT. O atual governador da Bahia, Jaques Wagner (PT-BA), estava atolado até o pescoço com os escândalos das empreiteiras Mendes Jr. e Gautama. Eram fatos muito próximos aos baianos.
    Não fazia sentido em minha cabeça o fato de eu ter lutado sempre do lado da moralidade política contra todos os "desmandos" tucanos e contra a ditadura militar que era pintada como a mais dura degradação política no Brasil. Diante do que se via, a "privataria" tucana chegava a ser piada, de tão insignificante que se tornava. As constatações da Polícia Federal eram claras: Lula sabia e participava das irregularidades, pois se o próprio irmão do Lula sabia, como era possível que ele não soubesse? Isso ficou evidente com a divulgação de gravações que mostravam o irmão de Lula (Genival Inácio da Silva, o Vavá) negociando com membros de quadrilha de "caça-níqueis" na operação "xeque-mate" da Polícia Federal. Para complementar as minhas suspeitas, eu percebia o desespero do PT e e seus aliados no intuito de evitar criações de CPIs, ora, se eram inocentes, por que queriam impedir as investigações? Não fazia sentido, e cada vez mais eu via que Lula não era o suprassumo da moralidade, como eu ingenuamente acreditava.
    Para se ter noção de quanto as promessas socialistas cegam a mentalidade humana, mesmo diante de todos esses escândalos constatados, eu ainda via esperanças no PT. Mesmo nesse lamaçal de corrupção, Lula terminou seu segundo mandato com aprovação de mais de 90% da população brasileira e ainda fez sua substituta, Dilma Rousseff. Eu mesmo votei nela com a mesma paixão que votara em Lula tantas vezes até a sua eleição e segundo mandato e pior, também votei em Jaques Wagner, nos deputados e em senador do "time de Lula". Bom, hoje eu me pego pensando em como é possível para alguém em sã consciência não enxergar o que está bem diante dos próprios olhos? O problema - hoje sei - é exatamente a falta de "sã consciência". 
    As instigações que nasciam em mim, decorrentes das próprias ações do governo Lula, me impulsionavam a conhecer melhor a origem do pensamento de Lula, seu alinhamento ideológico, sua motivação para determinadas escolhas políticas, sua falta de coerência entre o discurso e a prática. Foi ai que comecei a ter curiosidade sobre o pensamento político que Lula tanto criticava: quem eram os burgueses, as elites, os imperialistas que Lula tanto odiava, contra os quais eu por pura cegueira, também nutria um ódio inexplicável? Lula me ajudou a acender a luz na escuridão e com ela acesa, vi desmoronando todo o castelo de ilusões que o pensamento socialista construira em torno de mim. Era desencantador. Mas esse não foi um processo simples e instantâneo.

    Dilma no governo representava, pra mim, um novo período na construção da justiça social. No final de 2011 eu continuava percebendo o alinhamento de uma ex-combatente que atuou contra a Ditadura Militar, de beijos e abraços com ditaduras da América Latina e do mundo. Isso cheirava mal. Quanto à justiça social, tão almejada, veio de forma muito semelhante ao que criticávamos na era FHC, bolsas, doações de cestas, tudo isso era criticado como o próprio Lula fazia; o PT não só aprofundou a dependência da população com o governo, como não soube implementar nenhuma melhoria no plano econômico, que ficou estacionado na política de FHC, com clara demonstração de que Fernando Henrique fizera um bom trabalho, principalmente com o Plano Real
    Foi assim que começou cair a ficha. O desencanto deu origem a uma busca por entender as razões do socialismo de modo mais profundo. Na minha pequena biblioteca eu só disponha de menos de uma centena de livros entre os quais alguns de Marx, Lênin, Deleuze, Lacan, Foucault, Ranière, Engels, Stálin, Gatarri, Gramsci, Marcuse, outros títulos de autores menos conhecidos, e pra falar a verdade eu não tinha lido a metade deles, apenas olhava a fim de escrever algum trabalho ou quando algum professor recomendava a obra ou trecho dela, mesmo assim eu sentia que a resposta para o fracasso visível das políticas de Lula e Dilma não estaria ali, então fui pesquisar os contrapontos na internet. Foi a primeira vez que ouvi falar em Eric Voegelin - um dos maiores opositores de Karl Marx, a partir disso, tive contato com a obra de um dos maiores filósofos do Brasil: Olavo de Carvalho.
    A verdade é que os ensinos do professor Olavo promoveram uma reviravolta nas minha concepções. Vi de repente tudo o que eu entendia de mundo ser duramente questionado e, mais grave, não era mera acusação, haviam constatações, documentos, uma gama enorme de leituras que eu jamais tinha feito. O que eu sabia de economia vinha de Marx e Lênin, Olavo me apresentou a Escola Austríaca e inúmeros economistas que dizimaram o engodo marxista. Até então, eu era muito simpático aos movimentos de classes feministas, homossexuais, MST e outros, sem jamais ter consciência que, no conjunto da obra, tais movimentos jamais objetivaram a aquisição de direitos pois, como caminho lógico das ações desses movimentos, tem-se apenas a ascensão de governos totalitários.
     Como cristão, me vi confrontado com uma realidade que eu achava se tratar de fanatismo, fundamentalismo, teoria da conspiração, e para a qual eu nunca dei qualquer importância. Então descobri os primeiros artigos de Olavo de Carvalho e neles, compreendi o encadeamento de um conjunto de fatos que, embora eu os percebesse acontecendo na história e na contemporaneidade, não sabia encadeá-los de forma lógica e clara e, mais grave ainda, não fazia a menor ideia da origem dos eventos históricos, o que Olavo explica muito bem. Com princípios e valores cristãos, eu preciso dar lugar à verdade, a bíblia manda examinar tudo e reter apenas o que for bom (I Tes. 5:21), é isso que estou fazendo.
    Quando eu comecei a fazer essas descobertas, eu era aluno especial do Mestrado em Crítica Cultural da Universidade Estadual da Bahia - UNEB, Campus de Alagoinhas-BA, eu poderia ter continuado, mas desisti. Faltava-me estímulo para continuar ouvindo tanto engodo principalmente de Gatarri, Deleuze e Foucault que eram os preferidos dos professores. Abandonei o Mestrado e fui me auto-educar com as leituras indicadas por Olavo, e não me arrependo. A obtenção de um título de Mestre não me é mais honroso ou vantajoso que a obtenção de conhecimento, mesmo que seja informal. Eu estou só no começo dos meus estudos e compreendo os desafios de se desconstruir mais de 20 anos de doutrinação esquerdista que obtive nos bancos das escolas e universidades por onde passei. Porém uma coisa já é certa, a esquerda e o PT perderam meu apoio e meu voto.

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Abimael Borges é Bacharel em Direito, pós-graduado em Educação do Ensino Superior, autor do livro "O Anjo do Jardim", diretor, roteirista e produtor do curta-metragem "Caminho de Feira".

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