sábado, 3 de julho de 2010

Das minhas profundas desilusões

Iludido, por muito tempo. Sonhador imcompreendido. Um mundo aos pés de um "senhor" chamado dinheiro. Um país juramentado pela hipocrisia. Um povo que aceitou a derrota da contestação. Uma nação inteirinha dominada pelo modismo, pelas inconstâncias, pelas futilidades... uma geração sem futuro, sem prestígio... sem nome... sem bandeira.
Iludido, sim. Por acreditar que seria possível reverter esta onda que arrasta a todos para o mar da unanimidade patética. Um eterno carnaval de bugigangas.
Eis aqui a falsa paz. A poderosa mordaça que a todos calou sutilmente. O meu grito ecoaria, não fosse o vácuo imenso em que estou submergido. Pior ainda é notar que ela sutilmente conseguiu, com o show idiota de todos os dias, incutir servidão e ditar padrões incontestáveis no seio dessa geração.
É, confesso, minha geração será lembrada por séculos sem fim, como a geração que perdeu para a ignorância, a geração que se deixou dominar pelos deleites passageiros e fúteis, vivendo do imediatismo descartável e tolerando os mandos e desmandos dos poderosos parceiros da mídia cauculista. A geração que esparramou vergonha sobre a luta das que nos antecederam, que pisoteou a liberdade tão duramente conquistada e que não soube levar a diante a resistência contra o oportunismo capitalista sobre uma nação de miseráveis.
Como já disseram, eu também queria mudar o mundo e tornar meu país um lugar melhor para todos, mas agora peço licença para, quando chegar a hora, dele me retirar com dignidade e levar comigo minhas profundas desilusões.

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