quarta-feira, 12 de maio de 2010

A confusão das importâncias no Brasil e no mundo

2010 é um ano fora do comum em diversos aspectos. Primeiro este ano já começou com catástrofes decorrente das fortes chuvas, alagamentos, deslizamentos de terra, centenas de mortos; alarmismos em torno de doenças como a gripe suína, H1N1.
Em se tratando de H1N1, a Organização Mundial da Saúde - OMS, faz alarde sem necessidade, criando pânico e obrigando os paises a gastarem o que podem e o que não podem com aquisição de vacinas. Em Portugal, por exemplo, foram gastos 45 milhões de Euros por 6 milhões de doses de vacinas, das quais gastou 320 mil, entretanto, a gripe matou menos de 100 pessoas, enquanto que a gripe sazonal (comum) chegou a matar mais de 2000 pessoas. No Brasil não é diferente, até aqui, menos de 600 pessoas morreram de gripe A contra quase três mil mortes por gripe sazonal ao ano, segundo o Ministério da Saude. O Brasil fez um gasto de R$ 2,1 bilhões na compra de 73 milhões de doses da vacina, entre outros custos de combate à doença. Resultado de tudo isso é que a industria farmaceutica vai se enricanda escandalosamente e as pessoas ficando cada vez mais amedontradas com o terrorismo imposto pela mídia em torna da doença. Confusão ou não é?
É óbvio que cuidar da saúde e previnir doenças é o melhor caminho, entretanto, eu não compreendo qual a importância da gripe H1N1, já que outras formas comuns de gripe são mais letais que ela? Penso que haja um enorme exagero na campanha midiática, pois todas as formas de gripes deveriam ser tratadas com igual atenção.
Assim, vamos falar de outras formas de confusão de importância, que neste pais são muito comuns.
O Brasil é um país cuja população foi educada nos moldes da mídia, aprendendo a dar excessivo valor a coisas de menor importância. Imagine uma pessoa que cresceu assistindo aos programas da rede Globo como a Xuxa, que todas as manhãs acordava as crianças afirmando "todo mundo ta feliz, todo mundo quer dançar, todo mundo pede bis quando para de tocar...", donas de casa que envelheceram assistindo a um monte de novelas que ditam modas distante do poder aquisitivo da maioria da população brasileira; adolescentes que cresceram assistindo Malhação, aprendendo a cultuar o corpo e explorar a sexualidade como único meio de diversão. Programas idiotas que exaltavam o modismo, consumismo, banalidades da vida pós-moderna. 
Pois é esse o Brasil que temos hoje: um país educado para as futilidades. São 190 milhões de pessoas e a maioria delas desconhece sua pobre condição de manipulados. Somos massa de manobra submetidos aos caprichos e interesses dos que podem mais, principalmente daqueles que mandam na mídia e faz dela sua arma eficaz contra o pensamento coletivo. É o modelo de escravidão pós-moderna, muito eficiente por não usar ferros, troncos e senzalas, mas que sutilmente mantém igual e detestável domínio sobre o povo.
Bem. Fiquei pensando nos casos judiciais que envolveram duas vítimas fatais, a pequena Isabella Nardone e a missionária Irmã Dorothy Stang. Dois crimes de inaceitável brutalidade. Entretanto, no julgamento dos Nardones, com apoio da mídia, toda a população estava lá no Forum ou em frente à tv. Houve canais que cancelaram toda programação para mostrar o julgamento. Os dois casos estavam nas mãos da justiça e não havia nada que a população podesse fazer, pois se era justiça que se pedia, ela já estava sendo feita e confiada à decisão soberana de um respetável júri. Mais como é típico no Brasil, mais uma vez segue a turba contaminada pela mídia desrespeitando, inclusive, o direito que a todos convém pela ampla defesa e dificultando o trabalho da justiça, pois a efetivação da mesma não poderia se dar sem que se permitisse aos reus seu direito à defesa, como queriam alguns mais exaltados, loucos, por assim dizer. Entretanto no julgamento dos acusados de matar a irmã Dorothy, enquanto a mídia internacional dava ampla cobertura, pois trata-se de um caso não somente contra uma pessoa, mas contra uma comunidade e contra a lesão às propriedades da nação, haja vista o trabalho que desempenhava a missionária na defeza da população e da soberania nacional contra poderosos fazendeiros daquela região. A mídia brasileira fazia poucas chamadas e o povo, confundidos na importância do caso, nem um panfletozinho rabiscado levou à porta do Forum para cobrar justiça, mesmo desnecessáriamente, pois a mesma estava sendo feita. É ou não é confusão de importância! Ambos os crimes mereciam o mesmo destaque na mídia e a mesma manifestação popular.
A confusão da importância das coisas no Brasil ganha novo enfoque este ano. Seria este o ano da Copa ou das Eleições Presidenciais? Este é um momento crucial para o futuro do país, pois os conchaves políticos estão se formando e contando com a ajuda da mídia em torno da copa para que os brasileiros se esqueçam das mazelas do país, bem como das senvergonhices dos políticos canalhas que querem candidatar-se a mais alguns anos de robalheira.
Quem nos dera o brasileiro desse a mesma importância para a triste situação de nosso país o quanto dão à Copa. Quem nos dera a mídia não deixasse o povo esquecer dos corrúptos que permeiam o cenário político nacional, como não deixarão ninguém esquecer da Copa. Só assim comemoraríamos a vitória que o Brasil realmente precisa: homens sérios como o treinador Dunga, que não cedendo às pressões e interesses midiáticos, fez uma convocação com argumentos técninos, visando não o estrelismo dos jogadores, mas o comprometimento com o trabalho. É de Dungas e políticos sérios que este país precisa pra ter sucesso na copa e em sua organização política.

Abimael Borges.

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