sábado, 3 de setembro de 2011

Intolerância Religiosa: coisa de ignorantes!


Tive o enorme prazer de conhecer uma das pessoas mais brilhantes desse grande Estado da Bahia, o professor, tributarista, Vice-Prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, para quem também dei meu voto para Senador da República no pleito passado. A primeira vez que ouvi a fala do Baba Egbé dollê Iyá Omin Axé Iyamasê, do Terreiro do Gantois, foi em menos de trinta segundos na propaganda obrigatória eleitoral. Foram segundos preciosos que direcionaram meu voto e minha admiração por este homem humilde e de uma densidade ideológica profunda. Pude assim, confirmar a força que tem esse homem. Dono de uma oratória ímpar, dotada de intelectualidade e coerência, mas acima de tudo, com uma espiritualidade apurada, graciosa e cativante.
O encontro foi no Seminário sobre Intolerância Religiosa – O Direito como Caminho para o Respeito às Religiões de Matrizes Africanas, que aconteceu no prédio da Câmara Municipal dos Vereadores na cidade de Camaçari – BA, onde também estiveram presentes outras autoridades religiosas tanto das religiões Africanas quanto do Cristianismo, entre eles quero destacar o Ogã do Templo Afro Religioso Ilê Axé Oxumarê, Leonel Monteiro, também presidentes da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Amerindia – AFA, homem que tem dedicado a sua vida a proteger a nossa cultura e descendência Africana. O evento foi uma realização da UNEB, especificamente dos estudantes de direito da UNEB de Camaçari em conjunto com a AFA.
O Seminário trouxe reflexões sobre o processo de intolerância religiosa sofrida principalmente pelas religiões de matriz Africanas nos tempos modernos. Muito me impressionou a constatação clara e óbvia de como esse processo de intolerância vem passando de grupos religiosos para outros grupos também religiosos ao longo da história humana. Acontecia muito na antiguidade de a Igreja Católica Apostólica Romana perseguir e eliminar “bruxas”, Cristãos Protestantes entre outros seguimentos; os fundamentalistas Islãmicos terem como “infiéis” e dignos de pena capital os seguidores de outras religiões; guerras “santas”, lutas sangrentas em nome de Deus e hoje, em pleno século XXI, em plena sociedade do conhecimento, ainda existir a nefasta intolerância, verdadeiras manifestações de desrespeito à religiosidade alheia. Hoje os neopentecostais, “cristãos” e “evangélicos” agem da mesma forma com as religiões de matriz afrodescendentes, ignorando os direitos invioláveis que os homens tem de professar sua fé da maneira que lhe é conveniente e, pior ainda, ignorando os próprios ensinamentos de Cristo quando mandou “amar ao próximo como a si mesmo”. Eu amo o Cristianismo, mas odeio o que os “cristãos” estão fazendo dele.
Não há, portanto, coisa pior no mundo que a afronta ao sentimento religioso de uma pessoa. Para mim está mais que claro que a única coisa em comum, entre todas as crenças religiosas do planeta é a fé, manifesta das mais variadas formas e todas elas com uma capacidade indestrutível de fazer do homem uma criatura melhor. Infelizmente o que constatamos é que os homens usam a fé de maneira deturpada e egoísta; usam-na como pretexto para exteriorizar preconceitos, frutos da ignorância consolidada na cultura dos povos. Mas a legítima fé jamais poderá ser usada para justificar o absurdo da intolerância e do desrespeito às diferentes crenças. A fé legítima e útil para humanidade é aquela que eleva os espíritos humanos para a excelência de vida, de harmonia, compaixão e humildade. É a fé que Cristo, Buda, Maomé, Alá, Oxum, e todos os outros nomes pelo qual a Suprema Divindade é conhecida e cultuada, que pode resgatar o homem das trevas da ignorância.
Meus agradecimentos aos realizadores desse brilhante evento. Meus votos de sucesso para os próximos eventos dessa natureza que possam vir a acontecer. Meus parabéns aos palestrantes pela propriedade e relevância com que expuseram os temas. Minha admiração sincera ao professor Edvaldo Brito e demais a quem peço a benção e desejo Axé. E à minha professora Micheline Musser, por nos incentivar a participar de eventos fundamentais para a nossa formação acadêmica e para a vida. E a paz de Deus, que excede a todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.

