quinta-feira, 17 de abril de 2008

Casa de Saudade

A nave louca pouco a pouco foi levando
Aquela gente que gostava de cantar
Os meninos que brincavam lá na rua
O bosque que havia pra caçar
O velho que distribuía doces
O casal da praça a namorar
A infância moleca da vida
Com sua inocência e fugacidade
Aquele amigo de verdade
E os sonhos com casas de chocolate
O super-herói defensor
A loira da capa da revista
E pouco a pouco deixou
A vida louca da vida

A nave louca leva e deixa de nós muito
Leva o amigo e deixa a saudade
Vai a inocência e fica a vaidade
Parte a ingenuidade e chega a maldade
Tira o colo de mãe e põe a vontade
A vontade de ver voltar o que já foi
De correr descalço na areia
De subir pé de mangueira
De brincar de rezadeira
De dormir a noite inteira
De sonhar mesmo acordado

De lata se fazer carro
A vassoura é um cavalo
Bolo se faz de barro
Salada se faz de flor
E a vizinha é namorada
Pra chamar de meu amor

Esconde-esconde e amarelinha
Bola de gude e bola de plástico
Trave se faz de tênis
Bomba em rabo de gato
Pega-pega e aliança
Só não sente saudade disso
Quem é filho de chocadeira
E quem nunca foi criança

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