domingo, 26 de outubro de 2014

Novo governo lidará com inflação alta, desemprego maior e nó do setor elétrico

por Lucianne Carneiro, Martha Beck, / Gabriela Valente, Eliane Oliveira, / Geralda Doca, Danilo Fariello, / Karla Mendes, Rennan Setti e Lino Rodrigues

Seja qual for o resultado das urnas neste domingo, o cenário para 2015 será de inflação alta e taxa de desemprego maior, em um ambiente de baixo crescimento econômico. O próximo governo terá que lidar com outros sérios desafios para colocar o Brasil em uma trajetória de crescimento sustentado da economia: a reorganização das contas públicas, um dos maiores déficits nas contas externas do país e um rombo na Previdência que deve superar os R$ 50 bilhões este ano ao lado do envelhecimento da população brasileira.
Diante da pressão da elevação do dólar, do aumento de tarifas de energia elétrica e dos custos de serviços ainda em nível alto, os preços continuarão acima do que seria desejado. Nem mesmo a fraca atividade econômica, que inibe a demanda, deve compensar esses outros impactos.
O setor energético será um capítulo à parte na gestão econômica: a falta de chuvas e as medidas adotadas pelo governo federal levaram a aumentos em 2014 e devem colaborar para reajustes elevados também em 2015.
A dificuldade na criação de vagas, principalmente formais, deve se acentuar e tende a levar a uma taxa de desocupação acima dos pisos históricos que vêm sendo registrados, dizem analistas.
A preocupação se dá principalmente diante das previsões do mercado, que espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fique em 6,3% no próximo ano, segundo a última edição do Boletim Focus, do Banco Central. Já para o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto dos bens e serviços produzidos no país), a projeção é de alta de apenas 1%.
Desde 2010, as expectativas do mercado têm sido mais otimistas que o desempenho efetivo dos dois indicadores. Pelo boletim, as estimativas para o IPCA feitas ao fim do ano anterior eram de 4,5% para 2010, 5,32% para 2011, 5,32% para 2012 e 5,47% para 2013. As taxas efetivamente alcançadas foram de 5,88%, 6,50%, 5,84% e 5,91%, respectivamente. Para 2014, previa-se em dezembro do ano passado uma inflação de 5,98% e agora o número esperado é de 6,45%.
A conjuntura ainda terá que lidar com as consequências de um ano em que o investimento ficou em suspenso: em dúvida sobre o futuro, muitos empresários preferiram a cautela e adiaram investimentos.
A economia feita pelo governo para pagar juros da dívida pública (o chamado superávit primário) despencou e isso levou ao aumento da dívida pública em relação ao PIB. Na esteira da deterioração fiscal, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s piorou a nota de crédito do Brasil, e a Moody’s colocou o rating do país em perspectiva negativa.
A situação das contas externas é fonte de preocupação: o mercado prevê que o rombo das transações correntes fique em US$ 81 bilhões em 2014. O cenário reúne baixa competitividade das empresas, balança comercial com saldo perto de zero, recuo nos preços de commodities, desconfiança dos empresários e comércio internacional enfraquecido com lenta recuperação de países avançados.
— O ano de 2015 será difícil. Teremos que lidar com a inflação, a deterioração no mercado de trabalho, uma economia que cresce pouco e o problema fiscal — afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Antônio Licha.
O economista Joaquim Eloi Cirne de Toledo aponta que há questões complexas a serem tratadas ao mesmo tempo: reduzir o déficit externo, o que exige melhora de produtividade, de infraestrutura e taxa de câmbio mais atraente:
— Todas essas coisas têm impactos sociais e políticos. Qualquer um que ganhar terá que tocar isso com luvas de pelica — diz Toledo.

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