3 comentários:

  1. O projeto é sim de inciativa da UNEB, pois reflete a preocupação com a interação teoria e prática. Seugiu de Artigo da Disciplina Seminário Interdiscplinar do semestre 2010.1. Esse semetre resolvi propor o Seminário, o qual tem a orientação técnica-científica do Professor e Procurador do Estado Marcos MArcílio e da Professora Marcia Margarida Coordenadora do NPJ Nessa Trajtori contamos com apoio, na realização, da AFA, da Cãmara Municipal de Camaçari, da Proex UNEB, da Reitoria e Vice-Reitoria da UNEB, do Terreiro de Jauá.

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  2. Nobre colega Abimael Borges seu artigo tem uma exuberância de sensibilidade racional, tão preciosa aos que escolheram o maravilhoso mundo do Direito, que tem como lastro, o anseio social de liberdade. Um abraço Robson Araujo

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  3. Abertura do Novembro Negro de



    Lauro de Freitas

    Exposição Fotográfica de Símbolos Africanos





    A Superintendência de Promoção da Igualdade Racial, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Governo e o CMPIR- Conselho de Promoção da Igualdade Racial tem a honra de convidá-lo(a) para a abertura do Novembro Negro NOSSA GENTE NOSSA HISTÓRIA, o projeto tem por objetivo contribuir para a preservação da memória e importância dos símbolos de resistência do povo negro contra o preconceito e a discriminação racial no município.



    A Abertura do Novembro Negro contará com a participação especial de Melk Mercury com o solo poético África Recitada Lá e Ká e a Exposição Fotográfica de Símbolos Africanos sob curadoria do artista Samuel Rosa,cujas obras forão inspiradas na musicalidade, religiosidade e identidade afrobrasileira.



    A Abertura do Novembro Negro terá seu momento especial em Homenagem ao Ilustríssimo Sr. Raimundo das Neves (in memorian) pelo seu legado na preservação da cultura de matriz Africana.




    PROGRAMAÇÃO NOVEMBRO NEGRO NOSSA, GENTE NOSSA HISTÓRIA



    Abertura do Novembro Negro / Exposição Fotográfica de Símbolos Africanos

    Data 17 de Novembro de 2011 Horário: 9h30min.

    Local: Foyer do Centro de Referência da Cultura Afrobrasileira - Portão



    Amarração dos Ojás - Noite de Paz- Venha Vestido de Branco!

    Data: 17 de Novembro de 2011

    Horário: 22:00h

    Local de concentração: Centro de Lauro de Freitas (Praça da Matriz)

    Alvorada com café da manhã: 03h- Centro de Referência da Cultura Afrobrasileira-Portão



    Mostra de Filmes relacionados à temática Afrobrasileira

    Dias 18, 22 e 28 de 18 de Novembro de 2011

    Local: Centro de Referência da Cultura Afrobrasileira – Portão



    Caminhada do Povo Negro e a Cor da Cidade

    Data: 20 de Novembro de 2011 Horário: 09:00hs

    Local de Saída: Terraplac- Itinga



    Audiência Pública Zumbi dos Palmares e João Cândido: Resistência do Povo Negro Hoje

    Data: 23 de Novembro de 2011

    Horário: 16:00h

    Local: Câmara dos Vereadores de Lauro de Freitas-Centro



    Seminário Nossa Gente Nossa História

    Data: 25 de Novembro de 2011

    Horário: 09:00 às 17:00h

    Local: Auditório do Terminal Turístico Mãe Mirinha de Portão



    Roda de diálogo e mostra de penteados afros (com :00h

    Local: Centro de Referência da Cultura Afrobrasileira - Portãopremiação)
    Data: 30 de Novembro de 2011 Horário: apartir das 09



    TODA EQUIPE SUPPIR/SEGOV.













    Roda de diálogo e mostra de penteados afros (com premiação)

    Data: 30 de Novembro de 2011 Horário: apartir das 09:00h

    Local: Centro de Referência da Cultura Afrobrasileira - Portão



    Informaçâo.paulodotransporte@hotmail.com

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