quinta-feira, 7 de julho de 2011

O melhor gorverno é aquele que absolutamente não governa...

       O pai da anarquia não poderia prever um tempo em que o povo além de se submeter ao “absurdo” de ser governado, como ele dizia, teria um governo preocupado com a subsistência do poder, legisladores de causas próprias, que a exemplo da destruição em massa de Bíblias pela igreja em antigos tempos, a fim de limitar o conhecimento das Sagradas Letras ao clero, prima pela ignorância no intuito de ocultar a verdade, criando um cenário de falsa paz e bem-estar social. Bom, Henry já esperava isso, mas se visse na prática, ficaria estarrecido.
         Henry David Thoreau, inicia seu livro "A Desobediência Civil" com essa pérola: "O melhor governo é aquele que não governa", Henry concorda e dá suas razões, eu concordo em partes, minha objeção é quanto à filosofia do anarquismo, pois acredito no governo democrático, no Estado de Direitos, precisamos nos governar, estabelecer as regras e as condições que melhor se aplique à maioria, mas como vemos a inversão perversa na interpretação e na atuação dos atuais governos, vivemos submetidos à desonra, como diria David, dos caprichos egoístas dos poderosos.
         Subestimamos a capacidade dos coronéis de se transformarem. Hoje ganham forma de mandatários legítimos e tem o apoio de um povo compassivo com suas atitudes vis.  Eles agem como se o povo fosse sua propriedade. Impõe um terror psicológico a que todos se submetem. Ninguém viu, ninguém ouviu, ninguém diz nada. Subestimam a inteligência alheia, pisam sobre ela, esmagam os que se destacam. É histórico, lembram-se de Antônio Conselheiro? De certa forma ele se encaixa perfeitamente no tipo dos revoltosos que não aceitaram se submeter ao governo e suas danações. O governo então o suprimiu. Ele não foi o único a ser suprimido pelo governo, por que aliás, a voz do povo, para o governo, é a voz do diabo e não de Deus.
          Quero lembrar novamente que Henry é considerado o pai da anarquia, eu não sou anarquista, longe de mim, mas fato é que vivemos numa anarquia inversa. É que, em vez de nos governarmos através de nossos representantes (o que não seria anarquia), somos submetidos às decisões imperiosas de certos grupos poderosos. Não somos nós, portanto, que não queremos um governo, é o governo que não nos quer. Assim temos um governo sem povo, que age para maquiar a realidade e um povo que tem a mera ilusão de governar, a ilusão de saciedade de suas necessidades básicas.
            Segurança pública, por exemplo, todos ao ver uma viatura nas ruas pensam que estão seguros. Não estão. Não existem policiais suficientes, e estes não dispõe dos recursos táticos necessários ao bom desempenho da função e ainda se tivessem estes, com os parcos salários que recebem, que os renega a levarem uma vida miserável, tornam-se, muitos deles, presas fáceis da corrupção que, por sinal, a própria sociedade impõe quando subornam os pobres servos do Estado. Fato é que a falta de segurança serve muito aos interesses governamentais, senão vejamos: fazem uma festa quando uma viatura nova chega ao município, propagandas e mais propagandas quando se inaugura um módulo policial novo, e o povo, atordoado pela cegueira burra, aplaude velozmente o governo. Mas a verdade é que o governo não está preocupado com a origem da violência e com o real combate ao crime e o povão está sendo educada para acreditar que é tudo normal. É a vida! É o mundo!
     Preciso acrescentar, quanto à ilusão de segurança, que a máquina judiciária é uma zona organizacional e o acesso a ela é uma saga sem final. É uma divisão ilógica, ninguém sabe onde fica o fórum certo para se dar entrada numa ação, exceto os operadores da justiça, como se o acesso a ela tivesse que ser restrito aos conhecimentos técnicos de poucos. A tal da competência, confunde a cabeça de todos e nessa salada de frutas com jiló pelo meio o cidadão é quem sobra mais perdido que cego em tiroteio. Esse é o sistema maravilhoso, criado para amarrar os pés e as mãos de quem dele precisa; esse é o governo que renega seus cidadãos aos caprichos da burocracia burra. E todo mundo engole, pois preferem isso a ser engolido por esse velho obeso que é o governo.
