quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

E os casos de amor vão se multiplancando na teia da vida


Vocês viram a nudez de Simplesmente Amor? Em relação aos filmes nacionais, aquele poderia ter sido gravado na íntegra dentro do salão da Basílica de Roma, de tão pudico, mas um blogueiro americano faz duras críticas a isso, nudez excessiva e linguagem ruim; eu adorei, um natal perfeito. Como se tudo na vida caminhasse para o amor sem pedras no caminho, ou pelo menos que as pedras fossem contornadas sem maiores impecilhos. Eu assisti pela décima quinta vez a cena de Colin Firth e Keira Knightley em Love Actually (Simplesmente Amor, aqui). E estava pensando nessa coisa de dizer o que se quer sem usar palavras. Falar a voz que não se ouve. Conjugar os verbos do coração, sem para isso intercalar silêncio e som para se fazer entender.
O amor não é essa coisa que da e passa. É, como dizia o Caio, não meu bem, não adianta bancar o distante: la vem o amor nos dilacerar de novo... Vamos lá, amigo, vamos lá tomar uma surra do amor! Ser sutil e dilacerado.
Não ter medo da solidão. Porque se tiver vai piorar tudo. Outro dia num bate-papo me intitulei de Conselheiro para sondar a solidão do povo. Nossa, quanta solidão no mundo! Quantos corações vazios! Quantas vidas perdidas! Eu quase adoeci. Mas me basta a minha solidão, eu procuro lidar com ela numa esfera de amizade fazendo-a uma parceira, amiga, necessária e até indispensável. Eu procuro acreditar que não preciso de um momento sozinho, mas de muitos momentos e que todos esses momentos sejam de ócio criativo, de solidão inspiradora. Embora eu tenha uns amigos que não acreditam nisso. Dizem que eu fumo maconha, que a maconha faz o cara viajar e daí surgem as criações. Não. Eu fumo solidão com uns goles de cerveja e não faço nada pelo mundo.
Não faço quase nada de criativo nesse mundo, fico preocupado com o que a humanidade vai pensar de mim no futuro; pensarão que fui um vivente inútil que não fiz nada pelas gerações à minha frente, que não ajudei na despoluição do meio ambiente; que não fiz uma descoberta como Thomas Edson e outros; que nasci, consumi, e morri sem dá a mínima para quem ficasse; que dei sim muito prejuízo, que joguei lixo pela janela do ônibus ou que na praia deixei as cinco latinhas de cerveja que tomei e cometi outros crimes como usar inseticida aerosol cheio de CFC entre outras coisas. Então vão tirar meus restos mortais para julgar e condenar à fornalha: Cremem-no. Antes porém deixo minha defesa: sou inocente, eu fiz o dever de casa, não poluí. Foram eles. Os Estados Unidos da América. Foram eles quem poluíram o mundo, vinguem-se de seus restos.
Mesmo sem fazer nada de tão extraordinário eu existo e tento e fumo solidão ainda que num ato de desespero. E os casos de amor vão se multiplicando na teia da vida e tornando tudo muito fascinante. Eu quero entrar nesse jogo também. Ser feliz, no seu colo dormir e depois acordar sendo seu colorido brinquedo de papel machê... ah, mas nosso Rodrigo Santoro estava muito bem.

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