quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Bullying - é hora de reagir!


Eu tive o desprazer de conhecer, na infância, dois irmãos gêmeos que transformaram minha vida escolar num inferno. Lembro-me como se fosse agora, aqueles dois galeguinhos me esperando na porta do colégio com o intuito de tomar minha merenda, roubar meu dinheiro e depois me humilhar na frente de todos, dentro da sala. Os dois pestinhas esperavam as professoras dar as costas pra encher minha cabeça de tapas. Na hora do recreio eu preferia não sair da sala, pois quando esquecia desses dois camaradas, e me dirigia até o pátio para brincar chovia pedras, cascas de frutas, bolinhas de papel em cima de mim. Os colegas riam. Aos poucos eu comecei a senti muita angustia na hora de ir pra escola. Por diversas vezes inventei dor de cabeça, dor na barriga, febre entre outras coisas só para não ter que ir à escola; outras tantas vezes eu fingi que ia, virava a esquina e voltava para brincar no quintal da casa do meu melhor amigo, o Devinho. Na hora da saída, eu já começava a tremer, pois todos os dias era uma carreira. Os dois diabos saiam na frente e ficavam me esperando, a turma já habituada a essa caçada, ficava à espreita. Eu saía intimidado e eles gritavam "corre!", se eu não corresse me jogavam pedras, se corresse, viam atrás de mim na maior algazarra até sermos disperçados por caminhos opostos nas direções de nossas casas. Para minha sorte isso não durou muito tempo, acredito que apenas seis meses, pois meus pais me transferiram de escola. Como eu, muitas crianças sofrem esse tipo de situação. O nome disso é Bullying.

Tudo começa como brincadeira. O menino mais retraído, menos comunicativo, introspectivo; a menina menos levada, tímida, centrada. Características físicas menos comuns, como por exemplo ser magro, ter um defeito ou má formação física, ser especial, sensibilidade aguçada, dedicação maior aos trabalhos escolares. Esses são alguns requisitos para tornar alguém alvo das brincadeiras de mau gosto. Tais brincadeiras evoluem, e a vítima vai se tornando cada vez mais amarga, se isola, foge da escola ou do ambiente coletivo em que esta sendo humilhada, constrangida, perseguida, intimidada, aos poucos ela começa a sentir-se inferior, perde a auto-estima, culpa-se por ser diferente, considera-se à margem da sociedade. Pior que tudo isso: ela começa a perder o gosto pela vida.


Bullying foi o nome escolhido para esse fenômeno que a sociedade começa a perceber como um problema grave e que carece de ações urgentes para conter seus efeitos danosos. Mas o bullying não é novo, ocorre que só agora ele vem ganhando proporções insuportáveis e se evidenciando como problema. É hora de reagir. O Bullying é uma afronta aos Direitos Humanos, pois fere o princípio da igualdade e da dignidade da pessoa humana.

Identifique e enfrente o Bullying

O Bullying é uma perigosa agressão física ou psicológica que pode deixar consequências pro resto da vida, quando não acabar com a vida da vítima. É perigosa porque é silenciosa. Sua principal característica é a repetição exautiva de um comportamento agressivo, depreciativo e humilhante em relação a alguém incapaz de se defender. 

Para saber se alguém esta sendo autor de Bullying, basta perceber a frequência com que  a pessoa coloca apelido de mal gosto, sacaneia, ofende, humilha, se satisfas com o sofrimento alheio. Geralmente agressores tem histórico de agressão familiar, abuso ou é proveniente de lares desestruturados.

Para saber se alguém está sendo vítima de Bullying, será preciso conhecer bastante a pessoa e perceber as mudanças no humor, nas atitudes, nos comportamentos gerais. Se a pessoa começa a evitar estar em um determinado ambiente, se passa a evitar algumas pessoas (agressores), se perde o estímulo pelo que fazia. Fique alerta e tente fazer um acompanhamento mais próximo.

Se identificou que alguém é vítima de Bullying, o que fazer? Lembre-se que o Bullying é perigoso e deve ser enfrentado com ações sérias. Saiba que  essa prática pode se configurar como crime de racismo, preconceito, xenofobia e até lesão corporal. Identifique os agressores e leve o caso às autoridades responsáveis pela entidade e também comunique à promotoria pública. Dê apoio à vítima, não cruze os braços, tome as providências legais e necessárias.


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Permito a reprodução desse texto desde que cite a fonte e o autor.

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