            Pensei em falar agora sobre educação, a educação é o demônio para o governo. Povo instruído é ameaçador, ler é extremamente perigoso, pois se descobre os podres nos bastidores do poder. Imagina um povo que sabe o que é O Contrato Social, livro de Jean Jacques Rousseau e aprendem com ele que a sociedade é capaz de se transformar, que o homem é senhor de si mesmo e tantas outras possibilidades do potencial humano? É melhor deixar que os estudantes achem que estão estudando. A educação no Brasil vem mal desde o Império. Nunca se valorizou o ensino. Há um medo esdrúxulo de que o povo fique sabido. A escola pública do pais é uma falácia, os testes que o Mec produz para medir o ensino segue padrões estabelecidos pelo próprio sistema, o que o torna perfeito para refletir o que o governo quer e não a realidade. Entretanto ainda restará provado que o ensino é feito à toque de caixa. É medíocre, definitivamente mediocre o ensino básico público no Brasil. Os alunos saem do Ensino Médio sem saber escrever ou calcular corretamente. Depois, com 40% da prova do ENEM, ganham uma bolsa no proúni para fazer um curso superior em uma faculdade igualmente medíocre. O governo incentiva as escolas técnicas chamando atenção para o tão desejado crescimento econômico do país, e com isso forma uma leva de cidadãos operários, que não pensam, que não pesquisam, que não produzem conhecimento e nem progresso científico. Por fim, resta dizer que o dicionário classifica anarquia como desordem, desorganização, falta de governo e tal, mas me respondam, quem foi que ensinou essas coisas ao dicionário? Ou vocês acham que ele não tem um propósito governamental em suas entrelinhas? Anarquia poderia significar, por exemplo, autogoverno, autogestão, responsabilidade pessoal, igualdade, liberdade. Mas quem manda na história é quem está no poder e o poder gosta da ignorância das massas para se perpetuar.
         Governar é uma coisa que dá muito trabalho. Melhor mesmo é fazer todo mundo acreditar na algazarra do governo, na folia da administração, no perfil barato de um homem trabalhador, na quase farsa da incorruptibilidade, na boa intenção da qual se enche o inferno, e noutras tantas formas de ludibriar a consciência coletiva. Fazer um governo sólido e pautado no cumprimento da lei, função primária do Estado, e na aplicação do direito, atendendo às exigências da sociedade quanto à garantia dos direitos fundamentais, é coisa trabalhosa que até hoje, nenhum, absolutamente nenhum governo se propôs a fazer.
           Não vamos culpar os governos pelas mazelas da sociedade. Afinal o governo em nossa concepção, emana do povo. Democracia pressupõe que um governo só age de acordo com aquilo que o povo permite. Então se existem governos que descaradamente age impropriamente, ilegitimamente, como diz na linguagem jurídica, age com improbidade, é por que o povo permite com a omissão, com a falta de atitude. Assim sendo, tem razão Henry quando diz que o povo conscientemente se deixa enganar.
           Enfim, minha gente, já falei muito por hoje. Tenho absoluta certeza que uma ou duas pessoas chegarão a este parágrafo, como você é um, deixa um comentário a baixo para eu ver quantos chegaram até aqui, porque todos fomos ensinados indiretamente que lê é uma atividade enfadonha, afinal quem lê consegue enchergar as burrices do governo e saber que esse sistema é um vampiro vil e detestável. Viva o Estado Democrático de Direitos! Que nós estamos longe de ter!
             

2 comentários:

  1. Adorei seu texto Abimael! Excelentes as suas colocações. Também estudei Henry Thoreau e fiz um artigo sobre esse texto, A Desobediência Civil, ele é maravilhoso, rs! Parabéns pela arte! Matias Carvalho

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