terça-feira, 1 de julho de 2008

Amanhã

Não seria o amanhã um hoje disfaçado de futuro? Como se veste o desconhecido? Ocultando uma realidade imprevisivel? E essas minhas indagações, por ventura, em toda sua inconsistencia ou desventura, não traria uma refelxão contínua? O amanhã não se revela em cores, é um quadro em preto e branco, ou em sépia, indefinido em seus contrastes, rico em espaço para formas e cores. Penso que hoje é uma obra de arte colorida que amanhã vai ficar dempedurado no museu do passado, para ganhar camadas da poeira do tempo.


É assim que diante do espelho penso no amanhã. Não me vem às lembraças de pavores, medos contidos, acasos prováveis, crises de sentimentos ou construções mirabolantes das minhas ideias tolas; vêm-me tão simplesmente a certeza de que acreditando, a gente vai longe. O amanhã eu construo hoje com tinta e recortes, ou simplesmente com o olhar.


Hoje, aquela lagoa pela qual passamos, os 39 e eu, me disse algo diferente: refletia sobre sua superfícia os imponentes arranha-ceus do Rio, formando uma obra de arte visual emoldurada aos pés do Cristo Redentor, tão única e tão simbolica; tão viva e tão nostálgica, tão perfeita e tão irreverente... senti fisgar meu peito à lembrança do desafio vindouro.


Na aula, a professora de Direção de Arte, perdoem-me pois me escapa agora o nome, trouxe-nos a proposta de uma colagem que pudesse revelar o espírito em cores de nosso filme. Bendita lagoa cujas cores me enriqueceram as ideias. Depois disseram que minha colagem poderia ser emoldurada: era uma obra de arte. A obra que dará origem a um filme, ou o amanhã construido hoje; a reflexão de um sonho.


Hoje eu só quero uma coisa: que cada vez mais brasileiros tenham a oportunidade de fazer colagens para construir um amanhã digno.


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