sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Brasil não precisa de Bolsonaros

Em 2011, quando publiquei o texto dessa matéria, eu desconhecia alguns elementos da história que fazem toda diferença para entender as razões do deputado federal Jair Bosonaro (PP-RJ), e antes que alguns tomem as minhas palavras contra mim mesmo, devo advertir que o texto é fruto de uma mentalidade completamente dominada por ausência de reflexão, leitura, conhecimento, experiência e de fatos hoje conhecidos, explico:

1. Eu acreditava que a ditadura Cubana e a ocorrida no Brasil em 64 tinham as mesmas características. Obviamente eu estava completamente errado.
2. Eu acreditava que o movimento gay era legítimo por defender interesses dessa classe minoritária. Estava redondamente engano.
3. Eu acreditava que o deputado JB era anti-democrático, mas também estava enganado.
4. Eu julgava que o deputado JB era racista, outro engano.
5. Eu, ingenuamente, acreditava que o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos defendia causas justas, porém me enganei, ele é muito mais abrangente e defende também coisas abomináveis como é a censura, é contra a propriedade e etc.
6. O fato de alguém defender um ponto de vista contrário as cotas, bolsas ou qualquer outra forma de auxílio estatal não o torna racista, como eu pensava.
7. Todas as acusações feitas por mim, contra o deputado JB, neste texto, não tem nenhuma fonte segura, base fática ou qualquer outra forma de comprovação, exceto afirmações levianas de uma mentalidade idiotizada ao longo dos meus primeiros anos de estudos.

Agora que assumi os meus equívocos, devo, por uma questão de justiça, esclarecer de que forma eu cheguei a estas novas conclusões. Por serem assuntos extremamente complexos, estarei publicando novos textos para explicar cada um desses pontos.
Para que o leitor saiba do que eu estou falando, vou deixar o equivocado texto intocável a baixo, porém advirto-os da minha total incompreensão dos temas de que tratei.

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O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) em entrevista para o programa CQC da Rede Bandeirantes, na última segunda-feira, dia 28, fez declarações de intolerância, racismo e preconceito.

Atitudes dessa natureza precisam ser severamente combatidas, pois foi a preço de sangue e muita luta que nós, cidadãos do mundo, conquistamos nossos direitos e principalmente o mínimo de respeito à Dignidade Humana. Não é em vão que neste exato momento, diversos paises orientais e europeus estão conquistando a liberdade e depondo seus chefes radicais, militares, por sinal. Gente que no uso do poder, legitimam ações de intolerância às minorias excluídas.

O deputado entra em contradição quando diz detestar Cuba (ou o regime político lá instalado?) mas defende a ditadura militar no Brasil. Só por defender a ditadura ele já deveria perder o mandato. O Brasil não aceita louvores a uma era de perseguição, serceamento de liberdade, censura, negação dos Direitos Humanos e desrespeito à Dignidade dos cidadãos, esse país é DEMOCRÁTICO e continuará sendo. Ele se contradiz ainda quando diz não querer voar ou ser operado por um cotista, mas se refere à igualdade de todos perante a lei, ora deputado, as cotas visam exatamente reparar centenas de anos de tratamento desumano e desigual dado aos negros e índios nesse país; nem vem que não tem, deputado, pois ser cotista não signfica ser menos preparado para voar, clinicar ou exercer qualquer função; ser cotista também não significa auferir vantagem em desfavor de outrem, em desfavor viveram e vivem ainda hoje os afrodescendentes, índios, nordestinos pobres, entre outros grupos minoritários, que nunca tiveram as mesmas oportunidades que os barões dessa nação. Mas as contradições do deputado não param por ai: ele fala veementemente contra a homossexualidade a que se refere como "desvio de conduta", mas disponibiliza em seu site arquivo do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT. Esse Plano defende os homossexuais de tiranos como ele e Adolf Hitler (que criminalizou, estigmatizou, marginalizou e matou centenas de gays na segunda Grande Guerra).

Em seu site, o deputado fez alguns esclarecimentos sobre suas respostas às perguntas feitas no quadro “O Povo Quer Saber”, esclarecimentos que não esclareceram nada. Disse não ter entendido a pergunta feita por Preta Gil, que questinou qual seria a reação de Bolsonaro se o filho dele se apaixonasse por uma negra. A pergunda é clara, é indúbia, é exata. Não houve referência à relacionamento homoafetivo entre seu filho e um gay por parte de Preta. Mas o deputado respondeu “Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu.” ou seja, em vez de responder a pergunda, ele resolveu atacar sua interlocutora, por quem, provavelmente nutre possível desafeto (devido à cor dela ou pelo fato de ser ela uma cidadã que não usa de seu prestígio para fazer apologia à ditadura militar ou a qualquer forma de preconceito?). E ainda que a pergunda se referisse a um relacionamento homoafetivo, sua excelência inteligente como é, deveria saber que promiscuidade ocorre entre pessoas de qualquer condição sexual, não sendo exclusividade dos homossexuais.
Na mesma nota o depotado tenta negar que é racista. Ora, a cota é para negros, indígenas; um médico cotista é, muito possivelmente, afrodescendente; um piloto cotista da mesma forma: tem certeza, deputado, que seu problema é com o fato de ele ser cotista? Se o médico ou o piloto não é cotista, logo pode ser branco, nesse caso o senhor não teria problema em viajar ou ser operado por ele, certo? Sendo contrário à qualquer cota, deputado, o que o senhor tem feito para, sem demagogias vãs, colocar as raças menos favorecidas em pé de igualdade? Na mesma nota ele diz não ser homofóbico, mas em sua fala e entrevistas dadas à imprensa diz que se um adolescente apresentar comportamento de "desvio de conduta" deve "voltar" pro lugar nem que seja a custo de "palmadas". Assim o senhor, deputado, apoia, ainda que indiretamente, atitudes de alguns grupos que espalham a intolerância e que violentam homossexuais, negros, índios e nordestinos. Sua excelencia é sim um racista e homofóbico, enfim, um canalha retrógrado, um perigo para a democracia e uma ameaça à Dignidade e Direitos Humanos.

Duvido ainda que, tendo um pai como sua excelência, seus filhos tenham uma boa educação. Podem sim terem estudado em bons colégios e não precisarem de cotas, mas também podem ter herdado o ranço da ditadura ou mesmo serem tão estúpidos quanto o pai, no que se refere ao respeito em relação aos outros. É lamentavel ainda que existam tantos brasileiros inconsequêntes, capazes de jogar o voto no lixo elegendo um representante mal informado. O Brasil precisa de gente comprometida com o desenvolvimento igualitária da nação, que seja capaz de construir um país sem preconceito, sem racismo, sem intolerância e sem Bolsanaros.


2 comentários:

  1. Sabe o que é mais absurdo que as declarações de Bolsonaro?
    O fato de o Rio de Janeiro ter eleito este "cidadão" SEIS vezes para o cargo de deputado....

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  2. É lamentável que em pleno século XXI, um homem com um cargo público tão importante, tenha a ingenuidade de ir num programa de TV e dá tais declarações e achar que isso não ia ter uma péssima repercussão para ele. O que ele pensou? Talvez que estava sendo engraçado, por que o programa tem uma pegada humorística. Foi muito infeliz... Eu já vi declarações bem mais louváveis desse cidadão, quando denunciava a corrupção dos seus colegas, cheguei a admirá-lo por isso. Lamentável, muito lamentável!

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