quarta-feira, 20 de agosto de 2008

MANHÃ DE AGOSTO

Acordei hoje cedo
Para ver se, como dizem,
O sol nasceria vermelho,
Como um coração ensangüentado,
Explodindo-se pelos ares,
Ofuscando os céus estelares,
Humilhando sombras
E desfilando majestade.

Mas em vez disso
Vi um sol solitário, sombrio,
Banhado numa gota de lágrima,
Tímido entre nuvens espessas
E seu pouco brilho desbotado
Esparramando-se como gota de orvalho,
Sério e levemente fúnebre.
Um espectro desajeitado.

É uma manhã qualquer
De qualquer agosto
E minha face nebulosa no espelho eu vejo
Embora denunciando que não é por gosto
Estar de pé agora é ato falho imposto
Vendo-me como um pedaço de repolho
Direi que meu aniversário é osso
Em vez de festa será meu desgosto

Então suspiro fundo.
Maiores são as dores do mundo.
Insignificantes são as minhas contrações.
Se me farto de orgulho bobo nesta vida,
Emporcalho meus desejos mais profundos
Ou vislumbro parcos sonhos de emoções.
Sentimento é o pouco que me resta
Desta tão medonha situação.

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